BLATTER MUDA DE IDEIA (e o gigante Soccer City) – Atualizado com fotos



A imprensa internacional estava a postos nas cadeiras do estádio Soccer City, palco da abertura e da final da Copa do Mundo.

O evento era simbólico: a “entrega” oficial do estádio à Fifa.

Na lateral do gramado, autoridades sulafricanas e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, eram esperadas a qualquer momento.

A moça que comanda a programação abre o microfone e avisa: “após os discursos, haverá uma sessão de perguntas e respostas. Não será muito longa. Quem quiser fazer alguma pergunta, por favor levante o braço e um voluntário levará o microfone.”

Todos discursam. Blatter compara o Soccer City a Wembley, diz que Nelson Mandela (que fez no estádio o primeiro discurso após sair da prisão, em 1990) é o “mais carismático humanista vivo”.

A mesma moça volta ao microfone e pede aos jornalistas que voltem para os ônibus que os levarão ao Centro Internacional de Transmissões (IBC).

Consigo falar com ela na saída.

– Com licença, você não disse que haveria uma sessão de perguntas e respostas?

– Ah, será no IBC.

– Obrigado.

Chegamos ao IBC, local responsável pela geração das imagens e dos sons da Copa para todos os cantos do mundo onde alguém gostar de futebol. Blatter corta a fita que inaugura oficialmente o espaço, liga a enorme tela do centro de controle de TV da Copa de 2010, diz que o objetivo da Fifa é fazer o Mundial chegar a “30 bilhões de pessoas, porque temos de crescer sempre” (ele não explicou como formulou esse número, uma vez que a população do planeta ainda não chega a 7 bilhões. Suspeito que seja a soma das audiências de todos os 64 jogos).

E se vai. Tchau.

Encontro a mesma moça que disse que haveria uma sessão de perguntas e respostas no Soccer City, e depois no IBC. Faço a pergunta óbvia. Com a maior cara de pau do continente africano, ela responde que não disse nada sobre perguntas e respostas.

Outros jornalistas se aproximam com o mesmo questionamento. A moça não sabe onde se enfiar. Faz um gesto para um homem de uns dois metros de altura, fala com ele num idioma incompreensível.

O homem chega perto e se dirige a nós, em voz baixa e expressão constrangida, como se contasse um segredo: “Senhores, lamento informá-los que ele mudou de ideia”.

Começamos bem.

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A propósito: o Soccer City impressiona pelo tamanho. É muito grande. Capacidade para 90 mil pessoas, todas sentadas e a no máximo 100 metros do gramado. Não há pontos cegos.

Por fora, parece um vaso de cerâmica. E o interessante é que metade do estádio fica abaixo do nível da rua. A Allianz Arena, em Munique, também é assim.

Todas as cadeiras são cor de laranja e pode-se ver dez enormes faixas verticais pretas, que cortam os anéis. Nove delas estão na exata direção dos outros estádios do Mundial.

E uma aponta para o Estádio Olímpico de Berlim, onde foi disputada a final da Copa de 2006.



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