COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O CONCEITO ESPANHOL

A Universidade North-West fica em Potchefstroom, a mais ou menos 140 quilômetros de Johanesburgo. Tem um Instituto de Alto Rendimento e uma gigantesca praça esportiva dentro do campus.

Desde que a Copa do Mundo começou, jornalistas andam livremente por todo o lado. Jogadores, também. A NWU é a casa da seleção espanhola na África do Sul.

Não há seguranças constantemente preocupados com um possível atentado. As portas estão abertas a torcedores, como os que passaram a tarde de ontem ensinando estrangeiros a cantar as músicas que ecoam nas arquibancadas espanholas.

Ao lado de um dos cafés que servem alunos e funcionários, há uma academia de ginástica completa. Jogadores titulares da Espanha entravam e saíam, sorridentes, cumprimentando os passantes. O lateral Sergio Ramos caminhou uns sessenta metros até um carro que o aguardava. Dois ou três jornalistas se aproximaram dele para uma conversa rápida. Ramos não parou de andar, mas falou com eles. Que conceito.

Isolada pela distância dos grandes centros, mas aberta a quem se dispôs a visitá-la, a Espanha passou a Copa do Mundo inteira em Potchefstroom. Por causa da presença do time, o aeroporto da cidade foi reformado. A pista ganhou uma extensão de 400 metros para que o avião espanhol pudesse decolar e pousar. O time voou para jogar e voltou imediatamente após as partidas.

O treino de anteontem, dia seguinte à classificação para a final da Copa, foi aberto ao público no pequeno estádio da universidade. Era um treinamento só para reservas, mas o lugar lotou. Poucos espanhóis presentes. Havia muito mais sulafricanos, moradores da cidade e da região, vestindo camisas da Espanha. Gente que só tinha coisas boas para falar sobre os jogadores, sempre simpáticos, especialmente Fernando Torres. O atacante do Liverpool virou uma espécie de xodó local. Não fugiu do contato com as pessoas. Ao contrário, foi visto várias vezes no meio delas, presenteando quem gosta dele com fotos e autógrafos. Novamente, que conceito.

Na entrevista de Carlos Marchena e Sergio Busquets, ontem, a cena na sala de imprensa montada pela Federação Espanhola era assustadora até para quem está acostumado a cobrir a Seleção Brasileira. Comecei a contar as câmeras de televisão. Parei na quinquagésima. Claro, o time é finalista da Copa do Mundo, o assédio era óbvio. Mas isso não quer dizer que a imagem não seja impressionante. Marchena, zagueiro do Valencia, disse que a multidão à sua frente o ajudou a imaginar como estão as coisas na Espanha.

Enquanto a entrevista coletiva prosseguia, Carles Puyol atendia repórteres de rádio, do lado de fora da sala. Entrevistas exclusivas, marcadas com antecedência. Desculpe a insistência, mas que conceito.

A Espanha está na final da Copa. Honrando o favoritismo que herdou ao se tornar campeã continental em 2008. Praticando o que os jogadores chamam de “nosso futebol”, um jogo que se baseia e investe no talento de quem gosta de ter a bola nos pés.

Para fechar: que conceito.



MaisRecentes

Plano B?



Continue Lendo

Pendurado



Continue Lendo

Porte



Continue Lendo