CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

SAIR É PRECISO

“Todas as vezes que a Seleção Brasileira aprendeu a jogar sem a bola, o resultado foi o melhor. Esse time tem a melhor defesa do mundo; o goleiro, os zagueiros, os laterais, a proteção da área…”

A declaração é de Carlos Alberto Parreira, técnico da África do Sul, em conversa informal antes de uma entrevista no hotel em que os anfitriões da Copa do Mundo estão hospedados.

Parreira parece empolgado com as possibilidades da Seleção Brasileira na Copa. É uma opinião à qual se deve dar crédito, já que ele é o mentor da equipe muitas vezes usada como modelo para o time de Dunga. A Seleção campeã do mundo em 94 deu uma clínica de como se defender, levou 3 gols em 7 jogos. Era um time especializado em recuperar a bola, e orientado a mantê-la. Até hoje é criticado pelo conservadorismo que não combina com “as tradições” do futebol brasileiro, tema abordado por jornalistas em algumas das entrevistas coletivas no Randpark Golf Club. Jornalistas estrangeiros, frise-se.

É compreensível que a imprensa internacional olhe para a Seleção Brasileira de uma forma diferente, mais admiradora. Especialmente aqueles jornalistas que associam o time ao que se chama, fora do Brasil, de “jogo bonito”. Querem saber se a Seleção mostrará, nesta Copa, o que eles adorariam ver. Até agora, conheceram uma escala de prioridades que não deve agradar. “Eu quero é ser campeão, jogando bonito ou feio”, disse o lateral Maicon, dia desses.

O problema é que os dois últimos amistosos mostraram defeitos numa área que não deveria nos preocupar. Contra dois adversários que estavam extasiados apenas por pisar no mesmo gramado que a lendária Seleção Brasileira, a parte “com a bola” foi a que falhou. Verdade que o lado esquerdo da defesa continuou sofrendo, ponto sensível tão conhecido internacionalmente que até a Tanzânia o explorou no primeiro tempo. Mas o alarme que soa mais alto, a cinco dias da estreia, é o da saída de bola. O número de passes errados incomoda mais do que as vuvuzelas.

Kaká disse que a questão se resolve “em um ou dois treinos”, esperança que só não é maior do que a que está diretamente ligada às condições dele. Elano declarou que o time precisa “sair mais rápido”. Gilberto Silva falou sobre “atuações atípicas”. Não há dúvida de que os últimos treinos antes da estreia insistirão nesse aspecto. Felizmente, ainda há tempo para trabalhar.

Dificuldades com a bola nos pés distanciam a Seleção atual da de 1994. Ninguém é obrigado a gostar do estilo de jogar futebol do time que foi campeão nos Estados Unidos, mas ele não errava tantos passes.

Além de Parreira, quem sabe bem disso é Dunga.



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