NA FAIXA



Números que chegaram num e-mail de um antigo leitor deste blog, que, como sempre, agradece.

Atenção:  não se trata de comparação de campeonatos, condições de estádios, nível e horário dos jogos, preços de ingressos… nada disso. Nem mesmo a máfia das carteirinhas de estudantes entra na conversa, pois, obviamente, ela não atua em apenas um lugar.

Mas veja:

Corinthians 4 X 3 São Paulo – Pacaembu

Público: 23.372 pagantes (24.557 presentes)
1.185 pessoas entraram sem pagar ingresso
Pagantes:  23.372 – 95,17%
Não Pagantes: 1.185 – 4,82%

Vasco 3 X 0 Fluminense – Maracanã:

Publico: 13.096 pagantes (19.607 presentes)
6511 pessoas entraram sem pagar ingresso
Pagantes: 13.096 – 66,79%.
Não pagantes: 6.511 – 33,21%

No Pacaembu, para cada 19,7 pagantes, tivemos uma gratuidade.

No Maracanã, para cada 2,01 pagantes, tivemos uma gratuidade.

Pergunta do blog: qual é a explicação?

Por favor, se você sentir uma tentação irresistível de falar em bairrismo, comente em outro lugar.

Além do leitor que enviou os números ser carioca, quem conhece minha opinião sobre os estaduais sabe o que penso a respeito do Campeonato Paulista.

Só mais um exemplo, fresquinho: o público pagante de Botafogo 4 x 1 Boavista, em São Januário, foi 797 torcedores.

O público total foi 1.232.

O que é mais assustador? Menos de 800 torcedores pagarem ingresso para ver um jogo do Botafogo, ou o fato de que 35,3% das pessoas que foram ao estádio (435) entraram de graça?



  • Leandro Azevedo

    Andre,

    Os Socio-Torcedores, supondo que os clubes cariocas tem essa categoria de torcedor, entram no bordero como pagantes? Pq em alguns lugares esses ST sao tratados de maneiras diferentes no bordero. E se no Rio tiver algum tipo de promocao como em Recife (TCN a troca de notas fiscais por ingressos), por exemplo, pode ser uma razao.

    Eu sei que em jogos do Ceara (cito pq eh o sistema que conheco), os ST entram no bordero mas na categoria de estudante, o que consta no publico pagante.

    Abraco

  • Alexandre Reis

    André, não sei se ainda é assim. Mas os idosos acima de 65 anos não pagavam ingresso aqui no Rio e nem as crianças menores de 07 anos (não tenho certeza da idade da criança).

    E isso sempre aumentou o numero de entrada gratuita no Maraca.

    Agora vc iria se assustar se eles divulgassem o numero de convidados.

    Abs

    Alexandre reis

  • Anna

    O mais assustador é ter tanta gente entrando de graça. 🙁 a máfia da carteirinha de estudante falsa está com os dias contados. Pelo menos, é o que dizem. 😉

  • Rodrigo

    André, pegando no pé do Campeonato Carioca de novo e puxando o saco do Paulistinha? Bela porcaria é essa imprensa brasileira…

    Calma, calma, tô brincando… rs

    Aqui em Campinas não sei se mudou, mas até o ano passado quem era sócio-torcedor do Guarani reclamava da desvantagem de participar do projeto, pois era mais barato comprar meia entrada do que ajudar o clube se engajando nessa empreitada – a meia entrada era vendida pra qualquer um. No caso da Ponte, exigiam a carteirinha para comprar o ingresso e para entrar.

    Sinceramente, me parece que no Rio esse problema todo começou no Brasileiro do ano passado… era isso mesmo?? []s

  • Fred Ferreira

    Na verdade, o que eu acho mais impressionante é a imbecilidade de se marcar um jogo em uma 2a. feira ás 19:30…

  • Leonardo atleticano

    André, não levanta essa lebre meu caro, eles vão começar a chorar e ameaçar não fazer mais a copa do mundo e as olimpíadas. Isso não tem outro nome, é bagunça pura, desorganização, carteiras falsas a profusão, maracutaia e malandragem.

  • Marcelo David Macedo

    André, meia-entrada entra como gratuidade nessa contagem? Porque estudante não tem direito a entrar de graça, e sim de pagar metade do preço…

    Aqui no Rio, tem muita influência política no ato de ir ao estádio. Se você é conhecido do oficial da PM, entra de graça; se conhece alguém na Suderj, a secretaria de esportes do estado, entra de graça; se é um camaradinha do deputado, do vereador, idem.

    Minha noiva mora em Sâo Paulo, portanto, me divido entre as duas cidades. Sou carioca, apaixonado pela cidade, pelas pessoas, mas essa lógica do “jeitinho”, do “levar vantagem”, aqui é demais. Em São Paulo vejo que é diferente – não que isso tudo não exista, só digo que é em escala muito menor.

    Bom, ficou grande o que escrevi… mas espero ter ajudado. Um abraço.

  • Massara

    Este tipo de notícia me faz sentir um trouxa por pagar mensalmente por um plano de sócio-torcedor.

    Nosso país é lamentável.

    Abs.

  • Anna Terra

    Bem, independente do fato de muitos convidados dos clubes entrarem de graça no Maracanã (isso sim, um desrespeito), no setor azul do estádio (e somente nele) idosos com mais de 65 anos, crianças com menos de 07 anos e deficientes físicos tem direito a gratuidade. Essa medida dá um diferencial ao setor, que é bem tranquilo, pois os pais que tem filhos menores ou de menor condição econômica levam seus filhos nesse setor, além de inúmeros idosos que são. Na minha opinião, isso não é nada demais, não pode ser configurado como um desrespeito. Difícil é o torcedor pagar 30 reais, no mínimo, toda vez pra ir ao estádioEu pago meia entrada no Maracanã e não sou colocada dentre os que entram de graça.

    AK: Nada contra a gratuidade a idosos e crianças, é claro. Nos estádios de São Paulo, crianças menores de 12 anos e idosos com mais de 60 também não pagam. A explicação para o que acontece no Rio não pode ser essa. Um abraço.

  • Carlyle Coimbra

    André, acho que não tem nada pior que o campeonato Carioca, e não é por bairrismo não, é porque todos (imprensa) tem de falar dele e não tem o que dizer então aja galo pra cozinhar. Mas eu tenho uma opção, não é só o Carioca que é chato tirando o Paulista que os clubes são mais ou menos os outros são de doer, então porque não acabar com os estaduais e unir campeonatos tipo: carioca e mineiro, Gaucho e Paranaense e etc.., um campeonato Carioca e Mineiro com 14 clubes teriamos muito mais emoção e com melhores clubes disputando não é verdade.

  • thiago

    o pior é ter ido alguém. eu não vou nem que me paguem !

  • Francisco Luz

    André, aqui no RS os menores de 12 anos não pagam, e geralmente dá uns 1000 não-pagantes por jogo. Obviamente nunca fiz um censo, mas o grande número de crianças que se vê nos arredores e arquibancadas faz crer que o motivo é este.

    Não sei se no Rio ou em SP os pais não costumam levar os filhos como aqui, mas é o que conheço de Porto Alegre, heh.

  • João Daniel

    Bom dia AK.
    Eu sei q vc ja perguntou ai em cima, mas tb pergunto: oq explica esse tanto d gente entrando d graça??
    e como a FIFA faz pra regular pra q isso nao aconteça na Copa??

    Abçs

    e parabens pelo trabalho

  • Masterdik

    Bem observado, Carlyle Coimbra. Em 2002 tivemos o Rio São Paulo, a Copa Sul-Minas, acho que a Copa do Nordeste. Os jogos eram interessantes, havia grandes públicos, pois (pelo menos no Rio-SP) vários jogos eram grandes clássicos nacionais (se não me engano eram os 4 do Rio, os 4 de SP, o Santos, a Ponte Preta, o São Caetano e o Ameriquinha). Os clubes fizeram boas rendas, a fórmula de fase de grupos seguida de semifinais agradava quem não gostava de pontos corridos. Curíntia foi campeão contra o freguês cativo… mas isso nem foi o mais legal. Era um campeonato bacana mesmo. Pro ano seguinte, a cartolagem estadual, temerosa de perder poder, forçou uma forma de reeditar os estaduais, com inchaço de clubes. Em 2004 e 2005 o Paulista bolou uma tediosa fórmula de turno único de 19 clubes… puxa, bem que poderiam retomar esses torneios regionais!

  • Fernando Cordeiro

    André, se não me engano, funcionários públicos estaduais entram de graça no Maracanã, que é um estádio do estado…

  • Reinaldo Soares Estelles

    Como disse o Fernando Cordeiro, concordo com os regionais, já que estes seriam torneios-tampão (como são os estaduais hoje) de janeiro a abril, com menos jogos e mais diversão. No entanto, o que interessa mesmo é o Brasileiro e a Copa do Brasil em território nacional, sem falar da Libertadores, claro.

    Quanto ao assunto do ingresso (pago ou não) em estádios de futebol, realmente o jeitinho carioca chega a ser irritante quando se trata de levar vantagem em cima dos outros, como aponta o Marcelo David Macedo. Mas aqui em Brasília há coisa pior: em jogos que importam (equipes grandes de outras capitais quando visitam a Capital) o preço dos ingressos fica o mais caro do Brasil, a organização e o policiamento são ridiculamente amadores em promover a segurança dentro e fora do campo (lembram do São paulo campeão em 2008 no Gama?) e o gramado fica apinhado de gente que conhece gente que conhece gente… um circo!! Suspeito que o os espetáculos do Coliseu eram mais organizados que os das arenas modernas(?) brasileiras… e lá, sim, podia-se entrar de graça!

    Abração,

    Reinaldo, em Brasília enlameada

  • Ricardo Medeiros

    André pow… O seguinte é que a população de idosos e crianças no Rio é maior… HahaHAHahaHAhaha… (brincadeira,claro)

  • Marcos Vinícius

    Olha,rapaz,no caso do jogo do Botafogo,levemos em consideração o seguinte:O percentual de gratuidade só foi alto pq o público foi muito pequeno.Suponhamos que houvessem trinta mil pagantes.Claro que o numero de gratuidade seria maior,mas o percentual,em se comparando com o número de pagantes,seria mínimo.

    Um dos grandes problemas nos jogos do Rio é a distribuição de ingressos para as torcidas organizadas.O clube paga para ter o “apoio” de alguns torcedores nas arquibancadas.E isso,infelizmente,não acontece apenas no Rio de Janeiro.Isso está mais evidenciado agora,como eu disse antes,pelo baixíssimo número de presentes nos estádios.

    No dia que acabarem com a farra dos ingressos gratuitos para as organizadas teremos um menor público presente,mas um maior pagante.

  • Iuri Lapsky

    Caro André, ótimo post. Realmente o assunto não é privilégio de ninguém, acho que é um mal atávico que nos afeta em todas as dimensões, ‘o clientelismo’.
    Essa praga parece não ter cura, quando alguém denuncia surgem soluções Geniais, como por exemplo meu glorioso Coxa. Aqui para justificar tantas gentilezas injustificáveis, agora eles contam assim: público pagante X não pagante (pessoal de serviço, seguranças, policiamento, imprensa, etc…) X, ou seja, misturaram os que trabalham com os patrícios e resolveram a querela.
    Abraços,

  • Gustavo

    Faz tempo que os jogos no Rio são essa festa. É só conferir os públicos do Flamengo no Brasileirão passado. Milhares viam os jogos sem pagar.

    Imagina só na Copa do Mundo como vai ser. Metade do Maracanã vai ser tomada por “convidados”…

  • Marcelo

    Dê uma olhada no borderô da partida do Palmeiras contra a equipe do Piaui. Estádio lotado e borderô vazio. Veja também que nos borderôs do Rio de Janeiro, os clubes são responsáveis pelo pagamento das contribuições dos juízes para a Cooperativa e Sindicato do Rio de Janeiro, cujo presidente é o mesmo da Comissão de Arbitragem da Federação. A contribuição deveria ser do juiz para as entidades e não o clube ser o contribuinte.

  • Sergio

    Parabéns pela sua coluna.

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