COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

PATÊ DE FÍGADO

Sim, esta é mais uma coluna sobre Paulo Henrique Ganso. Mas adianto uma promessa: é a última vez que falo nele. Já deu (ou melhor, não deu). A partir de hoje, sempre que o assunto aqui for a Seleção Brasileira, não citarei o nome de alguém que não está na lista final dos 23. A não ser, é lógico, que PHG apareça.

Quem perde tempo com esta página aos sábados, já leu inúmeros elogios ao desempenho do Brasil sob o comando de Dunga. Já leu que a importante missão de construir um ambiente em que os jogadores queiram estar, e gostem de estar, foi completada com sucesso. Já leu que a Seleção Brasileira é hoje, provavelmente, o time mais competitivo do mundo. E que, sob a ótica dos resultados, esta segunda “Era Dunga” é inatacável.

Escrevi e acredito em tudo isso, assim como acredito que nenhuma outra seleção (nem a Espanha) chegará à África do Sul com melhores chances teóricas de sair de lá campeã. Porque ninguém se defende e contra-ataca como o Brasil. Do Dunga. O raciocínio inverso também vale: o sistema do time é tão coletivo, tão independente de brilhantismos individuais momentâneos, que a chance do Armagedon é menor.

Menor, mas existe. Especialmente num torneio curto, influenciável por tantas circunstâncias, como a Copa do Mundo. A convocação anunciada na última terça-feira, uma das mais contestadas da história da Seleção Brasileira em Copas, tem um grande trunfo: produzirá o time mais “cascudo” dos últimos tempos, no sentido da força mental, da noção de grupo, do suor deixado na camisa. Some isso à qualidade tradicional do jogador brasileiro, e você terá percorrido metade, ou até um pouco mais, do caminho. O ponto é que dava para ser melhor.

Nesse aspecto, já falamos de Ronaldinho Gaúcho e de Neymar. A ideia é basicamente a mesma. O diferente, o imprevisível, o lance inesperado que pode mudar um jogo. Há vários argumentos contra a presença deles, todos usados na entrevista coletiva pós-convocação. Contra Ganso, pesam duas “verdades”: a inexperiência e a necessidade de excluir alguém que, aos olhos da comissão técnica, merece mais.

É necessário respeitar a formação de um grupo, os relacionamentos que se constroem e fazem a força de um time de futebol. Isso não se discute, e ficou claro na entrevista que Lucio, o capitão do time, deu recentemente a este Lance!. Ao dizer que o lobby por Neymar era ruim para o astro santista, Lucio avisou que ninguém seria convocado “de fora para dentro”. Neymar é extrovertido, saliente, tem pose de craque internacional. Talvez não se encaixasse.

Ganso? Ganso pouco fala, aparece menos ainda. Mas tem personalidade suficiente para tomar atitudes limítrofes como a cutucada em Ronaldo e a recusa a sair de campo. Tem maturidade para liderar seu time em momentos de pressão, para jogar o que jogou contra o Grêmio, no dia seguinte ao não de Dunga. Como reagiu à decepção? Colocando a bola no peito de Robinho, aos 38 do segundo tempo, na jogada do gol que tirou o Santos do buraco na Copa do Brasil. Ganso é um jovem jogador pronto.

Não, ele nunca jogou na Seleção principal. Não, não podemos prever como responderia em plena Copa. Mas a questão é: por que um técnico iniciante, cuja carreira começou pelo topo da pirâmide, usou o argumento da inexperiência para não convocar PHG?



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