PARREIRA, MANDELA E VAN BRONCKHORST



Tomei um café com Carlos Alberto Parreira, aqui em Durban.

Com seu contrato com a seleção da África do Sul terminando no fim do mês, Parreira prepara a volta ao Brasil.

Apesar de 3 ofertas de seleções nacionais (2 africanas e 1 asiática) e 2 de clubes brasileiros (da Série A), ele diz que não vai trabalhar mais neste ano. No Rio de Janeiro, uma neta recém nascida que ele ainda não conhece leva uma vantagem quase desleal sobre qualquer proposta.

A decisão de não sair mais do Brasil parece definitiva. E o Campeonato Brasileiro, no momento, não atrai.

“É o campeonato mais louco do mundo. Às vezes você fica dez dias sem dormir em casa. Agora, não tenho vontade de fazer isso”, disse o técnico.

Parreira se surpreendeu com a eliminação do Brasil. “Ainda não falei com ninguém, mas achei impressionante como um time experiente, com jogadores que estavam na terceira Copa, se descontrolou completamente com os gols no segundo tempo”, revelou.

Com os Bafana, o objetivo de superar a primeira fase da Copa não foi atingido. Mas Parreira está orgulhoso por ter participado do processo que uniu o país em torno da seleção de futebol.

Nossa conversa, no hotel em que ele está hospedado, foi constantemente interrompida por pedidos de fotos. Gente que se aproximou do “coach parera” para agradecê-lo.

No final do papo, perguntei como tinham sido os encontros dele com Nelson Mandela. Sua expressão mudou, os olhos se abriram mais, ficou evidente que a lembrança era importante.

Parreira contou que esteve com Mandela duas vezes. Uma há 3 anos, outra há alguns meses. No primeiro encontro, eles conversaram por cerca de meia hora.

“Foi inesquecível”, ele disse, “quando você percebe que está na presença de um ícone da humanidade como ele, é uma sensação diferente, uma coisa marcante. Eu fico até arrepiado (mostrou o braço, estava mesmo) de lembrar”, completou.

Parreira não soube dizer se Mandela estará no Soccer City, no dia da final da Copa do Mundo. Ele teria ido à abertura se não fosse o acidente que matou sua bisneta mais velha, horas antes do primeiro jogo do Mundial. Pelo que se ouve, a chance de uma aparição no domingo é mínima.

Pena. Vê-lo de longe já seria o suficiente.

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Acredite se quiser, mas Holanda x Uruguai foi o primeiro jogo da Copa, sem o Brasil em campo, que consegui ver com calma.

Ótima semifinal. E o gol de Van Bronckhorst tem de ser um dos mais belos do mundial, se não for o mais.

O Uruguai fez uma linda Copa, pode voltar para casa cheio de orgulho. Mas a Holanda parecia destinada à final. Nos 3 gols a bola raspou na trave ao entrar. Mais precisão (no caso do segundo, sorte de Sneijder), impossível.

Tomara que Alemanha e Espanha façam um jogo tão bom amanhã.



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