COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VICES DA AMÉRICA

A volta de Luis Felipe Scolari ao Palmeiras é o ponto inicial de um raciocínio que impressiona. A identificação de Felipão com os palmeirenses (o que lhe dá merecida “autoridade” para dizer, como dias atrás: “se não ganhamos com A ou B, vamos tentar com C ou D. E se não ganharmos, pior não vai ficar.”) remonta ao ano de 1999, quando ele conduziu o time à inédita conquista da Copa Libertadores. O troféu mais importante da prataria do Palestra Itália representa, também, a última vez que um clube brasileiro derrotou um adversário estrangeiro na decisão continental.

Depois, foram apenas dois títulos (São Paulo em 2005, Internacional no ano seguinte), em finais 100% nacionais. E mais seis decisões com um brasileiro presente, com seis derrotas. Pior: seis derrotas com o último jogo em casa. Boca Juniors (contra Palmeiras, Santos e Grêmio), Olimpia (São Caetano), LDU (Fluminense) e Estudiantes de La Plata (Cruzeiro) tiveram o prazer de comemorar a conquista da América num estádio brasileiro.

A missão de interromper a sequência está nos pés do Internacional, e mais perto de ser completada depois da virada contra o Chivas Guadalajara, na última quarta-feira. Vitória que, diga-se, merecia ter sido mais larga do que 2 x 1, tal o controle exercido pelo Colorado no carpete mexicano.

O último clube brasileiro (em decisões “mistas”) a vencer o primeiro jogo da final, como visitante, foi o São Caetano, em 2002. Aílton fez o gol da vitória por 1 x 0 sobre o Olimpia, no Defensores del Chaco, criando um ambiente bem mais do que favorável para a finalíssima no Pacaembu. Como se sabe, na volta, o mesmo Aílton abriu o placar, mas os paraguaios viraram e ganharam nos pênaltis.

Nada indica que o Inter repetirá tamanha frustração, dada a forma como se comportou em seu estádio: vitórias em todos os 6 jogos, com 11 gols marcados e só 1 sofrido. A fase sobrenatural de Giuliano (um dia contaremos a história de como ele “escapou” de um grande clube paulista), autor de gols decisivos em 3 dos últimos 4 jogos, é mais um prenúncio de uma noite feliz no Beira-Rio. O caminho para ela passa pela lembrança de que os bons times mexicanos não costumam se apequenar quando estão longe de casa. Este Chivas, por exemplo, perdeu (para Vélez Sarsfield e Libertad) quando podia perder, e ganhou (da Universidad de Chile) quando tinha de ganhar.

Se a próxima quarta-feira terminar com o bi do Internacional, significará mais do que o décimo-quarto título brasileiro na Libertadores  (ainda longe dos argentinos, que têm 22). Impedirá uma festa em espanhol sobre um de nossos gramados pelo quarto ano seguido, e marcará o fim de um tabu que já tem 10 anos.

O título do Palmeiras de Felipão em 1999 foi o terceiro seguido de um clube brasileiro. O último de uma década dominada por nossos clubes, vencedores de 6 edições da Libertadores.

De lá para cá, temos nos especializado no vice-campeonato.



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