CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

A FOGUEIRA DO MORUMBI

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) informou, ontem, que foram detectados quase 21 mil focos de incêndio no Brasil, nos primeiros 24 dias de agosto. Não é necessário examinar as imagens de satélite para descobrir que um deles está em São Paulo. No São Paulo. Apesar da fase de negação da diretoria, último erro de uma sequência alarmante.

A melhor frase sobre o momento são-paulino foi escrita na segunda-feira passada, neste Lance!, pelo repórter Gabriel Saraceni: “No Tricolor, todos parecem interinos”. Bingo. A frase resumiu perfeitamente o comportamento do time, que mostrou níveis de incômodo e preocupação semelhantes aos de um paciente em coma, ao ser triturado pelo Corinthians no Pacaembu. Ok, podem não ser todos, generalizar é sempre ruim. Mas os que se importam parecem impotentes.

E o que fez a moderna diretoria do clube? Patrocinou uma prensa pública de “torcedores” organizados, dentro do Centro de Treinamento, para cobrar os jogadores. Genial. Só falta dizer que “este tipo de ação motivacional faz parte do nosso planejamento macro”. Conveniência e covardia, tentativa de camuflar as falhas de quem é responsável pela crise.

Não se engane ao pensar que os “conselheiros das arquibancadas” também foram recebidos pelos cartolas do São Paulo. O encontro com a cúpula foi privado, e, como tal, pode ser qualificado de “saudável” mesmo que não tenha sido. Quem viu os dedos em riste e ouviu as ofensas, diante de câmeras e microfones, foram alguns jogadores. Para que acordassem. Que bonito.

Veja, se a diretoria do clube identificou atletas que acham que CT é sigla para “carteado e travessuras”, que os enquadre, coloque no freezer ou lhes mostre a porta. Esse é o papel de quem comanda. E se não há autoridade suficiente para fazer um grupo experiente aceitar o comando de um treinador jovem e desconhecido (era muito difícil antecipar os problemas?), que chame os líderes do vestiário e pergunte como eles querem trabalhar. Sim, é transferência de responsabilidade, mas ao menos é interna.

Pela terceira vez na História, o Morumbi parece ser a razão de uma época difícil. Erguê-lo produziu um jejum de títulos que durou 13 anos entre as décadas de 50 e 60. A “era dos amortecedores” interrompeu investimentos no futebol entre 95 e 2002. Agora, reformar o estádio para a Copa de 2014 roubou o oxigênio da tomada de decisões sobre o time. E 2010 pode terminar mal, especialmente se a contratação do próximo técnico for mais um erro.

Há 20 dias, quando Ricardo Gomes foi demitido, não havia nomes interessantes disponíveis. A oferta não mudou. A inabilidade para dar suporte ao treinador interino levou à obrigação de trazer um técnico que não será o ideal para o futuro. Mas o futuro será moldado nos próximos 3 meses.

É a diretoria quem tem de apagar o incêndio.



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