COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

JOGOS DO PODER

O principal motivo para a antecipação da eleição no Clube dos 13 era a renegociação do contrato de TV do Campeonato Brasileiro. Se o mandato de Fábio Koff chegasse até o fim do ano, a próxima versão da galinha dos ovos de ouro dos clubes já teria sido discutida, e uma troca de guarda não faria tanto sentido. Por isso, foi a oposição que iniciou o movimento para antecipar o pleito.

Quando a situação percebeu, concluiu que o tempo era inimigo. Se a chapa de Kléber Leite/CBF tivesse tranquilidade para “trabalhar a bola”, a migração de votos seria decisiva. Koff e aliados trataram de acelerar o processo, para minar o avanço da propaganda concorrente (só como exemplo: você acha que o Coritiba, em plena discussão sobre a interdição do Couto Pereira, se sentiria à vontade para votar contra a CBF?). Deu certo, mas, obviamente, não foi fácil.

A história a seguir mostra um pouco (bem pouco) do jogo político do nosso futebol, ainda mais surpreendente do que o próprio futebol. Como se verá, foi checada com os principais envolvidos, e teve a colaboração de uma fonte que só falou com a coluna sob a condição de permanecer anônima.

No dia 24 de março, Fábio Koff tinha um café da manhã marcado, a convite de Andres Sanchez, no restaurante do hotel em que costuma se hospedar em São Paulo. Mas não foi com o presidente do Corinthians que Koff se encontrou, e sim com Eurico Miranda. “Eu não sabia que ele estaria lá. Conversamos por mais ou menos meia hora, e até fomos juntos para o aeroporto”, disse Koff, por telefone. “O Andres não apareceu”, completou. No domingo passado, Koff declarou a este Lance! que tinha caído “numa arapuca” armada por Sanchez, opinião mantida por ele em conversa com a coluna. A divulgação na imprensa de “um encontro” entre ele e Miranda dá ao dirigente gaúcho a certeza de que a cena foi produzida por Andres Sanchez. “Só não sei o que ele ganhou com isso”, conta Koff. Deixemos isso para daqui a pouco.

“Se ele te falou isso, é um mentiroso”, brada Sanchez, do outro lado da linha. “O café da manhã que eu combinei com Koff eu tomei. Foi antes disso, quando ele falou que o São Paulo estava na chapa dele, e eu falei que estava fora”. O cartola corintiano sugere uma confusão de palavras e horários. “Marquei um café com ele, não um café da manhã. Se ele achou que era de manhã, foi um mal-entendido”, explica, sem contemplar o fato de Eurico Miranda ter ido ao hotel quando Koff estava lá.

Mas o que a chapa de Kléber Leite, apoiada pelo Corinthians, teria a lucrar com a publicidade de um papo entre Koff e Miranda, em pleno processo eleitoral no C13? “Talvez o voto do Vasco contra mim”, imagina Koff. Teria lógica, num colégio eleitoral de apenas 20 clubes. Mas nossa fonte anônima discorda. “O Vasco já estava com a oposição, por vingança. Koff negou a eles uma cota (de TV) de Série A, quando o Vasco caiu. O objetivo desse encontro forjado era prejudicar a imagem de Koff”. Como? “O Eurico significa muita coisa. Ser visto com ele pode despertar nas pessoas o desejo de algo novo, entende?”

Aparentemente, não funcionou.



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