CAIXA-POSTAL



Aos temas da primeira CP pós-Copa, ainda com mensagens enviadas durante o Mundial da África do Sul:

Rodrigo escreve: André, não quero desmerecer o título da Espanha, mas você não acha um exagero chamar de futebol-arte o que eles fazem? Será que estamos tão carentes?

Resposta: Sim, estamos. Mas, primeiro, vamos “catalogar” as coisas. Para mim, futebol-arte é algo exemplificado pela Seleção Brasileira que jogou a Copa do Mundo de 1982. Não vou mais longe, até 1970, porque não vi e porque aquele foi o maior time de futebol de todos os tempos. Então, para que minha opinião fique clara (escrevi isso no jornal): não, o que a Espanha faz não é futebol-arte. E também não é um resgate dos melhores dias do futebol brasileiro. Isto dito, gosto, e muito, de ver a Espanha jogar. Eles têm técnica, talento, gosto pela posse da bola. Não é qualquer time que pode ser “arrogante” o suficiente para negar a bola ao adversário, na base da qualidade, não da pancadaria. E tem o mais importante: enquanto vemos um monte de gente falando em “futebol moderno”, os espanhóis falam em “nosso futebol”. A Copa do Mundo deveria ser um desfile de maneiras particulares de jogar futebol, e o que temos visto é um padrão global, e feio. A Espanha destoa nesse cenário.

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Robert escreve: Como foi trabalhar no dia a dia da Seleção Brasileira durante a Copa, com todas as censuras de Dunga?

Resposta: Diferente, mas eu não diria que foram censuras. As restrições ao trabalho dos jornalistas foram o resultado de um consenso entre jogadores e comissão técnica. Não foi uma ideia exclusiva do treinador. Escrevi isso várias vezes durante a Copa: em comparação com a Alemanha 2006, foi quase uma censura. Em comparação com o que se faz na grande maioria das seleções, ainda foi um banquete jornalístico. As coletivas da Seleção Brasileira duravam cerca de 40 minutos, e eram diárias. Não acho que esse seja o sistema ideal, mas é preciso se adaptar ao que está disponível.

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Rogério escreve: André, você precisa voltar a comentar a NBA no seu blog. O que achou da ida do LeBron James para o Miami Heat?

Resposta: Assumo a culpa, preciso mesmo. Mas espero que você compreenda que o blog estava em “modo Copa” recentemente. Bom, eu acho várias coisas. Primeiro, que o Miami Heat se transformou em um timaço. Favorito óbvio, em tese. James, Wade e Bosh devem demorar um certo tempo para encontrar a melhor forma de jogar juntos, mas eles têm 5 anos para isso, é mais do que suficiente. Mas, evidentemente respeitando o direito de cada um de fazer o que considera melhor para sua carreira/família/vida, eu achei que o LBJ cometeu um erro monumental. Os jogadores que fizeram história na NBA levaram seus times ao topo da liga, criaram raízes com as camisas que vestiram. Sim, os tempos mudam, possibilidades se abrem. Mas o Miami Heat sempre será o time de Dwayne Wade. E não importa o número de títulos que LBJ ganhe em Miami, eles jamais terão a importância, para seu legado, de um título conquistado no time dele, o Cleveland Cavaliers. Considero James o melhor jogador da NBA, uma combinação de talento,  tamanho, força e velocidade que nós nunca vimos. Mas creio que ele errou. Fora isso, estou ansioso para ver o Heat jogar, e descobrir a resposta para uma pergunta: jogo importante, placar empatado, segundos finais, bola de Miami. Quem arremessa?

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Como sempre, obrigado pelas mensagens. Até a semana que vem.

(e-mails para a Caixa-Postal do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“Se você pensar em suas lembranças favoritas, os momentos mais importantes da sua vida… você estava sozinho? A vida é melhor com companhia.”

Ryan Bingham, em “Amor Sem Escalas”.



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