CAMISA 12



(publicada ontem, no Lance!)

GÊNIO CALADO

Não sei o que você pensa, mas Zinedine Zidane está no top 3 dos jogadores que eu vi. Se há gênios no futebol, e felizmente há, o francês é um deles.

Aqui em Madri, ZZ é um imortal. O gol que ele marcou na final da Liga dos Campeões da Uefa 2001-2002 é repetido incessantemente em todas as telas de TV do Museu do Real Madrid. O fantástico sem pulo de pé esquerdo que acertou o ângulo e vitimou o Bayer Leverkusen é considerado o mais belo gol da História das decisões da UCL.

Pelo golaço, e por tudo o que representa, Zidane é um dos embaixadores do jogo do próximo sábado. E presença obrigatória nos eventos organizados pela Uefa e seus patrocinadores. Ontem, ele apareceu para jogar uma partida de showbol com adolescentes, num campinho de grama sintética montado no mesmo local onde o troféu da Liga dos Campeões está exposto. Alguns dos garotos ficaram tão impressionados que olharam para a mão direita depois de cumprimentar o craque, como se não acreditassem que tinham tocado num mito.

Zidane está em forma, quase aos 38 anos. Lógico que a garotada não ofereceu resistência, mas o goleiro adversário levou uma entortada, só na ginga de corpo, que ele não esquecerá. Na verdade, ninguém esquecerá de nada do que viu.

Fui lá tentar entrevistar Zidane para a ESPN. Qualquer resposta sobre Internazionale x Bayern, sobre Copa do Mundo, talvez até sobre José Mourinho treinar o Real Madrid, já faria da empreitada um sucesso absoluto. Não havia nada programado para que ele falasse, o que geralmente resulta em frustração do repórter, mas como não pagar para ver?

No momento em que Zizou saiu da quadra, um corredor de seguranças se formou para evitar qualquer aproximação. Mas deu para chamá-lo e perguntar o que ele pensava sobre a final de sábado. A resposta não exigiu muito tempo de edição: “Vamos ver o que acontece”, e Zidane passou.

Segunda tentativa, no caminho para o carro, no meio dos fãs: “Zinedine, para o Brasil…”. Dessa vez ele nem olhou. Englobado por uma pequena multidão ávida por fotos e autógrafos, empurrado por seguranças que pareciam achar que alguém tentaria matá-lo, o gênio entrou na van e se foi.

Quem não viu Zidane em ação perdeu um valioso volume da biblioteca do futebol jogado com arte. As próximas gerações ouvirão falar dele com a mesma nobreza que se ouve falar de Didi. Quem saiu de casa para vê-lo bater uma bolinha sem compromisso, não perdeu a viagem. Mas quem foi ao evento cumprir a obrigação profissional de ouvi-lo, ficou duas horas sob o sol e conseguiu um espetacular “vamos ver o que acontece”.

Pena, essas coisas são assim mesmo. E pensando bem, o futebol de Zinedine Zidane faz muito mais falta.



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