CAMISA 12



Nos últimos dias, o Lance! inaugurou mais um espaço de opinião.

A página “Camisa 12” traz, diariamente, textos de “velhos” e novos colunistas.

Fui contemplado com as quintas-feiras, o que significa que agora tenho duas colunas semanais no jornal.

A segunda coluna era um objetivo antigo. Ótimo perceber que o jornal também achou uma boa ideia.

Assim como faço com a coluna da contracapa de sábado (publicada aqui no blog aos domingos), a partir de hoje a sexta-feira será o dia da Camisa 12.

A estreia foi ontem.

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(publicada ontem, no Lance!)

CADA UM NA SUA

Peço licença a Jorginho, auxiliar-técnico da Seleção Brasileira, para continuar o debate que ele iniciou na terça-feira, depois da convocação para a Copa do Mundo. Refiro-me à resposta enervada na qual Jorginho bradou “… se a Seleção chegar à final da Copa, isso é importante para você, é importante para mim, é importante para todos nós. Queridos, quantos de nós somos empregados por causa disso?”.

A partir do “queridos”, está errado. Muito errado. Para jornalistas que vão a uma Copa do Mundo interessados em exercer jornalismo (parece redundância, mas não é), o destino da Seleção Brasileira não faz diferença. A menor. Para o emprego desses jornalistas, o impacto do desempenho do Brasil num Mundial é nenhum. Deixe-me repetir: nenhum.

Agradeço ao Jorginho pela oportunidade, em nome da melhor compreensão do relacionamento profissional entre jornalistas e Seleção, de explicar como as coisas funcionam do lado de cá da zona mista. E aproveito para dizer que nós torcemos, sim. Por notícias, por histórias interessantes, por boas condições de trabalho. Torcemos por hospedagem confortável, por comida saudável, viagens fáceis, deadlines generosos. E torcemos pela Seleção Brasileira, principalmente quando a vitória nos ajuda em termos logísticos. O que significa dizer que, acima de tudo, torcemos pelo nosso trabalho.

Jorginho deve se lembrar do momento embrionário do grupo que irá à África do Sul: a Copa América de 2007, na Venezuela. Mesmo em meio a tantas rusgas no jogo de perguntas e respostas das entrevistas coletivas, ele ficaria impressionado se soubesse quanta gente torcia pelo time na primeira fase. O Brasil jogava mal, mas se fosse o líder de sua chave, permaneceria em Puerto La Cruz, onde o trajeto do hotel ao treino já era conhecido, os melhores lugares para comer já estavam identificados, a lavanderia na rua de trás prestava um bom serviço.

Lógico que não é só por isso. Não há nada de errado em torcer pelo Brasil, “na pessoa física”. Pelas lembranças da infância, pela boa relação com esse ou aquele jogador, pela identificação que se tem com o nosso futebol. Desde que a “pessoa jurídica” não deixe de fazer as perguntas e as críticas que são necessárias. Se a Seleção vai bem ou mal, nada muda nessa obrigação. E mais: a Copa do Mundo não fica menos importante com a ausência do Brasil.

O sentimento de que “a imprensa deve ajudar a Seleção” é resultado do encontro da incapacidade de receber críticas com a atuação vergonhosa de jornalistas que não trabalham. Estes, os preguiçosos, estarão por perto, como sempre, batendo palmas para tudo que a Seleção fizer.

Mas, cuidado: quando contrariados, eles são os primeiros a virar a casaca.



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