CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

AOS AMIGOS…

A antecipação do período de inscrição na CBF de jogadores que estavam fora do Brasil é mais um daqueles fantasminhas que aparecem de vez em quando por aqui.

Em si, não atrapalha a vida de ninguém. Ao contrário. Permite que jogadores contratados possam atuar, que clubes que investiram tenham seus reforços em campo mais cedo. A contrapartida são os 12 dias em que ninguém poderá chegar da Europa, só poderá sair (a janela fecha aqui em 19/8, mas fica aberta lá até 31/8). Se fosse um fato conhecido por todos antes do início da temporada, os clubes poderiam se preparar, apressar transações. E não estaríamos aqui tratando disso. Se fosse.

Durante a temporada, às vésperas de confrontos entre dois clubes brasileiros na Copa Libertadores, é coisa de um futebol moleque, no pior sentido. É como o garoto que muda as regras da pelada na quadra do prédio porque é mais velho, ou porque (essa comparação é melhor) é o dono da bola. Como substituir a prorrogação pela disputa de pênaltis, porque um dos times tem um goleiro “pegador”.

Não interessa (e gostaria de escrever isso com letras luminosas, para evitar a histeria dos “defensores de distintivos”) quem são os beneficiados e prejudicados do momento. Porque é isso que são, do momento. O que menos importa é quem está dando risada e quem está se sentindo sem calças, agora. Amanhã, serão outros.

As explicações oficiais para a antecipação repentina da abertura da janela só convencem quem não presta atenção. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, quer que você acredite que a medida trará jovens brasileiros de volta ao país, o que ajudaria no processo de renovação da Seleção Brasileira. Como se não fosse possível ver Alexandre Pato jogar na Itália.

Francisco Novelletto, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, incentivadora da novidade, falou em jogadores que estavam “impedidos de trabalhar”. Como se 2 semanas os transformassem em exilados despidos de qualquer direito.

Conversas moles. Santos, Fluminense e Atlético Mineiro são exemplos de clubes que aproveitaram a oportunidade, provas de que o benefício não é exclusivo. Mas a Federação Gaúcha só procurou a CBF por causa dos interesses do Internacional, que quer ver Renan, Tinga e Rafael Sóbis em campo o quanto antes. Porque no dia 28 tem semifinal da Libertadores, contra o São Paulo. E a CBF só se esforçou junto à Fifa porque o São Paulo, bem, você sabe.

O futebol brasileiro avançou consideravelmente nos últimos anos. Nosso principal campeonato tem um formato fixo, a mesa não vira mais, o tapete está controlado. Mas a calada da noite ainda é um período fértil para quem está, momentaneamente, alinhado com o poder.

O maior problema, claro, é o poder.



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