COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O TAL FATOR HUMANO

“No tempo do Eurico isso não aconteceria”, disse o colega de redação, durante uma conversa sobre a eliminação do Vasco da Copa do Brasil. Felizmente foi uma frase jocosa, humorística, não uma defesa das trevas. Meu colega se referia à interessante atuação do árbitro Evandro Rogério Roman, quarta-feira passada, quando o Vasco foi prejudicado diante das vestes de São Januário.

Para quem não viu: o Vasco tinha de vencer por três gols. Fez 1 x 0 com Magno, aos 11 minutos, e sofreu um baque logo depois. Aos 18, Roman marcou pênalti de Nilton em Neto Berola, num claro e exemplar lance de “oportunidade óbvia de gol de um oponente se movendo em direção ao gol, negada por infração punível com falta ou pênalti”. Desculpe o legalês, é que essa é a tradução literal do texto da regra (não, ela não fala nem nunca falou em “último homem”) que recomenda a expulsão do jogador faltoso. Cartão vermelho exibido ao volante vascaíno.

Interrompemos a descrição dos fatos para um comentário: foi pênalti. Roman é um árbitro com um currículo de estragos tão volumoso que seria melhor dizer que ele não assina súmulas, mas boletins de ocorrências. Mas acertou tanto na marcação como na expulsão. Por sorte, vale dizer. A imagem da TV mostrou que ele estava pessimamente mal posicionado para decidir. Longe, muito longe do lance. Tão longe que Nilton e Neto Berola eram como roupas dentro da máquina de lavar. Impossível distinguir as peças. Mas, repito, ele acertou. O problema veio depois.

De volta aos fatos. O goleiro-artilheiro Viáfara cobrou o pênalti e empatou, o que deixou a Colina à espera de um milagre: fazer mais três gols, e não tomar nenhum, com um jogador a menos. Tecla do avanço rápido: Ramon, aos 2 do segundo tempo, Vasco 2 x 1; Rafael Cruz expulso, aos 14, igualdade numérica; pênalti para o Vasco aos 29 minutos.

O que nos leva ao ponto central do jogo e da frase do meu colega. Elton cresceu na frente de Viáfara. O goleiro do Vitória foi fintado e derrubou o atacante vascaíno. Oportunidade óbvia de gol? Sim. Infração punível com falta ou pênalti? Sim. Cartão Vermelho? Não, Roman deu amarelo. Por quê? Só ele pode dizer e, como se sabe, árbitros estão proibidos de explicar suas decisões. Mas temos uma tese. O que pegou foi a parte do texto que fala em “oponente se movendo em direção ao gol”. Para fintar Viáfara, Elton deu um tapa com o pé esquerdo na bola. Seu movimento no instante da falta não era diretamente para o gol. Em se tratando de um drible, parece óbvio, não? É preciso desviar do adversário. O que importa é saber se, não fosse derrubado, Elton teria a bendita “oportunidade óbvia de gol”. E a resposta para essa pergunta, amigos, é um sonoro sim.

Carlos Alberto fez 3 x 1, aos 31 minutos. Se Roman usasse o mesmo critério da expulsão de Nilton, um jogador de linha do Vitória vestiria as luvas, pois não havia mais substituições. O Vasco teria um tempo razoável para fazer o gol decisivo, contra um goleiro genérico.

É por causa de jogos como esse que o “fator humano”, usado pela FIFA para vetar a arbitragem eletrônica, estraga o futebol.



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