UM TREINO EM SOWETO (e a velha guerrinha de sempre)



Como sempre, perdoe a falta de qualidade da foto (e do “fotógrafo”) acima, tirada pouco antes do treino do Brasil no estádio Dobsonville, em Soweto.

A ideia não era mostrar o estadio, e sim o que está em torno dele.

O subúrbio de Joanesburgo, célebre pela resistência ao apartheid, teve um dia diferente com a presença da Seleção Brasileira, em treino aberto por determinação da Fifa.

A parte de Soweto que conhecemos (como imagino que dá para perceber na imagem, o lugar é gigantesco, com milhões de habitantes) é muito pobre, mas não tem o aspecto de uma enorme favela. Se a ideia da Fifa é levar as seleções a lugares onde elas provavelmente nunca voltarão, o objetivo foi atingido.

Na multidão que aguardava o ônibus do Brasil chegar, não creio que havia alguém que conseguirá entrar num dos estádios da Copa e ver um jogo.

O treino foi nosso primeiro contato com as vuvuzelas que serão uma marca deste mundial. Nas pequenas arquibancadas do Dobsonville, as pessoas cantavam e dançavam.

O gramado estava ótimo, a Seleção treinou como queria. Tudo certo.

Mais cedo, na entrevista coletiva de Dunga e Jorginho, um novo round no embate entre a comissão técnica e jornalistas. Antes mesmo de a entrevista começar, enquanto ambos ainda se ajeitavam nas cadeiras, as câmeras captaram Dunga dizendo “olha os nossos amiguinhos” para Jorginho.

O técnico, e especialmente o auxiliar, reclamaram de “pessoas que torcem contra a Seleção Brasileira”. Jorginho foi além, falou de críticas que “defamam (sic) a moral”.

Pena que os entrevistados, apesar de terem sido estimulados pelos próprios jornalistas presentes, não tenham dito sobre quem estavam falando.

Como já escrevi várias vezes, aqui e no jornal: para que a relação profissional entre técnicos/jogadores e imprensa seja boa, é preciso que cada lado tenha o entendimento correto do papel do outro.

Não discuto absolutamente que o lado de cá comete erros, pega pesado, invade espaços que não devem ser invadidos, passa longe do profissionalismo.

Mas todas as pessoas que fazem isso têm nome.

Reclamar de críticas não identificadas no meio de uma coletiva com 300 jornalistas é perda de tempo, mau uso da oportunidade.

Além de uma generalização (dizer “não estou generalizando” depois não resolve) obviamente equivocada.

Esse é um ponto.

O outro é que esse tipo de coisa é antiga. Criar um clima de “estão todos contra nós, vamos mostrar para eles” é uma estratégia batida e, ao mesmo tempo, de alto índice de sucesso.

Felipão, por exemplo, a usa com frequência. Mas é mais discreto.



  • Leandro Azevedo

    Andre,

    Vc teve a “sorte” de pegar uma escolta a caminho do treino como o seu Pai e o Tostao? hehe

    Abraco

    AK: Eu cheguei mais cedo. Mas não teria sido ruim… um abraço.

  • Gustavo

    André,

    Por que jogadores e técnicos que nitidamente não tem boa vontade para dar entrevistas se submetem a tal sacrifício ? Há alguma obrigação imposta pela Fifa, pela CBF, pelos patrocinadores do agasalho e do painel de fundo ou por outro chefe qualquer ?

    Bom trabalho p vc e equipe.

    Gustavo

  • Rejane

    O Dunga e o Jorginho gostam de uma polêmica! Sempre dão respostas atravessadas e, ás vezes, sem noção e explicação nenhuma!
    Gostei que a equipe da ESPN estava em peso na coletiva! Parabéns!

  • edmar jose da silva

    andré,acho que o jorginho desabafou corretamente pois veja uma coisa,o pessoal de sp e especial da Band fez campanha por ganso e neymar,depois da covocação eles cairam de pau em cima de dunga,esse neto é horrivel como comentarista nao sei como a band tem uma pesoa dessa nos seus quadros,ele a cada jogo fala o nome de pelo menos 20 jogadores que deveria ser convocado nao entendemos nada do que ele fala,espero que vc coloque esse comentario.

  • José A. Matelli

    Mas e então, André, que nomes são estes?

    AK: Eu também gostaria de saber. Aliás, não gostaria, não. O Jorginho deveria se entender com eles. Um abraço.

  • Ricardo

    Acho que Dunga (e surpeendemente seu escudeiro Jorginho) tem se exaltado

    Mas fica difícil imaginar o agora técnico, com seu histórico (Era Dunga/90, Campeão xingando a taça e vice 98) agindo de forma polida e educada com gente que só o detonou vida toda.

    Dunga usa a força do inimigo, algo meio oriental…(e inteligente), como fazia Felipão

    Agora, vamos combinar

    Tem muito, mas muito jornalista ruim (uns 70% ?)

    É uma situação bem complicada essa relação.

    Não acho que o que a Rede Globo faz seja jornalismo, mas tem muito cara que poderia atrapalhar menos

  • Leonardo Pires

    André, nesse mesmo sentido proposto por vc no post, compreendo que muitos jornalistas se sintam incomodados pela postura do Jorginho e do Dunga, e ao mesmo tempo consigo compreender a situação da comissão técnica. O Jorginho alegou que gostaria de ouvir, durante as entrevistas coletivas, os críticos contumazes da atual Seleção. Ponderou que muitas vezes as críticas mais severas são postas somente à distância dos criticados, sem que eles possam, de pronto, defender-se. Se se trata de hipocrisia, não sei dizer. Mas replico a pergunta feita pelo Jorginho a vc. Por que as críticas mais ácidas e severas não são apresentadas olho no olho durante as entrevistas coletivas?

    AK: Quem pode responder é quem as faz. Entrevista coletiva é o momento para perguntas e respostas. E não é o entrevistado quem decide quando e como as perguntas serão feitas. Fora que, muitas vezes, quem fez a crítica não está presente. Um abraço.

  • Leonardo Pires

    André, estava aqui relendo o comentário que postei há pouco. Percebi agora a ambiguidade contida no texto e que deu a entender que a pergunta mencionada foi feita pelo Jorginho a vc. Por óbvio que vc compreendeu, como ficou claro na resposta dada. Mas, desculpando-me pela falha, devo reforçar que pretendia ‘replicar a vc a pergunta feita pelo Jorginho durante a entrevista coletiva’, e não ‘replicar a pergunta feita pelo Jorginho a vc’ – situação impossível, já que o questionamento não lhe foi dirigido.

  • daniel

    Andre,

    Sempre tive curiosidade de saber se na Africa as pessoas realmente gostam do futebol brasileiro ou se isso e’ invencao nossa. Quando me mudei para o exterior descobri que a “paixao” pelo futebol brasileiro nao e tao grande assim. Como e’ na Africa? Dividimos a torcida com a Argentina, por exemplo?

    Abracos, boa Copa.

    AK: Posso te passar a impressão que tenho, nesse pouco tempo. A Seleção Brasileira é diferente das outras. Sim, tudo será novidade em todas as sedes, mas não creio que o impacto de outros times seja o mesmo. Um abraço.

  • Anna

    Achei a entrevista lamentável. E sua pergunta sobre Mugabe ao Dunga, muito boa! Adorei! Tanto é que a concorrência pegou o áudio. O papel do jornalista é informar, dar notícias, perguntar e questionar, não é torcer. Jorginho deveria então dizer o nome do jornalista. É isso.

  • Pedro Valadares

    É complicado mesmo…não entendo a comissão técnica da seleção. Eles vivem dizendo que obtiveram resultados, o que realmente fizeram, e que não precisam provar nada a ninguém. Porém, quando chega a hora dacoletiva, é sempre a mesma ladainha.

    A comissão técnica devia entender que quando respondem uma pergunta estão falando com o telespectador e não com o jornalista. As richas pessoais deveriam ser resolvidas em outro momento.

    Abs, André e bom trabalho!

  • Willian Ifanger

    Infelizmente, existem Jornalismo e “Jornalismo”. Mas isso é muito culpa deles mesmo, que as vezes dão prioridade/regalias pra certos repórteres e amiguinhos, preterindo outros profissionais. As inimizades vem sempre na mesma proporção do puxa-saquismo. Só que nada disso é jornalismo. E quando aparece o Jornalismo de verdade, eles nem sabem como tratar.

    Eu ainda não consegui entrar no clima da Copa…não sei quando e nem quais são os horários dos jogos da Seleção……já faz um bom tempo que sinto uma certa indiferença quanto à Seleção. Eu sei que é discurso batido, mas faz muita falta não ter jogadores que joguem aqui no Brasil.

    Acho que o dia que a Seleção Brasileira perceber que a expectativa que se tem por ela é totalmente diferente da que se tem pelas outras, as coisas podem mudar. A Seleção deveria jogar a Copa sempre pensando em dar espetáculos. Pouco importa se vai ser campeã ou não. Porque pra ser campeã jogando do mesmo jeito que as outras, só vai ter a plaquinha na taça e nada mais. Qual a diferença de ser Penta, Hexa, Hepta? Isso serve somente pra discussão entre torcedores clubistas. De quem eu vou tirar sarro depois do título?

    E nem é o caso daquele besteira de futebol-arte…..é futebol bem jogado….de toques, técnica refinada, tática e improvisação. Uma Seleção que deixa de lado jogadores com PH Ganso e Ronaldinho Gaúcho, entre outros, não pode ser levada à sério. Ainda mais correndo o risco do Kaká sofrer para jogar (e a bruxa tá solta).

    Acho que escrevi bastante. Hehehehehe. Mas acho que a ficha da Copa vai cair na semana que vem, depois de dar um tempo desse karma chamado São Paulo FC. Ô time estranho.

  • Luciano

    André, antes de tudo, quero dizer que o seu blog e do Juca são obrigatórios para quem acompanha a Copa. Parabéns!!!

    Sobre o post: entendo os dois lados. O comportamento do Dunga e do Jorginho (e de alguns jogadores também!) com a imprensa é desagradável e não leva a nada. Falta tato, entendimento sobre o papel da imprensa.

    Mas também não queria estar na pele deles antes daquele amistoso contra Portugal. Não aguentava mais ver gente como o Galvão Bueno e outras pessoas irem além das críticas (merecidas, aliás!) e começarem a “fritar” o Dunga nas transmissões.

    Foi como se a Globo e outros interessados quisessem criar um clima ruim com a torcida para justificar a troca de comando na seleção. Mas aí veio a goleada contra Portugal e os bons resultados na Eliminatória e tudo mudou. Inclusive a opinião do Galvão. Incrível, não?

    Depois de duas décadas de porrada, o Dunga pegou trauma. E usa isso para motivar os jogadores.

  • Carlos

    Ora, André: claro que o “homenageado” pelo Jorginho foi seu pai.

    AK: Não foi. Você está pessimamente mal informado. Um abraço.

  • Carlos

    Então tá.

    AK: Pois é. Tá.

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