COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

NO VÁCUO

Quem tentou falar com Mano Menezes entre terça e quarta-feira (e não foi pouca gente), deparou-se com a caixa postal de seu celular. Direto, sem toques, como se o telefone estivesse desligado. E estava mesmo. Quem falou com pessoas próximas ao técnico, ouviu que MM tinha esquecido o celular em São Paulo, enquanto o Corinthians estava em Goiânia.

“Então, tá. O cara está prestes a assumir a Seleção Brasileira, e esqueceu o celular em casa? Não é possível”. Foi o que pensei, e tenho certeza de que não fui o único. Mas era verdade, assim como era verdade tudo o que saiu da boca de Mano sobre a Seleção nos últimos dias.

Quando um técnico diz “não falei com ninguém da CBF”, deixa aberta a possibilidade da conversa existir por intermédio de representantes. Dele ou dela. Mas “não tenho convite da CBF”, como MM declarou, é uma afirmação taxativa, sem rotas de escape, ainda mais para quem já tinha dito “posso omitir, mas não minto”.

Mano não omitiu, nem mentiu. E os que acreditaram nele (ainda que desconfiar seja item de série para quem trabalha no jornalismo, por causa de quem mente sem constrangimentos) resistiram à tentação de cravá-lo como sucessor de Dunga, por mais indicativos que tenham sido os depoimentos dos bem informados sobre um subproduto da ida de Mano para a Seleção. O Corinthians se preparou para o caso de perder seu técnico. Acertou tudo, na palavra, com Adílson Batista. No meio das conversas, chegou-se à mesma conclusão: Mano está saindo. Dedução lógica, mas perigosa. Sopa para o azar.

Pois quem estava saindo, pelo menos na cabeça do autor do convite, era Muricy Ramalho. O café da manhã do técnico do Fluminense com Ricardo Teixeira, ontem, no Itanhangá Golf Club, era um segredo compartilhado entre a CBF e a TV Globo. Como nos velhos tempos. Segredo que acabou exposto pelo acaso. Uma equipe de reportagem da ESPN Brasil estava no clube para cobrir o Campeonato Brasileiro de Golfe. Imagine a surpresa ao ver Muricy, Teixeira e o superconselheiro Rodrigo Paiva juntos no restaurante, tirando fotos com sócios. A informação (e depois, a imagem), levada ao ar durante o SportsCenter, frustrou o furo combinado e deve ter azedado o café de pelo menos um dos comensais. Acontece.

Ao sair, Muricy deu à repórter Patrícia Lopes uma frase que, para os apressados, parecia uma formalidade. “Ainda tenho que falar com o Fluminense”, disse o “novo técnico da Seleção Brasileira”. Esqueceram que MR não é um treinador que apenas diz que cumpre seus contratos, ele os cumpre. E que o compromisso verbal dele com o Fluminense vai até dezembro de 2012. Como Mano, Muricy falou a verdade.

A melhor declaração desse episódio foi publicada pelo portal Terra. “Eu tenho que dar exemplo para os meus filhos. O Fluminense foi me buscar em São Paulo e eu não posso deixá-lo na mão. Se o Flu não liberar, eu não vou”, disse Muricy.

E a melhor imagem é da ESPN Brasil. Muricy, com o braço estendido, tentando cumprimentar o presidente da CBF, ao fim da conversa. Duas vezes, em vão. Teixeira simplesmente não deu a mão ao técnico que quis contratar.



MaisRecentes

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo

Segunda vez



Continue Lendo