COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

NEGÓCIO DE RISCO

Apostar em jovens jogadores de futebol é muito mais difícil do que encontrar um adversário para a Seleção Brasileira em data-Fifa. Negócio imprevisível, coisa para quem sabe lidar com o risco e está preparado para se dar mal. Mas quando o menino talentoso vira um projeto de craque, não há “mercadoria” mais lucrativa. Lembremos de Ramires, só para citar um exemplo. O Cruzeiro pagou cerca de R$ 400 mil por ele, em 2007. O Chelsea pagou 22 milhões de euros, dez dias atrás. A calculadora informa que a valorização é de 12.500% (não sei se acredito) em 3 anos. Ainda não inventaram nada melhor.

Mas clubes não existem (apenas) para ganhar dinheiro, como o Santos ensinou anteontem. A história a seguir mostra que, mesmo quando todos os elementos parecem estar no lugar certo, oportunidades são perdidas por diferenças de planejamento, de opinião. Ou até por falta de atenção.

No final do primeiro semestre de 2008, a Traffic promoveu uma reunião para apresentar o técnico Vanderlei Luxemburgo (então no Palmeiras) a torcedores dispostos a adquirir cotas da “cesta de atletas” administrada pela empresa. Participação nos direitos econômicos de jogadores em troca de recursos. Uma espécie de bolsa de valores em que as ações são frações do que vale um jogador de futebol.

Além de mostrar o projeto (uma tentativa de convivência entre o lucro esportivo desejado pelo clube e o lucro financeiro que a empresa procura), a ideia da reunião era estabelecer um relacionamento entre o técnico do Palmeiras e os abnegados que poderiam ajudar a trazer reforços para o time.

Um dos presentes perguntou se seria possível repatriar Alex, do Fenerbahce. “Difícil”, disse o representante da empresa, “mas fiquem tranqüilos porque o próximo camisa 10 do Palmeiras já esta a caminho”, completou. Obviamente, perguntaram de quem se tratava. “É o meia do Paraná Clube, está com 18 anos e os direitos dele são nossos”, foi a resposta.

Em 2008, o Paraná disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Ninguém na reunião pareceu se animar com a possibilidade de um jovem meia de um time da segunda divisão ser um jogador que faria diferença no Palmeiras. Nem Luxemburgo, conhecido pelo bom olho para talentos. A menção ao nome do garoto não levantou sobrancelhas na sala, apesar da insistência do executivo da Traffic. “Acreditem, ele é muito bom”, repetiu.

“Naquele momento, estávamos procurando jogadores mais experientes, porque a ideia era montar um time para ganhar o Campeonato Brasileiro”, contou Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol do Palmeiras, em conversa telefônica com a coluna ontem pela manhã. “Eu estava na reunião e me lembro que esse jogador realmente foi citado, mas o perfil que queríamos era outro”, explicou o dirigente.

O craque precoce acabou negociado com o Internacional, porque o meia colorado Alex estava indo para a Rússia. Jogou um Campeonato Sul-Americano e um Mundial pela Seleção Brasileira Sub-20. Na última quarta-feira, marcou um golaço na final da Copa Libertadores.

Seu nome é Giuliano.



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