CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

David escreve: Estive assistindo nessa noite (terça-feira passada, pelas semifinais da Copa Libertadores) o jogo da semi da L.A. entre Chivas e “La U” (Universidad de Chile) e me deparei com o excelente toque de bola do time mexicano (apesar da falta de poder de decisão como sempre, diga-se). Time de muito boa técnica e que entra ano e sai ano, esta sempre sabidamente recheado de jogadores de sua seleção nacional. E ai vem a minha pergunta. Vivemos comparando a situação do futebol brasileiro com o europeu e chegamos à infeliz conclusão de que provavelmente nossa geração não verá essa tão sonhada modernização da estrutura do esporte no Brasil a ponto de mantermos nossos craques dentro do país. Mas seria assim tão utópico desejar que fôssemos ao menos e imediatamente melhores que o Mexico nessa questão? O Mexico é também um pais de terceiro mundo. Tudo bem que seus jogadores não estão entre os mais cobiçados do planeta, como são os brasileiros, mas que ao menos mantivéssemos no Brasil um “segundo escalão” de nossa safra (deixando escapar somente os top mesmo), pagando salário maiores do que os mexicanos. Salários que, imagino eu, competem já com equipes médias da Europa. Eu vejo essa comparação como obrigação, mas não ouço tanto se falar sobre isso e gostaria de entender como um país como o México esta à nossa frente nesse quesito.

Resposta: Há uma grande diferença entre os clubes de futebol no Brasil e no México: os clubes mexicanos são ricos. O modelo de administração do futebol lá é diferente do nosso. Os campeonatos são ligas, os clubes são geridos como empresas, num sistema influenciado pelas ligas esportivas dos Estados Unidos. Por exemplo, os clubes podem negociar seus contratos de televisão por conta própria e “fatiam” seus uniformes em até 12 patrocínios diferentes. A primeira divisão do México é um dos torneios de futebol mais lucrativos do mundo. Em termos organizacionais, não estamos atrás deles. Estamos muito atrás. E isso se reflete, obviamente, na capacidade de pagar salários muito acima da média, até em comparação com a Europa. Falando especificamente do jogo, o futebol mexicano sempre teve um estilo de posse e toque de bola, que fica evidente quando vemos seus melhores times em ação. Mas não se compara, em revelação de jogadores talentosos, com o futebol brasileiro ou argentino. Na seleção que disputou a Copa de 2010, apenas 10 jogadores atuam fora do México. Em suma, se eles tivessem o nosso talento, seriam uma potência.

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Jorge Luís escreve: André, se você fosse técnico do Santos, teria uma conversa séria com o Neymar? Não te pergunto isso só por causa do pênalti lamentável que ele perdeu (contra o Vitória, no primeiro jogo da final da Copa do Brasil)

Resposta: Se eu fosse técnico do Santos, eu (ou qualquer outra pessoa) precisaria ter muita habilidade para administrar um ambiente em que jovens jogadores, com um futuro potencialmente brilhante, estão surgindo. As coisas acontecem muito rápido, os elogios muitas vezes sobem à cabeça, muitas situações extra-campo podem fugir ao controle. Tenho certeza absoluta de que não é uma missão fácil, e creio que o Dorival Júnior está fazendo bem o papel dele. O Neymar é muito jovem, muito talentoso, muito promissor. O caminho está cheio de armadilhas, algumas impossíveis de evitar. É assim que se aprende. Para responder sua pergunta de forma direta: sim, eu teria não apenas uma, mas várias conversas com ele. Mas nunca no sentido de “cortar-lhe as asas”, sempre tentando mostrar a direção certa.

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Renato escreve: Por que você não fez nenhum comentário sobre a marmelada da Ferrari na corrida de domingo passado?

Resposta: Não sei ao certo. Acho que não me surpreendi, e já não tenho, faz tempo, o hábito de ver as corridas. Obviamente, foi um episódio patético. Alguém falou em acabar com o segundo carro, o que seria interessante. Mas aí os contratos de fornecimento de equipamento entre as equipes, por exemplo, seriam usados para manipular os resultados. Acho que o melhor a fazer é parar de tentar vender um espetáculo esportivo, assumir de vez o “produto” de TV e marketing. Seria mais honesto.

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Jeferson escreve: André, seu livro com o PVC (“Os 100 Melhores Jogadores Brasileiros de Todos os Tempos”, Ediouro/ESPN) já foi lançado? Não li nada sobre noite de autógrafos mas um amigo meu me disse que faz a compra pela internet. Já está à venda nas livrarias?

Resposta: Obrigado pela oportunidade do “merchan”. A resposta, sobre o lançamento, é sim e não. Sim, porque o livro já está em pré-venda em sites de livrarias, e já pode ser encontrado em alguns pontos de venda. Mas ainda não fizemos o lançamento “oficial”. A noite de autógrafos acontecerá no fim de agosto, em São Paulo. Data e local estão praticamente definidos. Avisarei quando estiver tudo certo.

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Muito obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Eles não estão nos caçando! Estamos no meio de uma guerra. Precisamos escolher um lado.”

Alexa Woods, em “Alien vs. Predador” (um dos piores filmes já feitos)



  • Pedro Valadares

    Muito interessante a comparação entre o sistema mexicano e o brasileiro. Aproveitando o gancho: André, qual seria o seu modelo ideal de administração do futebol no Brasil?

    Abraços!

  • Anna

    André, fiquei muito desestimulada em assistir à fórmula 1, mas como gosto de corridas, vi o treino de hoje. Como eu sempre torci pelo Fernando Alonso, fiquei muito decepcionada, porque nesse episódio ele foi muito cínico. Felipe Massa agiu como ninguém imaginava. Foi simplesmente ridículo o que aconteceu. A Ferrari não precisva disso, muito menos Fernando que se portou como uma criança mimada. Aliás, é o terceiro episódio nefasto em que ele está no meio, envolvido de certa maneira. A quebra de sigilo do carro da Ferrari quando ele estava na McLaren, o “Cingapuragate” envolvendo Nelsinho Piquet e esse agora. Tenho que concordar com o Juca Kfouri. A fórmula 1, infelizmente, virou negócio, deixou de ser esporte. É uma pena. Para moralizar o esporte, deveriam punir a Ferrari e os pilotos, mas tendo Jean Todt como presidente da FIA, ex-capo da Ferrari, creio que isso não vai acontecer. Algo precisa ser feito pois isto manchou de vez a reputação da categoria. Concordo que Alien vc Predador é um dos piores filmes já feitos, mas a frase é boa. 😉 Abraço, Anna

  • BASILIO77

    Legal a pergunta do David.
    Esses dias ouvi uma comparação entre os maiores clubes do Brasil e as empresas do pais. Fazia-se uma ligação entre o faturamento de um determinado clube e uma empresa que tivesse o mesmo faturamento anual, tomando por base um ranking de uma revista de economia.
    Associar os nomes de Corinthians, SPFC e Flamengo que são os melhores colocados à empresas praticamente desconhecidas é muito interessante e esclarecedor para verificarmos o quanto há de espaço para um crescimento.
    Se não me engano, o maior faturamento de um clube nosso ficaria na sexagésima colocação entre as empresas.
    Abraço.

  • Roberto Carlos

    André
    Referente ao Neymar e demais garotos bons de bola de hoje em dia, eles praticamente não tem vinculo com o clube (são de empresários) podem ir embora a qualquer momento, compensa para os clubes ficarem pensando na formação ou seja futuro dos mesmos se daqui alguns meses estarão jogando lá fora?
    Abraços

  • Emerson

    André, me perdoe fugir dos temas abordados nesta “Caixa Postal”, mas acabo de ler no blog do Calçade, uma informação divulgada pelo jornal italiano La Repubblica, segundo a qual jogadores e outros membros da seleção norte-coreana, que disputou a última Copa, foram torturados e ou condenados a trabalhos forçados, como formas de punição imposta pelo governo ditatorial daquele país aos resultados ruins da equipe na África do Sul. Confesso que não me surpreendi com a notícia, afinal a Coréia do Norte vive sob um regime obscurantista abominável, mas acho que a entidade máxima futebol mundial deveria se pronunciar a respeito. Gostaria de saber se na sua opinião a FIFA tomará alguma medida cabível, como excluir aquela seleção de partidas oficiais ou Blater e sua corja irão outra vez fingir que situações como esta fogem à suas alçadas?

  • Seguindo o assunto futebol brasileiro e mexicano, se nossos cartolas do futebol, continuarem com essa filosofia totalmente ultrapassada, vamos chegar ‘muito bem’ à Copa 2014.

  • Willian Ifanger

    A Fórmula 1, infelizmente, virou um grande negócio. Sua alma ficou perdida (ou esquecida) há muito tempo. Mas de todos os especialistas que eu li sobre o caso, o mais ponderado foi o Flavio Gomes.

    E como que você conseguiu achar tempo pra perder assistindo esse filme? Quer fazer uma desintoxicação……pega suas meninas e vá assistir Toy Story 3…..leve uns lencinhos de papel também.

    AK: Eu cometi o erro, num fim de noite desses, de começar a ver para tentar descobrir o tamanho da barbaridade. E fui até o fim. Sobre Toy Story 3, é quase impossível um filme triste me pegar. Também gostei da leitura do FG sobre a marmelada da F-1. Um abraço.

  • Matheus

    É porque você ainda não viu ‘Predadores’, que está em cartaz…

    Abraço.

    AK: Fica tranquilo. Tô fora desse aí. Um abraço.

  • Willian Ifanger

    Outra noite fiz algo parecido com um tal de “Deu a Louca em Hollywood”…..juro que ainda me devo esse tempo perdido.

    Mas Toy Story 3 não é triste não. Muito pelo contrário. Só o finalzinho que é mais sentimental (mas fantástico).

    Outro filme muito bom, indicação de meu amigo Marcel, é O Segredo de Seus Olhos, filme argentino que ganhou o Oscar desse ano.

    Ahhhhhh…..você comentou que estará fazendo o lançamento oficial do seu livro com o PVC final de Agosto. Alguma chance de vir novamente pra Campinas?

    AK: Estamos acertando os detalhes para o evento em SP. Vamos conversar sobre outras cidades, sim. Um abraço.

  • alex

    é que você não assistiu “Encaixotando Helena” ….. é a maior tosquera já existente!!! Alien vs. Predador é quase “shakesperiano” perto disso, rsrs.
    abraço,

  • Marco Aurelio

    André, Comparar futebol Mexicano com Brasileiro é ridículo.Mesmo que pensem como empresa, o campeonato é horroroso, sem emoção, mal divulgado, com horarios impraticaveis (ex: 12:00 domingo num calor (imsuportavel),dois campeonatos por ano, ou seja dois campeões anuais, sem a minima graça.Tudo isso amparado pelas empresas citadas por vc. Adoram vender camisetas (cheias de papagaiadas de propagandas) e badulaques diversos de seus clubes, mas o futebol mesmo é horroroso. VIVO no méxico e te falo de boca cheia: O povo mexicano não gosta de futebol, só uma 1/2 duzia que vai pro estadio encher a cara e torcer sentadinho. Quando sai um craque do mexico vendido pra Europa é uma festa….sendo que do Brasil sai aos Montes. Valeu, gosto dos seus comentarios, mas esse não foi feliz… Abraços

    AK: Desculpe, mas a sua compreensão é que não foi feliz. Não estou comparando o futebol mexicano com o brasileiro. Estou falando de organização, de administração e saúde dos clubes. Um abraço.

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