O PEREQUÊ AFRICANO (e as falhas da Fifa)



Para quem conhece o Guarujá:

Eu estava em Port Elizabeth.

Port Elizabeth é como a praia de Pitangueiras.

Eu poderia ir para a Cape Town, que é como São Pedro.

Mas vim para Durban, o Perequê.

Paciência. O bônus é que, aqui, verei Espanha x Alemanha. Deve ser um jogão.

A cidade teve uma segunda-feira completamente normal. Se um marciano pousasse aqui, não saberia que uma semifinal de Copa do Mundo acontecerá em dois dias.

E acabamos de ser expulsos do Centro de Imprensa do estádio Moses Mabhida.

O local fecha às 6 da tarde em dias sem jogos. Os funcionários nos deram mais de uma hora de choro, e tivemos de sair.

Mais de uma vez, argumentei que estávamos editando uma reportagem sobre a semifinal da Copa, e que era incompreensível que o media center do estádio fechasse tão cedo.

Nada feito. Obviamente, a culpa não é do funcionário que tem o desagradável trabalho de mandar os jornalistas embora.

Os times chegam amanhã, treinam em pontos diferentes da cidade e falam no começo da noite, no estádio.

Os deslocamentos são um problema para todos. Especialmente os técnicos, que têm de sair do treino para dar a coletiva oficial. E é por isso que é raríssimo ver um jogador participar da entrevista.

Na véspera do jogo contra o Brasil, a Holanda (o time mais acessível da Copa, vale repetir) levou Giovanni van Bronckhorst para falar junto com o técnico. Mas a praxe dos times é outra.

Tudo porque os gramados estão ruins desde a primeira fase, e os treinos nos estádios foram proibidos. O estado dos gramados desse mundial é inadmissível.

Como disse um colega durante um jantar recente: a Fifa só tem de cuidar dos campos, da arbitragem e da bola.

Falhou nos três.



  • Rafael Pontes

    “Hei de torcer, torcer, torcer…
    Hei de torcer até morrer, morrer, morrer…”

    Quando Lamartine Babo escreveu o trecho acima, na letra do hino do América/RJ, ele, como um bom brasileiro que foi, externava em seu íntimo, a ânsia do povo brasileiro que naquele tempo, em meados dos anos 30, ainda não tinha sentido o gosto e o prazer de ser campeão do mundo.

    Quase 80 anos se passaram, e já sustentando as cinco estrelas no peito, hoje, nós brasileiros ainda torcemos, choramos e vibramos com a seleção, pois o torcedor entende que jogo do Brasil em Copa do Mundo é um ato cívico.

    Torce faz bem? Claro que faz.

    Naqueles noventa minutos nosso país está sendo representado por 11 jogadores de amarelo (ou azul) e suas chuteiras personalizadas por conta de contratos milionários.

    Naqueles noventa minutos esquecemos que somos um país de terceiro mundo. Que faltam escolas às nossas crianças. Comida a milhões.

    Esquecemos das enchentes em Alagoas e, até que o goleiro e capitão do time que tem a maior torcida do país está sendo investigado pelo assassinato da ex-namorada.

    Torcer faz bem? Repito, claro que faz.

    Futebol é entretenimento, e é exatamente essa a sua função.

    Agora, vamos fazer uma análise fria.

    Vale torcer para um treinador que nunca dirigiu nada na vida?

    Vale torcer para um treinador que apostou em Afonso Alves, Huck, Jô, Vagner Love, Bobô e Fernando?

    Vale torcer para um treinador que leva para a Copa do Mundo Júlio Batista, Josué, Kleberson, Elano e Felipe Melo, deixando em casa jogadores como Ganso e Ronaldinho Gaúcho?

    Torcer para um treinador que faz da sua teimosia uma virtude?

    Torcer para um ser humano ter sucesso naquilo que faz, mesmo ele sendo extremamente ignorante e arrogante com qualquer um que discorde de suas idéias e convicções?

    Não vale.

    Hoje é um dia triste? É.

    Mas o tempo vai nos mostrar que foi bem melhor esse tipo de gente não ter sucesso.

    A história não pode nos mostrar que o que o Dunga fez é o certo.

    E o jogo?

    Ah, o jogo foi muito bom.

    Um tempo para cada seleção.

    A diferença foi que o Felipe Melo vestia azul.

  • Hugues

    André, o que você acha desta reportagem do Klismann para a BBC, falando sobre o que ele e o Jogi fizeram pelo time da Alemanha. O “como” fizeram mostram a grande diferença entre a nossa confederação e a deles!!!
    Abs
    Keep up the good work

  • Hugues

    André, o que você acha desta reportagem do Klismann para a BBC, falando sobre o que ele e o Jogi fizeram pelo time da Alemanha. O “como” fizeram mostram a grande diferença entre a nossa confederação e a deles!!!
    Abs
    http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/world_cup_2010/8789682.stm

  • Athila Marques

    se for mesmo o LEONARDO o tecnico da seleção!!
    eu só tenho uma duvida sobre ele ou melhor um medo!!!

    ele saber ler tatica de jogo?
    sabe analisar os pontos fortes e fracos da equipe adversária??
    ele saberar mudar o estilo de jogo da nossa seleção durante o periodo do jogo por causa do adversário/??

    ABRAÇOS

  • Anna

    Off-topic: Também acho Leonardo a maior furada apesar de gostar muito dele. É incorrer no mesmo erro ao ter escolhido o Dunga. Eu acho que Felipao e Mano Menezes são melhores escolhas. A Copa de 2014 é em casa, então se houver frustração será muito pior, um verdadeiro “king kong”.

  • Javier

    Andre, o Perequê dai é tão bom quanto o nosso em peixinhos feitos na hora ?
    Um abraço.

    AK: O melhor peixe que eu comi na África do Sul foi em Port Elizabeth. Até deveria ter feito um post no Mais Gelo sobre ele. Aqui no Perequê, ainda não tive essa experiência. Mas não deve demorar… um abraço.

  • Thoronto

    Andre, nao sei se voce ja leu isto, mas achei interessante para explicar porque a Alemanha esta onde esta e no nivel que esta.

    http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/world_cup_2010/8789682.stm

    Abracos e bom trabalho (-:

  • Caro André:

    Num dos filmes da trilogia “O Poderoso Chefão”, Michael Corleone diz que “não é fácil ser filho”. E não é mesmo. Principalmente filho de um dos principais jornalistas brasileiros quando se abraça a mesma carreira do pai. Primeiro: lutar para mostrar que uma posição de sucesso foi alcançada por méritos próprios e não pelo nome de família (isso sem diminuir em nada o amor pelo pai); Segundo: provar a todo instante, paradoxo dos paradoxos, que faz jus ao nome, honrando ao pai, e, ao mesmo tempo, que é uma pessoa e um profissional totalmente distinto. Por fim: aguentar as comparações! Mas, apesar disso tudo, você está cada vez melhor e, com todo respeito, já superou em muitos aspectos o grande Juca (sou fã do Juca e por isso sinto-me à vontade para elogiá-lo). O início do seu comentário de hoje, a comparação com os sítios do Guarujá, é algo entre o brilhante e o magnífico. Sacada de Mestre, coisa de Juca, ou melhor, perdão, de ANDRÉ KFOURI. E, brevemente, mudando de assunto, aposto minhas fichas na Alemanha. Desejo a vitória do Uruguai, mas considero isso difícil. Torcida não faltará. Parabéns pelo ótimo trabalho! Abraços, Paulo Cremoneze

    AK: Obrigado pelo comentário e pela gentileza. Um abraço.

  • Felipe

    Pelo menos o peixe é bom?

  • Anna

    Eu tô torcendo pela Espanha, apesar de a Alemanha ter me encantado. Mas André Kfouri cobrindo a Alemanha, sei não… É cheiro de passagem à final e título. Você é pé quente! 😉

  • Paula

    Oi André!

    Uma pena que você não foi à Cape Town… Li um comentário sobre peixe lá em cima e posso te garantir que o melhor peixe que comi na minha vida, foi em Cape Town.. Em um restaurante no Waterfront, cujo dono é um portuga e o restaurante chama-se Bahia!

    E olha que compro bastante peixe no Perequê do Guarujá…

    Espero que colegas seus tiveram o prazer de experimentar!

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