COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SOBRE MENINOS E HOMENS

Dorival Júnior só precisou dos primeiros minutos, do primeiro treino, para perceber que era um técnico de sorte.

O Santos iniciava sua pré-temporada, num dos campos do CT Rei Pelé. Gramado reduzido pela metade, grupo dividido em dois times, treinamento de dois toques. O que Dorival viu aqueles jogadores, recém-chegados das férias, fazerem com a bola, o levou a interromper o exercício para uma rápida conversa com Ivan, seu auxiliar. “Você está percebendo a qualidade do treino?”, perguntou Dorival. “Eu montei os times e disse a eles que o objetivo era apenas ficar com a bola o máximo tempo possível, mas respeitando os dois toques. Cada time conseguia dar doze, trezes passes, e a bola simplesmente não saía pela lateral”, conta o treinador à coluna. “Naquele momento eu vi que o grupo de jogadores do Santos era tecnicamente muito bom”, completa.

Capacidade técnica não é garantia de nada, mas é o começo de tudo. Para um treinador no começo de um trabalho que pode ser um divisor na carreira, talvez não haja nada mais empolgante do que a descoberta de brilho no trato com a bola. Mas a versão 2010 do Santos tinha mais um opcional de luxo: a irreverência de quem não quer separar trabalho de diversão, a despreocupação de quem ainda tem muito a aprender, mas sabe que tem tanto, ou mais, a mostrar. Fórmula que pode ser explosiva, quase uma garantia de overdose de analgésicos para quem precisa comandar. Dorival Júnior ainda não recorreu, uma vez sequer, ao paracetamol. “Se deixar, eles brincam o dia inteiro. Mas na hora de trabalhar, o grupo todo tem mostrado muito profissionalismo”, garante. A coluna insistiu no tema, quis saber qual era o traço do comportamento “dos meninos” que mais chamou a atenção de Dorival. “Interessante você perguntar isso”, disse ele, “o que mais me impressionou foi a maneira séria como eles encaram o trabalho, por isso conseguimos os resultados até agora”.

Ênfase no “até agora”, já que número de jogos decisivos que o Santos fez, contra times do mesmo pedigree, é igual ao número de problemas que a juventude do elenco causou a Dorival: zero. A última fronteira para descobrirmos o que está acontecendo na Vila Belmiro será cruzada a partir de amanhã, no Morumbi. Júnior conta que a chegada das semifinais do Campeonato Paulista não muda em um milímetro o que o time tem feito em termos de preparação. “Sequência natural. Se você me perguntar se o Santos está pronto para ser campeão, eu vou te dizer que está mais maduro do que no ano passado. E vou te dizer também que, se não acontecer agora, não vai demorar”.

Em um jogo de futebol, nada é impossível. Em dois, o time que está “mais quente” geralmente prevalece. O Santos ainda tem os resultados iguais e a Vila no confronto decisivo. Nos dois próximos domingos, os meninos serão separados dos homens, como já vimos tantas vezes. Ou os meninos se tornarão homens, como o próprio Santos nos mostrou em 2002.



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