COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

A COPA VERDE E AMARELA

Em volta do Centro Internacional de Transmissões, que fica em frente ao maior estádio da Copa, só se vê terra. Os estacionamentos que servem centenas de veículos de comunicação do mundo inteiro, e milhares de jornalistas, são lamaçais à espera da chuva.

Desacordo salarial entre uma empresa de segurança e seus funcionários causou protestos, levou ao rompimento do contrato com a Fifa, e a vigilância de quatro dos cinco estádios onde a Seleção Brasileira pode jogar esta a cargo da polícia.

Nas sedes, seja nos campos de treinamento ou mesmo nos estádios do Mundial, os gramados estão em condições precárias. E a primeira fase ainda nem terminou. No estádio em que Estados Unidos e Inglaterra estrearam no Mundial, já não havia grama nas pequenas áreas. Treinos de “reconhecimento” foram proibidos, como aconteceu na véspera de Alemanha x Sérvia e Brasil x Costa do Marfim. A Seleção teve de procurar outro lugar para trabalhar, porque o campo da escola onde costuma treinar não aguentou.

Relatos de assaltos e furtos pipocam pelas cidades da Copa. Repórteres portugueses foram roubados por homens armados que invadiram a pousada onde dormiam. Dólares de um dirigente uruguaio sumiram do cofre do hotel. Enquanto jantava no restaurante, uma equipe de televisão neo-zelandesa teve seus equipamentos levados por ladrões que arrombaram a porta do quarto. Gabriel Batistuta, ex-atacante da seleção argentina, teve dinheiro e um cartão de crédito subtraídos de sua jaqueta, no mesmo cinco estrelas onde está hospedado o presidente da Fifa, Joseph Blatter. Os cofres dos apartamentos de quatro jornalistas brasileiros foram violados em outro hotel da maior cidade do país. Mas o comitê organizador da Copa do Mundo nega que haja problemas de segurança ligados ao torneio. Cita partidas em que não foram registradas ocorrências para argumentar que tudo vai bem.

O trânsito caótico nos dias de jogos faz com que se gaste até quatro horas para chegar aos estádios. Neles, é difícil conseguir uma informação precisa. Seja dos voluntários, cujo único trabalho é auxiliar as pessoas, seja dos policiais, que só sabem dizer não.

Tudo isso, claro, está acontecendo na África do Sul. Na Copa do Mundo da África do Sul. Mas poderia estar acontecendo no Brasil, se o Mundial fosse em nosso país, como será daqui a quatro anos. Obras mal acabadas, gramados sem condições, criminalidade, trânsito problemático e serviços ruins têm feito brasileiros se sentirem em casa por aqui. Difícil imaginar que, em 2014, nossa realidade seja melhor.

Duas conclusões. A primeira é óbvia: se a África do Sul pode fazer uma Copa, o Brasil também pode. Ainda que os sulafricanos tenham três estádios sensacionais (Soccer City, em Johanesburgo; Green Point, na Cidade do Cabo; e Moses Mabhida, em Durban), de um nível que o Brasil muito provavelmente não terá. E também tenham um aeroporto, o de Johanesburgo, que faz os nossos parecerem rodoviárias.

A segunda conclusão é triste: a Copa parece estar passando por um período de adaptação, para que ninguém se assuste daqui a quatro anos.



  • Anna

    Essa conclusão é melancólica para nós, mas real. Boa transmissão para todos da equipe da Espn Brasil!

  • Roberto Carlos

    Andre
    Não entendo esta polemica quanto ao Drogba poder jogar ou não com proteção devido sua cirurgia, já ocorreu no jogo contra Portugal e novamente contra o Brasil, porque o adversário pode proibir ou permitir o jogador de usar este tipo de ptorteção? Este tipo de situação não teria que ser preestabelicido nas regras do jogo?
    Abs

    AK: O adversário não pode proibir, pode contestar. Mas quem decide é a Fifa e a arbitragem. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    Rapaz,dessa eu discordo radicalmente.

    O Brasil,embora não seja nenhum exemplo de infraestrutura,está anos luz da África em qualidade de vida,acredito até que isso se deva ao passado recente dos africanos,com constantes “pequenas batalhas” entre negros e brancos,esta ou aquela etnia,isso influenciou diretamente no desenvolvimento social do povo.Governantes estavam muito mais preocupados em apagar incêndios internos do que em urbanizar cidades.

    Durante a Copa de 98,na França,os funcionário da Air France,empresa que praticamente mantém o monopólio dos vôos internacionais que têm a França como destino,fizeram greve,reivindicando melhores salário.mas por que durante a Copa?porque é a época em que serviços de transporte,segurança,hotelaria,entre outros são vitais para o país que recebe os jogos.Os servidores da equipe que presta serviço de segurança à FIFA pensaram como os funcionário da Air France,e aproveitaram a ocasião para reivindicar melhores salários.

    Também não podemos esquecer que esta Copa só está sendo realizada na África devido ao rodizio de continentes estabelecido pela FIFA.Excluir os africanos abriria precedentes para uma batalha diplomática,coisa que a FIFA não gostaria de ser causadora.Duvido,mas duvido muito mesmo,se as questões de infraestrutura realizadas em tempo ideal foram levadas em conta.

    Houve relatos de assalto durante a Copa de 2002.Isso,infelizmente,é uma realidade que não é “privilégio” dos brasileiros,ou dos grandes centros.Durante a Copa aumenta consideravelmente o número de visiotantes ao país,logo os ladrões saem à caça de bens mais valiosos.E não creio que se possa dobrar ou triplicar um efetivo policial em um país pouco inclinado à segurança do dia pra noite.

    Se o trânsito é ruim na África,o que dizer do de Tóquio?sem mais sobre o assunto.

    Pra fechar:Devido a história e ao momento político dos dois paises,fica difícil imaginar que não será diferente em 2014.O Brasil,embora,repito,não seja ícone em infraestrutura,é hoje um país muito mais qualificado que a África para receber uma competição do porte de uma Copa do Mundo.E,ao que parece,o COI concorda com essa idéia,pois em 2016 receberemos,também,os Jogos Olímpicos.

  • Leandro Azevedo

    Deja Vu?? hehehe

    Abraco

  • Marcel Souza

    Eu acho que essa estratégia da Fifa de colocar 2 Cpas seguidas em países emergentes muito arriscada… Por um lado pode se aumentar a popularidade do futebol na Africa (ou a Fifa aumentar o seu poder), mas por outro temos uma Copa heia de problemas, e que até agora não encantou. Os problemas devem se repetir daqui a 4 anos. E depois a Fifa não entende porque a cada ano perde terreno pra UEFA e sua Champions League.

  • Lauro M.

    André,

    Acredito na capacidade do Brasil de realizar um campeonato esportivo internacional da proporção de uma Copa do Mundo. O país tem experiência, principalmente a cidade do Rio de Janeiro, em ser sede de eventos grandiosos e de dimensões internacionais. Quantos aos estádios, os projetos de reformas dos já existentes são gananciosos e abrangentes. Medidas que os adequem ás exigências internacionais estão sendo providenciadas e outros novos serão construídos.
    Como brasileiro, tenho a certeza absoluta de nossa capacidade de darmos conta do recado e entrarmos para a história como uma das edições da Copa do Mundo e Olimpíadas memoráveis.
    Problemas de trânsito? Quais das grandes metrópolis do mundo não possui?
    Se prestares mais atenção na capacidade de nosso povo verás a vocação para coisas extremamente grandiosas e complexas. Há de se contar com o prestígio dos atuais governantes que possibilitou a vinda destes eventos. Se a presidência cair nas mãos de desimportantes políticos mundiais, podes ter certeza que discordarei de ti, pois irei além: será certamente um país muito menos qualificado que a Africa do Sul. Tenha certeza!

    AK: Não tenho dúvidas sobre a capacidade do Brasil de realizar uma Copa. A Copa da África do Sul reafirma esse pensamento. Um abraço.

  • David

    O Brasil fará uma copa melhor do que a da África do Sul, e pior do que a Alemanha. Isso mostra qual é a nossa posição no ranking civilizacional. Quem acha que é motivo de alegria, que se alegre. Eu fico triste.

  • Diogo

    Eu não acho difícil acreditar que em 2014 nossa situação estará melhor. Nossa situação está melhorando nos últimos anos e temos uma eleição neste ano que pode nos manter neste caminho.
    Abraco,
    Diogo.

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