COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

UM EMPATEZINHO

No jogo das palavras na véspera, ficou claro o confronto (teórico) de estilos. Carlos Queiroz, sorridente, falou que Portugal tinha a “obrigação de dar espetáculo, eleger o futebol e colocá-lo no trono que merece durante o Campeonato do Mundo”. Dunga, sisudo, disse que o Brasil precisava “jogar para ganhar, senão a metralhadora vai disparar”.

Queiroz é hábil ao microfone. Capaz de citar o técnico brasileiro Gentil Cardoso, que trabalhou nas décadas de 40 e 50, ao comentar o estado preocupante do gramado do estádio Moses Mabhida. “A vaca come a relva, o couro da bola vem da vaca, então o couro tem de rolar na relva”, disse. Também mencionou a ausência de Kaká com uma ponta de tristeza, lembrando que nos jogos do Brasil que estudou, sempre aparecia “o trio d’ouro: Kaká, Fabiano (sem o Luis) e Robinho”.

Dunga foi gentil com os patrícios, ao comparar a qualidade do futebol praticado pelas duas seleções. No dia em que a semelhança for real, alguma coisa muito séria terá acontecido em Portugal. Ou no Brasil.

Do que se falou nos últimos dias, a maior verdade é a que parecia menos provável. A “rivalidade” que surgiu entre os dois times no passado recente, talvez por causa dos brasileiros que assumiram o passaporte português, talvez pelos 4 amistosos em 8 anos, com duas vitórias de Portugal.

Num primeiro tempo em que o time de Queiroz trocou a fantasia pela sobrevivência, fechadinho atrás para aumentar a possibilidade do empate que lhe interessava, Pepe e Felipe Mello criaram um “octagon” particular. Felipe, sabe-se, não se preocupa em fazer amigos do outro lado, mas a pisada no tornozelo que levou de Pepe foi tão involuntária quanto um soco no nariz. O luso-brasileiro ainda fez um sinal de 1 x 1 com as mãos, lembrando de uma entrada que levou. Sem demora, foi abalroado por Felipe, na falta que lhe valeu o cartão amarelo e fez Dunga chamar Josué. A explicação oficial para a substituição foi a lesão no tornozelo esquerdo que Pepe provocou. Sei.

Os sete cartões amarelos do primeiro tempo (3 para o Brasil, sendo que um foi o de Juan, por mão na bola) são um recorde desta Copa do Mundo. Marcas de um jogo com pouca emoção, entre dois times que podem mais. Principalmente Portugal, que precisava jogar por alguma coisa e se limitou a apostar nos erros brasileiros.

No segundo tempo, em que o árbitro mexicano Benito Archundia não tirou nenhum cartão do bolso, Cristiano Ronaldo foi jogar nas costas de Maicon. Apareceu mais, mas não fez nada que justificasse sua escolha como o melhor em campo. Talvez não tenha sido “uma vergonha”, como disse Lucio. Mas, entre os dois, eu (que acho que Cristiano é craque) ficaria com o brasileiro.

Queiroz saiu do jogo orgulhoso pela invencibilidade de sua defesa na primeira fase. Nos últimos 26 jogos que fez, Portugal não tomou gol em 22. O técnico usou outra frase de efeito para resumir a atuação de seu time. “Nós vestimos o terno, mas também sabemos usar o smoking”.

Mas não houve festa em Durban. Só um empatezinho bom para todo mundo.



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