CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

A GARANTIA É O TIME

Ainda não estão no papel os termos do contrato de Mano Menezes com a CBF. Uma reunião para tratar desse assunto deve acontecer hoje, agora que os problemas “mais urgentes” da Confederação foram resolvidos. Lembre-se: Mano foi convidado no começo da noite de sexta-feira passada, por telefone. Treinou o Corinthians no sábado, dirigiu o time pela última vez no domingo, apresentou-se e convocou a Seleção Brasileira na segunda-feira.

A conversa telefônica serviu para que o técnico ouvisse as linhas gerais da proposta e recebesse a confiança, verbal, de seu novo patrão. Foi o suficiente para que MM colocasse o cinto de segurança e acelerasse para aceitar o convite mais importante de sua carreira, decisão muito mais fácil do que a que ele tomou quando percebeu, aos 26 anos, que não tinha futuro como jogador de futebol. O salário não era essas coisas, mas, como ponderou sua mulher, dava para pagar as contas da família. A resposta foi um “fique tranquila”, fruto da certeza de que a vida de técnico seria melhor. Os altos riscos, à época, não o amedrontaram. Por que a chance de dirigir a Seleção faria isso, agora?

Mano foi convidado para ser o técnico do Brasil até a Copa de 2014, mas não tem a garantia de que será. Não a tinha na sexta-feira passada, não a tem hoje, não a terá em nenhum momento anterior à apresentação do hino nacional, no jogo de abertura do Mundial, num estádio ainda desconhecido. Não é por outro motivo que ele costuma fazer contratos de 1 ano. Se os resultados não acontecem, o papel não vale. Se acontecem, o papel acompanha. Ser técnico no futebol brasileiro é dormir e acordar com essa verdade.

Portanto, independentemente das letras, datas e assinaturas que constarem do compromisso entre MM e a CBF, a única garantia que ele terá é o que o time dele fizer. E se Mano receber o mesmo tratamento dispensado a seu antecessor, apesar de todos os percalços, sombras e nomes que estarão no caminho, não é um exagero imaginá-lo ouvindo o hino em 2014. Duas perguntas oportunas: durante a Copa América de 2007, você acreditava que Dunga seria o técnico na Copa de 2010? E no dia em que o Brasil foi desclassificado pela Argentina na Olimpíada de Pequim?

A ausência da Seleção nas Eliminatórias ajuda o novo técnico. As datas podem ser usadas para amistosos que contribuam para a formação de um time, e o mundo não acabará a cada derrota para o Paraguai ou empate com a Bolívia. Sim, a Copa América de 2011 (na Argentina) é uma pegadinha. Seria interessante chegar à final. E a Olimpíada de 2012 também é perigosa, apesar de ser um título que nenhum técnico brasileiro tem.

Já pensou no que acontecerá com o primeiro? Aposto que MM já.



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