CONTROLE DA INFORMAÇÃO



Dunga fechou o treino da Seleção hoje de manhã.

Quem foi à escola Randburg conseguiu apenas ver o ônibus e os jogadores se mexendo, ao longe.

No futebol brasileiro, esse tipo de coisa é geralmente considerado um acinte. Um “ataque à liberdade de imprensa”.

Até 4 anos atrás, estávamos acostumados a escolher o que queríamos de um farto cardápio de opções.

Falávamos com todos os jogadores, acompanhávamos todos os treinos. Era (pessoalmente, nunca pensei assim, mas essa era a noção geral) “nosso direito”.

Não mais.

Dois jogadores por dia, em coletiva. Informação “socializada” e controlada.

Treinos abertos quase sempre. Eventuais pedidos para que as câmeras sejam desligadas.

Em comparação com o que se fazia antes, é quase uma greve de silêncio.

Em comparação com o que se faz em outros países, ainda é um banquete jornalístico.

Nesta Copa, das seleções mais tradicionais, só a Holanda ainda não fechou um treino. Mas colegas holandeses dizem que, cedo ou tarde, acontecerá. E assim como a Laranja promoveu (uma vez só) um contato com todos os jogadores, há dias em que só é possível falar com um entrevistado.

Nenhuma sessão de entrevista coletiva é tão longa quanto as da Seleção Brasileira. Todos os dias, 45, 50 minutos.

Continuamos reclamando de barriga cheia, portanto.

Exceção feita a um aspecto, muito importante: em outras coberturas, era possível falar com membros da comissão técnica, mesmo que informalmente. Alguém se machucou no treino? O médico estava logo ali. O amistoso seria realizado na altitude? O preparador físico podia comentar.

Dessa vez, estão todos calados.

E por isso ninguém sabe o que está acontecendo com Julio César.

(mais sobre o assunto, escreverei em minha coluna de sábado no jornal)

ATUALIZAÇÃO, 18h55 em Joanesburgo – A propósito: JC treinou mais do que normalmente agora à tarde. Não há nada nos movimentos dele que indique que ele não jogará na terça-feira.



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