COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

APITO 2.0

Aviso que o assunto é chato. Não, não é o Morumbi e a Copa de 2014. Também não, não é o STJD. E finalmente não, não é o “caso Bruno” (que é aterrorizante, e do qual manteremos longa distância).

Estamos aqui para falar de arbitragem, outra vez. E se não é (ainda?) para falar de apito eletrônico, que seja para tratar de uma arbitragem mais inteligente, menos revoltante.

Os sinais de uma revolução inevitável foram detectados na África do Sul. A bola que bateu no travessão, quicou dentro do gol por espetaculares 33 centímetros e não mexeu no placar. O impedimento evidente, indiscutível, fácil, ignorado pelo árbitro assistente, cujo replay foi exibido no telão do estádio só para aumentar a indignação causada por um gol ilegal.

Depois dos sinais, vieram as palavras de quem tem a obrigação, mas parecia não ter nenhuma intenção, de tomar providências. “É óbvio que após as experiências até agora na Copa do Mundo, seria um absurdo não reabrir o arquivo sobre a tecnologia na linha de gol”, disse Joseph Blatter, presidente da Fifa. “Os times e os jogadores estão muito fortes e velozes. O jogo é diferente, os árbitros são mais velhos do que os jogadores. Precisamos ajudar os árbitros, precisamos fazer alguma coisa, e é por isso que eu digo que essa será a última Copa com o sistema atual de arbitragem”, declarou o secretário-geral da entidade, Jerôme Valcke.

A afirmação de Valcke soa como um anúncio. Ou melhor, um prenúncio. Se alguém na posição dele diz com todas as letras que a arbitragem de futebol, como a conhecemos, viu seu último Mundial, a questão não é mais quando, e sim como.

O avanço mais provável já é conhecido, já foi testado e aprovado: árbitros assistentes atrás dos gols. A última edição da Liga Europa teve o benefício de mais dois pares de olhos para ajudar o trio de arbitragem em lances dentro das áreas, como se vê no Campeonato Estadual do Rio de Janeiro desde 2008. A Uefa ampliará a ideia nas duas principais competições que organiza. No fim do mês, os jogos da fase preliminar da Liga dos Campeões 2010-2011 terão o reforço atrás das metas. E em setembro, as eliminatórias para a Euro 2012 começarão, com dez olhos em campo. A fase final do torneio, a ser realizada na Polônia e na Ucrânia, também usará a medida. Se o futebol europeu se render, não haverá caminho de volta.

Mas releia ao que disse Blatter durante a Copa da África do Sul, e perceba que o uso dos termos “tecnologia na linha de gol” sugere algo maior do que apenas mais árbitros. Hoje, existem dois sistemas absolutamente prontos para confirmar se um gol aconteceu. Um deles usa um microchip dentro da bola e campos magnéticos sobre a linha, o outro trabalha com seis câmeras de televisão posicionadas em torno das traves. Ambos foram rejeitados pelo International Board em março. No Mundial, qualquer um deles teria validado o gol do inglês Frank Lampard contra a Alemanha, e impedido que o mundo percebesse que, em 44 anos, a arbitragem de futebol não avançou um centímetro.

O Board se reunirá em outubro. Que a vergonha sirva de estímulo.



  • Roberto Carlos

    Andre
    Desculpe fugir do assunto postado, é que sou ligado nos bastidores da midia exceto fococas, tenho uma curiosidade, quando um jornalista vai a uma Copa trabalhando para varios meios diferentes (TV, jornal, sites, etc) como é decidido o rateio das despesas? No caso do Brasil sair antes como aconteceu este ano como fica a decisão de voltar ou não antes da final, vai que um dos patrões acha que é melhor voltar logo para reduzir custos e os outros acham deve ficar até a final, como fica a situação do profissional?
    Abraços

    AK: “Rateio” de despesas é raro. Normalmente, uma das empresas se responsabiliza pelos custos. É ela quem decide quando é hora de voltar. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    André,sinceramente gosto de debater com outros pontos de vista sobre o assunto,que acho extremamente polêmico e dá margem pra um monte de opiniões bem fundamentadas.

    O campeonato carioca usa árbitros atrás dos gols desde 2008.Mas isso nunca impediu que erros terríveis acontecessem,como na última semifinal da Taça Rio,onde Willians deu uma cortada de vôlei dentro da área e o árbitro assistente,que estava de frente pro lance,nada fez.Se o árbitro principal não marcar a infração,o que está atrás do gol tem autoridade para parar a jogada e assinalar a infração?Pr razões óbvias,acompanho o Cariocão com interesse,mas juro que até hoje não entendi qual a função do homem de preto que fica atrás do gol.Nunca,repito,NUNCA vi uma jogada que tenha tido a interferência deste cidadão.Afinal,qual a função deste homem?

    Certa feita,vc escreveu sobre o “Olho do Falcão”,artifício que já é usado nos jogos de tênis para decidir se uma bola foi fora ou dentro.Não existe a possibilidade de ele ser usado?Não daria menor margem de erro?Quando Mr.Jerome Valcke disse que essa foi a última Copa com arbitragem nos moldes atuais,ele não dá margem para que pensemeos que a evolução envolverá mais que homens,mas máquinas?

    A idéia do microchip é muito boa,mas todas as bolas que fazem parte do jogo terão que ter o bendito,e o custo será muito,muito maior.Não creio que vingue.

    Tenho certeza que esse assunto vai dar muito pano pra manga.Grande abraço.

  • Dioniso

    O futebol é manipulado do lado de fora do campo. E com muitas câmeras e chips o esporte fica muito honesto para o gosto dos cartolas. Por isso não vai dar em nada.
    Um abraço.

  • Dioniso

    André, MAIS GELO, por favor…

  • Fabiano

    Acho que existem duas questões diferentes aí.

    Uma delas são os erros grosseiros de arbitragem, como a bola bem dentro do gol que o juiz não dá, ou até alguns impedimentos clamorosos. (Se bem que impedimento é uma regra muito complicada de se apitar, porque o bandeira tem que olhar ao mesmo tempo para duas coisas que estão em lugares diferentes). Com essas coisas, às vezes um árbitro a mais ou um chip na bola são capazes de resolver a maioria dos problemas, e nos outros casos a FIFA pode usar o VT para justificar a punição a um mau árbitro. Mas é uma questão administrativa.

    Outra coisa é o video tape, que é claramente injusto com os árbitros. Como disse uma vez o Sílvio Luiz, os comentaristas estão “de banho tomado” na cabine, olham o replay de todos os ângulos, volta a fita, tira-teima, faixa eletrônica no impedimento e o escambau. Até os “comentaristas de juiz” só opinam depois de verem o replay, fica muito fácil. O árbitro não tem nada disso à disposição, nem é bom que tenha. O time da Espanha já está comemorando o gol e o juiz manda voltar a bola em escanteio pra Holanda? Ou proíbe o time da Espanha de atacar enquanto a TV não libera o replay, e se ele tiver acertado é bola ao chão? Dá certo com futebol americano, em que o cronômetro para e cada jogada é planejada. No futebol, não funciona bem.

  • Anna

    Espero que a arbitragem eletronica seja implementada imediatamente nessa reunião. Essa historia de muitos arbitros atrás do gol, no campeonato do Rio comprovou que os erros podem continuar acontecendo. A Fifa tem que se modernizar. O futebol é o unico esporte que nao se permite isso, como assim o fizeram tenis e volei.

  • Thiago

    André,é fora do tópico mas gostaria de saber a sua opinião sobre a escolha do Lebron, desde anunciar isso em horario nobre até a escolha do miami em sí?

    AK: Quanto à escolha em si, cada um o direito de decidir o que é melhor para sua carreira/vida/família. Quanto à forma como a escolha foi divulgada, achei um exagero. Um abraço.

  • Edouard Dardenne

    Como já disse aqui em várias oportunidades, acho imperativo que sejam adotadas medidas para utilização de recursos eletrônicos no auxílio à arbitragem.
    O único ponto em que discordo de você, André, é que sua proposta é para que haja 3 árbitros em uma cabine, com contato direto com aquele que apita o jogo, dentro de campo. Acho que o melhor é franquear a esse juiz o acesso às imagens.
    Concordamos no resto, porém, e o recurso deve ser usado em situações específicas e não como medida para ‘controlar’ a qualidade da arbitragem (o uso do ‘overrule’).
    Acho que a possibilidade de que os técnicos e/ou capitães desafiem as decisões, como ocorre em outros esportes, pode ser importada para o futebol sem prejuízo da dinâmica do jogo. A cada desafio mau feito, um direito a substituição é perdido.
    É apenas caso de estabelecer procedimentos adequados para que o dinamismo do jogo não seja prejudicado, o que não pode ser, e não é, difícil.
    O esporte multimilionário do século XXI não pode permitir que resultados sejam definidos pela incapacidade do olho humano de perceber determinadas situações, ou pelo interesse escuso de alguns para produzir artificialmente certos resultados.
    O lado humano do esporte limita-se à capacidade atlética dos 22 jogadores em campo. O resultado em campo deve ser definido por eles, nunca pela má aplicação das leis de jogo.
    Um abraço.

  • José Rodrigues de Almeida

    Oi André, agora tô no post correto. Obrigado pelas respostas lá em cima. Mas usar o exemplo do tênis e do voley para dirimir dúvidas não vale. São esportes completamente diferentes. A cada conclusão de jogadas dá para analisar. No futebol a gente passa a discutir a tecnologia em jogos de Copa do Mundo com a parafernália do mundo da comunicação em cima. Dá pra ver gráficos, local do campo onde determinado jogador mais ocupou, etc. etc. Mas eu pergunto como é que se vai colocar essa tecnologia, que não sendo usada não bastou para dirimir nenhuma dúvida, em um jogo entre o OESTE de Itápolis contra o ITAPACARÉ de Lorena? E o emprego dos comentaristas de arbitragem, do ‘A REGRA É CLARA, ARNALDO?”, que só comentam depois de ver o lance várias vezes e ainda assim deixam no ar as dúvidas.
    Não meu caro André no futebol vamos continuar como está. Tecnologia é para o tênis, jokey, voley, futebol americano. O futebol sempre conviveu com erros de arbitragem apenas os recursos das TVs é que se modernizaram. E ainda fica a parte do naciolismo barato de alguns jornalistas pátrios. O gol de classificação da França foi um erro clamoroso da arbitragem, feito com a mão. E o gol do Luiz Fabiano, foi um “dos mais bonitos da Copa”. Assim não dá, né?
    Um abraço
    Zé Rodrigues
    Campinas-SP

    AK: Minha opinião sobre os gol do Henry e do LF é a mesma: dois gols que teriam sido anulados pela arbitragem eletrônica. O que não impede que o do LF tenha sido bonito.

    O futebol não é o mesmo esporte em todos os lugares. Estádio, bola, equipamento, jogadores, patrocinadores, investimento, importância, repercussão… É tudo diferente. Aqueles campeonatos que tiverem condições de aplicar o apito eletrônico deveriam fazê-lo. Não é porque aqui no interior de SP não tem, que na Copa do Mundo não deve ter. Um abraço.

  • José Rodrigues de Almeida

    E como é que se faria apito eletrônico para ver que a bola foi conduzida com o braço, se para se verificar o gol é preciso parafernália eletrônica na linha de gol e na bola?
    Quanto à aplicação, o futebol é o mesmo, mesmas regras em todo o mundo. Porque se particularizar a Copa do Mundo? Por ter esse alcance é que o futebol é democrático e com esse alcance. Ou vc. é dos jornalistas que acha que não deve haver futebol menor? Só o campeonato nacional e a Copa do Mundo? Converse com dirigentes “amadores” que são os verdadeiros incentivadores do futebol, porque é lá que nascem as estrelas e veja a opinião deles. Um abraço. ZR

    AK: Não tenho nada contra o futebol “menor”. Tenho tudo contra uma seleção ficar fora da Copa, ou perder uma Copa, por causa de um erro de arbitragem que hoje pode ser corrigido. As regras podem ser as mesmas, mas o futebol não é o mesmo em todos os lugares. Assim como o basquete, quase tão popular e globalizado, também não é. O apito eletrônico nada mais é do que o recurso de videotape para o árbitro. Um abraço.

  • José Rodrigues de Almeida

    Mas o ufanismo dos jornalistas brasileiros vê diferenças nesses dois gols. Um foi execrado e o outro cantado em prosa e verso, como que dois toques irregulares sucessivos não fossem suficientes já para interrromper a jogada antes de ser completada. Vc se lembra de ter escrito em Lembranças da Copa “O gol de Luiz Fabiano contra a Costa do Marfim. RECURSO, REFLEXO, TALENTO. Um gol que se desenvolveu lentamente, que desafiou e depois presenteou quem teve o privilégio de vê-lo”. Somos todos contraditórios e recurso de videotape para o árbitro, em que situações se interromperia a partida? Quando um “juiz” de fora o determinasse ou quando uma equipe se sentisse prejudicada? Ora, o futebol vai ficar a coisa mais chata do mundo. Até hoje choro a derrota de Ponte Preta para o Corintians em 1977, mas não se falaria tanto desse jogo se não tivesse havido a contradição. Não chore se uma seleção ficar fora da Copa ou perca uma Copa. Chore o que se faz com os clubes pequenos que continuariam sem a tecnologia. ZR

    AK: Acho que está claro que temos opiniões diferentes. Novamente: o gol do LF foi irregular, o que não o impede de ter sido um lance bonito, do qual as pessoas se lembrarão. Não há nada de contraditório nisso. No mais, vejo a tecnologia como algo necessário para os campeonatos de futebol que são mais representativos. Um abraço.

  • José Rodrigues de Almeida

    Ah…. então tá. O juiz cego (e não haveria tecnologia que pudesse detectar o toque de mãos – só colocando campos manéticos nos braços e mãos de todos os atletas e chip nas bolas – conforme a tua proposta) valida um gol, quando deveria ter interrompido a jogada no primeiro toque e aí não haveria lance bonito. Mas para vc vale os malabaristas da bola. Só que quando foi o Maradona – só porque é argentino – vcs mandaram bala. Tá, dá prá ver o que pensa a maioria dos jornalistas “pátrios”. E lembre-se, vc vive do futebol durante 4 anos e não apenas nas Copas. Claro que temos opiniões diferentes. Ainda bem.
    um abraço
    Z|R

    AK: Você está um pouco confuso. Deixe-me repetir: estou falando de recurso de vídeo. Mas vale lembrar que o gol do Maradona, o da mão do Henry e o do LF muito provavelmente seriam anulados por árbitros atrás das metas.

    A quem você se refere quando diz “vcs mandaram bala”? Não coloque palavras no meu teclado. Minha opinião sobre esses lances é clara (estou me repetindo, outra vez): são erros de arbitragem que podem ser evitados.

    Finalmente, uma correção: não vivo de futebol. Vivo de jornalismo. Será assim até o final. Um abraço.

  • José Rodrigues de Almeida

    Quem está confuso é voce. Lá em cima vc não falou de recurso de vídeo, falou de tecnologia na bola e na linha de gol. E pra que mais arbitros, para aumentar a confusão? E quantoa se vc vive de futebol ou de jornalismo, é vc mesmo quem diz que “não acredita que é pago para cobrir eventos esportivos” e que não consegue diferenciar “trabalho e diversão”. Portanto, quem paga o seu jornalismo é o esporte, notadamente o futebol, logo vc vive, sim, de quem realmente faz o futebol. Até porque se voce é péssimo no que pensa que sabe, imagine vc. falando (ou escrevendo) sobre economia, artes, policial, comércio, politica, etc.

    AK: Se eu sou péssimo no que penso que sei, o que você está fazendo aqui, há dias, conversando comigo sobre futebol? O que isso diz sobre você? Começou todo bajulador, agora está raivoso, uma piada.

    Mas seu caso parece mais grave do que apenas confusão. Quem falou em tecnologia na linha do gol foi a Fifa. Isso está escrito no texto. Falou também em auxiliares atrás dos gols, medida aprovada ontem e que será usada, oficialmente, em várias partes do mundo. Procure se informar, seja aqui neste blog ou em qualquer outro lugar.

    Finalmente, sou jornalista esportivo por opção, paixão, diversão. Assim, me afasto das frustrações profissionais que irritam tanta gente, talvez você. No dia em que eu quiser, se eu quiser, ou que eu precisar, se precisar, serei jornalista de qualquer outra área. E continuarei muito feliz.

    Nossa conversa acabou. Bajule quem concorda com você. Um abraço.

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