COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

EU SOU VOCÊ, ONTEM (?)

É aquele momento que só jogadores profissionais de futebol, que tiveram a sorte de disputar uma Copa do Mundo, sabem o que significa. A hora do hino nacional. Times perfilados, banda no campo. O coração bate forte, daquele jeito que dá para ouvir, e o cérebro tenta processar uma quantidade de emoções que só os chips mais potentes agüentam.

Paulo Roberto Falcão, o volante que todos os volantes queriam ser, conta a história da noite em que passou por isso. Sevilha, 1982. O hino tocava e ele só pensava em uma coisa: “Essa Copa tem de ser a minha. Tenho de jogar muito para provar a injustiça que sofri”, lembra.

Injustiça. O Brasil inteiro se sentiu assim quando a convocação final para a Copa de 1978 saiu, sem o nome do camisa 5 do Internacional. Ele ainda não era o Rei de Roma, mas já era bicampeão brasileiro, já tinha uma Bola de Prata (1975) e estava a caminho da primeira Bola de Ouro. “Eu não me lembro se havia um clamor popular, nas ruas, pela minha convocação”, diz Falcão, “mas no meio do futebol todo mundo me considerava um jogador pronto para disputar a Copa, e eu sabia que merecia ir. Eu deveria ir”.

Não sabemos o que aconteceria na Argentina se o técnico Cláudio Coutinho tivesse levado Falcão ao Mundial. Sabemos apenas o que aconteceu. O 0 x 0 com os anfitriões, em Mar Del Plata, praticamente selou o destino e o terceiro lugar da Seleção Brasileira. De todos os jogos que Falcão viu pela TV, foi naquele que ele mais se viu. “Era um jogo para alguém que tinha as minhas características. A Argentina jogava no 4-3-3, tinha muito espaço no meio de campo. Eu via o jogo e pensava no que poderia fazer”, recorda.

Ele não foi o único. Em fevereiro de 1979, o Internacional foi à mesma Mar Del Plata jogar um torneio amistoso. César Luis Menotti, técnico campeão do mundo com a Argentina, acompanhou os jogos e quis saber por que o Brasil tinha deixado “esse camisa 5” em casa.

Você é capaz de imaginar para onde essa conversa vai, não é? Falcão também. “Tu quer fazer um paralelo com o Neymar, né?”, ele pergunta. Respondo que sim, mas só entre as situações, jamais entre os jogadores. E emendo a questão fatal. Você levaria? “O futebol que ele está jogando é brilhante, espetacular. Se me perguntarem se eu o quero no meu time, eu digo que quero amanhã. Mas Copa do Mundo é uma competição diferente, que pode assustar um jogador. E só as pessoas que o conhecem bem podem dizer se ele está preparado”, diz Falcão.

Há duas grandes diferenças. Falcão tinha 25 anos em 1978, jogava na Seleção desde 76. Neymar tem 18, zero convocações. “E o Dunga tem mantido a linha de só convocar quem já mostrou que pode jogar na Seleção, independentemente da situação desses jogadores em seus clubes”, ressalta Falcão.

Verdade. Posso concluir então que você não… “mas como são 23 jogadores, acho que dá para correr o risco e levar, sim. Se o guri explodir na Copa, ótimo. Se não, ele terá uma experiência importante para a próxima. A Seleção ganha dos dois jeitos”, completa.

Saberemos no próximo dia 11.



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