CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

E O PLACAR NA VILA BELMIRO…

O resultado do jogo, só conheceremos amanhã. Mas se o Santos ganhar, até quem não é santista deve comemorar.

Se esta sexta-feira chegar com o anúncio de que as ideias do clube para manter Neymar por mais tempo no Brasil foram bem sucedidas, mesmo que seja apenas um adiamento de sua saída, a vitória será de todos que acreditam que, um dia, veremos nossos melhores jogadores a olho nu. E que deixaremos de ser a “Série C” do futebol mundial.

O caso de Neymar é emblemático. O retorno ao Brasil de jogadores que já viveram seus melhores dias na Europa não é novidade. Seus nomes e padrões salariais justificam as engenharias financeiras feitas para pagá-los de forma minimamente competitiva. Esticar a carreira, atuar em alto nível (mesmo que num cenário não tão atraente) e viver no próprio país é o pacote que termina por convencê-los a entrar no avião.

A volta de quem imaginou que passaria muito tempo no primeiro mundo futebolístico, e percebeu que se enganou, também não é surpreendente. Normalmente, acontece com jogadores que se mudaram para centros menos prestigiosos da “zona do euro” pensando primeiro na conta bancária, e depois numa ponte para os campeonatos mais importantes. A ponte não aparece no horizonte, a viagem deixa de ser tão divertida, e não faltam ofertas para reencontrar o caminho onde ele começou, ou seja, “aqui embaixo”. Que ninguém ache que é uma crítica, é apenas um fato.

Mas Neymar não se encaixa nesses parâmetros. O sucesso estava programado, a Europa é seu futuro desde que ele tirou as fraldas. A jóia santista tem a pouca idade e o imenso potencial que, nas últimas décadas, já provocaram a abertura da caixa registradora dos maiores clubes do mundo. E os 30 e tantos milhões de euros atualmente oferecidos pelo Chelsea são uma soma inédita, a “proposta dos sonhos”, confessáveis ou proibidos, de qualquer dirigente brasileiro. Em tese, a conversa é desnecessária. Neymar se foi no momento em que o fax (ainda se usa?) chegou.

Só que ele ainda não foi. Talvez não vá, agora. E cada dia em que o menino usa um celular (ou mais de um) com prefixo 013 é um bom dia para o nosso futebol. O Santos pensa, faz contas, apresenta seus planos e mostra ao garoto que ficar pode ser uma boa. Se não der certo, saberá que tentou (e que a tentativa servirá como experiência para as reuniões sobre a permanência de PHG, inevitáveis), que se esforçou.

Pensando bem, só o fato de haver dúvida já tem significado. Outros se mandaram num piscar de olhos. Ainda estamos distantes do dia em que disputaremos uma Copa do Mundo com apenas 3 “estrangeiros” num grupo de 23 jogadores, como fez a Espanha. Mas há quem acredite.

Estes, nesta sexta-feira, torcem pelo Santos.

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Viva!!

Como sabemos, Neymar e o Santos anunciaram no fim da tarde de ontem a assinatura de um novo contrato, de 5 anos.

O Santos lhe mostrou as condições, Neymar decidiu ficar.

Quando pudermos dizer que temos o melhor campeonato de futebol do mundo, com os melhores jogadores do planeta diante de nossos olhos, que se lembre do dia em que um garoto de 18 anos disse não a uma proposta milionária da Europa.

Esse dia foi ontem.



  • Flavio Torres

    Oi André,
    Penso que o país não está preparado nem para Neymar e muito menos para a Copa do Mundo.

    Abraços

  • Acho ótimo que o Santos tenha mantido o Neymar, e ótimo que isso esteja sendo reconhecido por todos.

    Apenas acho uma pena que isso esteja sendo tratado como “a primeira vez” em que algo do gênero acontece. Em 2008, o Inter pagou ao Nilmar 5 milhões de euros para cobrir uma proposta do Palermo, mantendo-o no time por mais uma temporada e adquirindo 100% dos seus direitos. A medida foi criticada por bastante gente – aqui no Sul e no centro do país -, com a alegação de que talvez não se justificasse. Em um ano, o Nilmar foi convocado pela seleção, ajudou o Inter a ganhar a Sul-Americana e foi vendido por 15 milhões de euros, todos do Inter.

    Claro, as situações são diferentes – o Neymar é muito mais novo e ainda não foi para a Europa -, mas já haviam dito anteriormente “não” ao futebol europeu.

    Abraços

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