CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

EM BUSCA DO QUE É NOSSO

Lembra das vitórias do Brasil de Dunga sobre a Argentina? Claro que sim. Os 3 x 0 num dos primeiros amistosos em Londres, os outros 3 x 0 na final da Copa América da Venezuela, os 3 x 1 no último jogo das Eliminatórias, fora de casa… esses foram os jogos usados como argumento por quem (estou nessa) acreditava que a Seleção Brasileira poderia vencer a Copa do Mundo.

Argumentos poderosos, provas provadas de capacidade em épocas e situações diferentes. Um amistoso em início de trabalho, a primeira decisão de campeonato, o jogo que valia a vaga no Mundial. É possível discutir com esses resultados? Não. Mas é possível perguntar: qual dessas partidas, pensando especificamente na forma como o time jogou, te encantou? Deixa que eu mesmo respondo. Os dois encontros que valiam algo me empolgaram.

Um deles, o de 2007, foi mais surprendente do que qualquer outra coisa, porque a campanha do Brasil na Copa América não sugeria uma vitória com tanta autoridade. Mas a maneira como o time dominou o rival histórico, dentro daquela panela de pressão em Rosário, foi inspiradora. Mesmo que, mais tarde, tenhamos percebido, em diversas ocasiões, que a Argentina de Maradona não era exatamente um timaço. O problema é que quanto mais penso naqueles jogos, mais me lembro do placar final. E não de como se chegou a ele.

Isso é para dizer que, não, eu não acho que seja correto apagar tudo que a Seleção Brasileira fez nos últimos quatro anos. Não, não vou entrar no oba-oba de quem não fez uma crítica sequer ao time de Dunga e agora tem a cara de pau de falar em “futebol arte”. E não, não vejo como um amistoso contra os Estados Unidos, sozinho,  possa significar o resgate do que somos como nação futebolística.

Mas (sim, sempre tem um “mas”, e esse é muito importante) é cegueira voluntária imaginar que não vimos o que vimos na estreia de Mano Menezes e da nova Seleção. Talvez estivéssemos tão acostumados ao contra-ataque, que um time que troca 600 passes num jogo tenha nos aberto os olhos. Talvez estivéssemos tão condicionados a esperar força e velocidade, que tenhamos nos surpreendido com talento e criatividade. Talvez a presença de PHG, o Sócrates canhoto, tenha nos feito viajar a uma época da qual temos saudade.

Tudo pode ficar no talvez, porque a ditadura do resultado é capaz de amaldiçoar as melhores intenções. Mas, um dia, um técnico e um grupo de jogadores brasileiros terão coragem (e respaldo) para disputar competições apresentando o “nosso futebol”, não o que o resto do mundo definiu como “futebol moderno”.

Que MM, a exemplo de Dunga, consiga criar um ambiente de clube na Seleção. Que, como seu antecessor, dê ao time um padrão. Se o ponto de partida foi o que vimos na estreia, não nos importaremos em perder.

Mesmo porque dificilmente perderemos.

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Passei a noite dentro de um avião, por isso não vi a rodada da Copa Sul-Americana.

Mas evidentemente a temporada do Grêmio entrou em nível crítico após a eliminação para o Goiás. Se há um consolo, é o fato de restar “apenas” o BR-10, e a obrigação de deixar a zona do espanto para trás.

Evidente, também, que não estava nos planos do Santos perder em casa para o Avaí, e ainda levando 3 gols. Mas para um time que fez o que o Santos já fez em 2010, a CSA não é um torneio dos mais empolgantes.

Muito mais preocupante do que a (provável) desclassificação é o traumatismo craniano sofrido pelo goleiro Rafael. Que ele se recupere rápido.

Numa nota pessoal, começa hoje o período de descanso a que tenho direito, por conta da Copa do Mundo. Até a próxima quarta-feira, sombra e água fresca.

Mas passarei por aqui, de leve.

Abraços.



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