CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

DEZESSEIS ANOS DEPOIS

Mauro Silva entrou em campo com uma obrigação: prestar atenção na cobertura de Branco, no lado esquerdo da defesa da Seleção Brasileira. “Nós sabíamos que o Overmars, que era muito rápido, jogaria por ali”, diz Mauro. “O Branco vinha de uma longa inatividade, claro que eles tentariam aproveitar”, completa.

Falamos, claro, das quartas de final da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Do jogo entre Brasil e Holanda, em Dallas. Era a primeira partida de Branco como titular naquele mundial. Leonardo tinha sido expulso contra os Estados Unidos, Branco tinha de jogar. Mas talvez suas costas, com um problema crônico, ainda não estivessem prontas. As dúvidas eram muitas, os riscos também. Um atacante perigoso marcado por um lateral esquerdo que voltava de lesão. Quem poderia imaginar que Branco não só daria conta de Overmars (com a ajuda de Mauro Silva e Dunga), como ainda criaria problemas para o holandês na defesa?

Lembre-se da jogada que originou o terceiro gol: Mauro Silva, no grande círculo, achou Romário no campo de ataque. Passe lateral para Branco, finta em Marc Overmars (com a mão no pescoço), falta de Ronald Koeman. O que aconteceu logo depois, brasileiros e holandeses nunca esquecerão. Imagine quem estava ali perto. “É a melhor lembrança que eu tenho daquele dia”, conta Mauro Silva. “O gol do Branco resolveu o jogo, que tinha ficado muito complicado para nós depois que a Holanda empatou”, completa.

Não consigo ver tanta semelhança entre o time campeão do mundo em 94 e o atual. Fora a solidez defensiva, os dois volantes “puros”, acho que aquele time gostava mais de ter a bola, enquanto este prefere contra-atacar e é mais rápido. Mas não dá para ignorar a coincidência entre o Brasil x Holanda de Dallas e o de amanhã, em Port Elizabeth. E não é o fato de ambos serem jogos de quartas de final de Copa.

Qual é a posição da Seleção Brasileira que gera mais dúvidas? Em qual setor do campo o holandês Arjen Robben mais gosta de jogar? A conexão é evidente. Robben e sua perigosa perna esquerda serão vistos frequentemente pela região ocupada por Michel Bastos, considerada internacionalmente como o único ponto sensível da melhor defesa do mundo. Não esqueça que até a Tanzânia insistiu por ali no amistoso pré-Copa, e levou perigo no começo do jogo. É a primeira questão da lição de casa de qualquer time que enfrentará o Brasil.

Ou Michel não passará do meio do campo, o que prejudicará a variação de jogadas da Seleção e sobrecarregará Maicon, ou alguém terá de ser Mauro Silva. Claro que também há a chance de alguém ser Branco. Michel é bom cobrador de faltas.

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CORREÇÃO: quem fez a falta em Branco não foi Ronald Koeman, e sim Wim Jonk.



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