COLUNA DOMINICAL



José Mourinho disse ontem, à rede de TV italiana Sky, que está deixando a Inter e indo para o Real Madrid.

O jornal Sunday Times, da Inglaterra, foi o primeiro a publicar a informação em sua página na internet. O acordo foi selado na madrugada de sexta-feira, entre os presidentes Florentino Pérez e Massimo Moratti.

A reportagem também informa que o contrato tem duração de 4 anos, e que o salário de Mourinho será de 10 milhões de euros por ano. É o maior contrato de um técnico na história do futebol. O Sunday Times diz, ainda, que o brasileiro Maicon seguirá o caminho do treinador. O Real Madrid também quer Steven Gerrard, do Liverpool, e Daniele de Rossi, da Roma.

Mourinho não voltou para Milão com a Inter. O anúncio oficial de sua contratação deve acontecer até quarta-feira.

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(publicada ontem, no Lance!)

MUY ESPECIAL

A imprensa espanhola estava ansiosa por um contato direto com José Mourinho. Desde que ele declarou ao Diário Marca que gostaria de treinar o Real Madrid, os jornais da capital falam mais no português do que na final da Liga dos Campeões. A entrevista coletiva de ontem parecia o momento perfeito para o ataque.

Primeira pergunta, e nem o deixaram respirar. A resposta saiu em italiano, pausado e perfeitamente compreensível. “Depois que o jogo acabar, é vida nova. Copa do Mundo, férias na praia, férias na montanha. Mas até o árbitro apitar o final, não penso em outra coisa”.

O que se comenta é que Mourinho tem tudo acertado com o Real Madrid, a ponto de já indicar futuros contratados, como o argentino Diego Milito e o brasileiro Maicon, ambos da Internazionale de Milão. Publicamente, o técnico apenas confirma que seu futuro não está na Itália. E garante que não precisa de muitos incentivos para seguir sua carreira em outro país. “Onde houver um campinho de futebol, jogadores e uma bola qualquer, serei feliz. Essa frase não é minha, mas é isso”.

O Real Madrid estaria disposto a lhe oferecer um pacote um pouco mais luxuoso: o mais ostentador centro de treinamentos da Europa, jogadores a escolher e 15 milhões de euros por ano. Deve ser o suficiente.
Dizem que boatos são fatos prematuros. O intrigante é que enquanto as especulações ganham força a cada dia, o Real Madrid tem um técnico. O chileno Manuel Pellegrini ainda não foi demitido, situação constrangedora que o noticiário trata como algo sem importância. Se é verdade que José Mourinho já planeja a montagem do elenco dos merengues, e Pellegrini foi engavetado antes de passar no RH, este é um caso clássico de pirataria futebolística. Perto dele, treinadores brasileiros que se oferecem para trabalhar em clubes onde a prancheta está ocupada parecem juvenis. E estamos deixando de lado o fato de Mourinho, seu empregador e seus comandados estarem envolvidos no jogo mais importante da Internazionale em décadas.

Jogo que pode transformar o português no terceiro técnico a conquistar a Liga dos Campeões da Uefa por clubes diferentes. Distinção que quem o viu começar na profissão não poderia prever, mas não surpreende. É o caso de Louis Van Gaal, que teve Mourinho como assistente no Barcelona. O técnico do Bayern de Munique, adversário do pupilo na decisão de amanhã, percebeu que estava diante de alguém “diferente” logo no primeiro contato. Em 1997, Van Gaal foi chamado para uma reunião com Josep Nuñez, presidente do clube catalão, na qual foi convidado para substituir Bobby Robson. Mourinho, que chegara ao clube pelas mãos do inglês, estava na sala e não gostou muito da notícia. “Ele ficou bem bravo, gritava na sala”, contou Van Gaal na entrevista coletiva do Bayern, ontem. Se o motivo da reação foi a demissão do chefe, ou uma promoção que não veio, não ficou claro.
Mourinho poderia ter saído do Barcelona. Preferiu ficar. Trabalhou “como um animal”, em suas próprias palavras, sob Van Gaal por três anos, e aprendeu que “ninguém alcança nada sem esforço”.

Seu próximo passo parece planejado. E não estou falando do jogo de logo mais.



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