NA JANELINHA



À beira do gramado, a poucos passos da linha de fundo, não se tem as melhores condições para ver um jogo de futebol.

O outro gol fica muito longe, perde-se a noção de profundidade e, lógico, não tem replay (se bem que, ontem, o telão até mostrou alguns lances).

Mas foi uma experiência inesquecível ver a final da Liga dos Campeões da Uefa tão de perto.

Nossa posição ficava à direita do gol defendido por Julio César no primeiro tempo. O que significa que o corte humilhante que Diego Milito aplicou em Van Buyten, no lance do segundo gol italiano, aconteceu em nossa frente.

Sem comentários.

O jogo foi ótimo, melhor do que eu imaginava.

Obviamente, Milito merece todos os elogios. O argentino se transformou no primeiro jogador a marcar nos três jogos decisivos de uma tríplice coroa na Europa.

Se pensarmos que isso aconteceu na noite em que a Internazionale matou uma saudade de 45 anos, o feito parece maior.

Mas se dependesse de mim, o prêmio de melhor em campo seria duplo. Cambiasso fez uma partida gigantesca.

Julio Cesar fez duas defesas magníficas . A primeira delas (a outra foi no chute de Robben, desviado de mão trocada), evitando com os pés o gol de Muller, provavelmente decidiu o jogo. Era o primeiro minuto do segundo tempo. Um empate ali e tudo poderia ser diferente.

É impressionante como JC é bom em lances como esse, bem perto do gol. Ele tem reações instantâneas, precisas, como se as coisas se movessem mais devagar.

O futebol italiano viveu mais uma noite de alegria no Santiago Bernabéu. Em 1969, o Milan saiu da casa do Real Madrid com o título europeu. Em 1982, a Itália foi campeã do mundo.

Agora, após 45 anos de espera, a Inter conquista a UCL.

Jamais uma equipe alemã ganhou o principal torneio europeu de clubes, em qualquer formato, numa decisão disputada num estádio espanhol.

Perguntei ao presidente Massimo Moratti, que comprou o clube em 1995 com o único objetivo de repetir a vitória de seu pai, Angelo (que era o presidente quando a Inter foi campeã europeia pela última vez), qual foi o primeiro pensamento dele no momento que o jogo acabou.

“Que minha família foi útil à Inter”, ele respondeu.

Deixe de lado a política do futebol e pense apenas no torcedor que ele é.

Bonito, não?



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