VICIADOS EM BOLA



O índice de posse de bola da Espanha chegou a 68% durante o primeiro tempo.

Caiu no segundo, quando os espanhóis aceleraram o jogo em busca do gol. E caiu mais ainda após o 1 x 0, porque a bola foi entregue aos alemães.

Terminou em 51%, número que certamente desafia a impressão (que, na verdade, não é impressão) de que a Espanha controlou o jogo.

Mas controlou. A única chance de gol do melhor ataque da Copa do Mundo aconteceu aos 24 minutos do segundo tempo, quando Podolski cruzou para Kroos bater.

Fora isso, só deu Espanha.

Sim, Xavi e principalmente Iniesta estavam “naqueles dias”. E quando isso acontece, os adversários do Barcelona sabem como o jogo termina.

É muito bom para o futebol que a Espanha chegue à final da Copa. Melhor ainda, que ganhe.

É triste o conceito de que o futebol que vence é o futebol que não brilha. Só quem não tem talento pode pensar assim.

______

Escrevo mais sobre o jogo (de fato, sobre o confronto de estilos) na Camisa 12 de amanhã, no Lance!

O texto estará aqui na sexta-feira.



  • Filipe Reis

    Os dois times finalistas não mostram um futebol que me agrade.

    Acho a Espanha um time sem contudência, mas realmente tem bom toque de bola. A Holanda chegou na final por acaso e se formos honestos não muito o que se elogiar nesta seleção. A defesa não é boa, Sneidjer e Robben fazendo pouco no campo mas sendo over badalados e o Van Persie tem chances de se juntar aos atacantes franceses de 98, ganharam mas não fizeram nada.

    As duas seleções também contestam o hit do momento no Brasil: precisa ter um número maior de jovens. Como se o número de jovens é que determinasse quem ganhe. Quando é que alguém vai falar que a nossa geração é fraca? Cadê os nossos atacantes? Ousará alguém mencionar o Neymar? Em 4 anos foi isto o que produzimos? Cadê os nossos meias? Em 4 anos só produzimos Ganso? Neymar pode nem chegar a ser o que o Robinho é, difícil que o ultrapasse. O Ganso tem muito mais bola mas ainda tem bastante para provar. Mais alguém? Hernanes?

    A Alemanha foi quem jogou de longe o melhor futebol da Copa mas hoje realmente não foi bem.

  • Roberto Carlos

    André
    A minha duvida é se a Espanha tomar um gol na final e tiver que correr para empatar, será que vai continuar com o mesmo esquema de ficar trocando passes? Será que eles possuem outro esquema de jogo ou vai entrar em parafuso igual a nossa seleção contra a Holanda?
    Abraços

  • David

    Oi André,
    Tem outro ponto em que tenho pensado tbm que me faz torcer pra que a Espanha vença esse Mundial.
    O fato é que essa Espanha, esse time, essa geração, derivada desse Barcelona do Guardiola, merece mais que “só” uma Eurocopa pra ficar guardada de maneira mais honrosa na história do futebol mundial.
    Pra mim, isso que eles fazem, com posse de bola, recuperação relâmpago de bola, toques rápidos, dribles, paciência, a arte de engolir o adverário de tal maneira que chega a ser constrangedor, tudo tem que ser coroado com o titulo maximo do futebol pra que eles sejam pra sempre lembrados como uma das maiores seleções ja vistas. Sem exageiro. Essa Espanha simplesmente protagoniza TODOS os seus jogos e seus adversários são obrigados a se adaptar a isso, se tornando coadjuvantes do espetáculo e correndo atrás da bola. Algo que só via o Brasil fazer contra todos adverários nas ultimas 2 decadas (com exceção de Uruguai e Argentina que por tradição nos atacam) não só por imposição tecnica, mas no caso do Brasil, tbm por escolha simplória dos oponentes.
    Enfim, seria uma judiação sem tamanho que uma seleção como essa sofresse com críticas de “falta de objetividade” e “amarelar na hora H” ou “nunca ir bem em Copas do Mundo”. Tanto como é judiação que esses jogadores deixem de estar num honroso patamar histórico com os grandes e vencedores times da história.
    Abraço

    AK: Estou de total acordo com sua observação sobre o que a Espanha faz com os adversários. Para mim, esse é o ponto principal. Um abraço.

  • Leonardo Lopes

    “É triste o conceito de que o futebol que vence é o futebol que não brilha.”

    Por isso que estarei torcendo muito para Espanha domingo… Que me desculpem os (muitos) admiradores da Laranja, mas a Holanda que jogava bem (74 e década de 90) não ganhou… Essa, é que não pode ganhar ou o conceito ganhará muita força…

    Abraço.

  • Marcelo

    André, quem ganhou como melhor jogador da partida pela FIFA?
    O Puyol jogou muito, o gol foi um mero detalhe ao lado da atuação impecavel (e implacavel)!

    AK: Foi o Xavi. Um abraço.

  • Anna

    Todos sabíamos que o dia em que a Espanha encaixasse seu meio-campo primoroso, ela se encontraria e ganharia com autoridade. Foi o que aconteceu no segundo tempo de ontem. A Espanha marcou muito bem e não deixou a jovem Alemanha vencer. Cortou o coração ver Lahm chorando, mas vida que segue. Será uma final emocionante. Não tinha pensado no confronto de estilos que voce citou no final do post. Vou esperar para ler aqui na sexta.

  • Leandro Azevedo

    Andre,

    Voce acha que algo teria mudado caso o Muller estivesse em campo? Sei que eh dificil fazer esse tipo de analise, mas acho que a Alemanha perdeu em velocidade e qualidade no toque no contra-ataque sem ele em campo.

    Abraco

  • Leandro Saudino

    A Espanha é puro resultado!! Não vejo nada demais.

    Esse é o meu Blog sobre esporte, http://www.leandrosaudino.blogspot.com , entra ai!!

  • Mauro Domingos

    Ak, tenho a tendência de torcer pra Holanda… Acho q chegou a hora. Duas vezes vice, com uma geração de ouro…. Torço pela Holanda.

  • Arthur

    André, com quem essa taça ficar, estará em boas mãos. Muito melhores, por exemplo, do que a Itália de 2006. A espanha tem muita qualidade no passe e tem mais reconhecimento. Mas o time da Holanda é bom. Um tem Xavi e Iniesta, que fazer a diferença. Outro tem Robben e Sneidjer. Isso para ficar em dois de cada…. Deve ser um bom jogo! Mas, se for pra fazer justiça, a taça vai para a Holanda pela injustiça com o “Carrossel”.
    Abraços

  • Herberth Faquim Brasil

    O título não caiu bem. Tem duplo sentido.

    AK: Acho que o post explica tudo. Um abraço.

  • Anna

    Que reportagem, hein? Sobre a vitória da Espanha. Faço minhas as palavras do Eduardo Elias, no BB2 : repórter e “poeta das touradas”. Ficou muito bacana, texto belíssimo e a trilha perfeita! Ae, André! 😉

  • Sidney Mella

    André, tentei até me segurar para escrever este e-mail, pois não tem nada a ver com sua coluna. Sou professor universitário, Corinthiano por determinação genética e como todo bom brasileiro grande admirador de futebol. Sou fã de longa data de seu pai, e considerá-lo como um dos grandes jornalistas esportivos do Brasil já é lugar comum, nem é tanta novidade assim. A questão é que sempre me perguntei como deve ser para você, como jornalista, carregar o peso da comparação de tamanha competência e rigor jornalístico de seu ancestral. Comparações a parte, sempre te considerei ótimo repórter, e procurava até desconsiderar o sobrenome para não haver influências em meu julgamento. Eis que um dia, no decorrer da copa, ao entrar no Blog do Juca (coisa que faço frequentemente), vejo um link para o seu blog. Por curiosidade, entrei, e fiquei impressionado com a maneira que você descreveu uma história contada em um restaurante por um guarda-costas sul-africano. Naquele momento, pensei em mandar um post para o Juca e dizer: “Parabéns, pois já tens um substituto, quando resolver se aposentar ou quando ‘deus’ chamá-lo para conversar”. Não o fiz. Entretanto, ao acompanhar a copa quase que exclusivamente pela ESPN, tenho me surpreendido cada vez mais com você. E depois de ver agora pouco a BRILHANTE matéria onde compara o jogo Espanha X Holanda a uma tourada, levantei e estou aqui no computador. Espero que possa ler este comentário, que tem o simples objetivo de parabenizá-lo pelo brilhante trabalho desenvolvido. E, caso leia, por favor, encaminhe para seu pai, pois como bom filho, acredito que deva alertá-lo para que se cuide, pois acho que falta pouco para estar apto em substituí-lo. Grande abraço

    AK: Muito obrigado pela mensagem e pelo elogio, que não mereço. Legal que você gostou da reportagem. O texto é o da minha coluna de hoje no Lance!, que estará postada aqui nesta sexta-feira. Um abraço.

  • Pedro Valadares

    Poxa, no início da Copa meu palpite (registrado aqui no blog, antes do torneio começar) era de que a final seria Holanda e Espanha. Porém, eu imaginava uma trajetória com um pouco mais de brilho de ambas. Na semi contra a Alemanha, o futebol da Espanha encantou um pouco. Espero que na final encante muito mais, apesar que ver a Holanda ser vice pela terceira vez vai ser bem triste.

    Abraço e bom final de Copa para você!

  • Leandro Azevedo

    Andre,

    Sei que vc esta focado na Copa, mas vc viu o que fez o Miami Heat?? Wade, LeBron and Bosh??

    Vai ser legal de assistir.

    Abraco

    AK: Vi. Que time. Um abraço.

  • Rafael Wuthrich

    A mudança tática foi eficiente, mas que me desculpem os críticos. A Espanha nem de longe foi esse “brilho”. Se o gol de cabeça não tivesse saído, teríamos prorrogação. É bem verdade que a Alemanha foi anulada, mas foi por um time longe de ser brilhante, que optou vencer ao invés de convencer. Criticam tanto o título de 94, mas é a mesma coisa o que acontece hoje com Espanha e Holanda. Vencer convencendo ou não. Ou alguém vai me dizer que o melhor futebol da Copa até agora não foi o da Alemanha? Fico triste muito mais pelo o que o título alemão significaria para o futebol arte do que propriamente por merecimento – e tanto Holanda quanto Espanha também merecem. É como o Brasil de 82.

    AK: Discordo da comparação com o Brasil de 94. O melhor futebol da Copa era o da Alemanha, como escrevi, até o jogo contra a Espanha. E como você bem disse, a Alemanha foi anulada nesse jogo. Um abraço.

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