CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Marcelo escreve: Pouco mais de um ano depois do retorno de Ronaldo ao futebol brasileiro, realizou mais de 40 jogos e vinte e tantos gols. Gostaria de saber, na sua opinião, se em algum momento ele teve preparo físico suficiente para atuar em um clube de alto nível na Europa. Se a resposta for não, o que explica o fato de ele ter espaço no Brasil? O futebol no Brasil é inferior fisicamente ou é carente tecnicamente e o Ronaldo compensa o físico com sua técnica diferenciada?

Resposta: O melhor período do Ronaldo foram os dois meses de 2009 em que o Corinthians decidiu e ganhou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil. Não dá para afirmar se aquele jogador teria vaga num time de alto nível da Europa, meu palpite é que não. Não por algo relacionado à parte física, mas porque esse time teria de jogar como o Corinthians, ou seja, em função do Ronaldo e sem qualquer participação dele no sistema defensivo. Tecnicamente, o Ronaldo é um dos maiores jogadores da História, e teria lugar em qualquer time. Aqui no Brasil, mesmo distante do patamar físico ideal para ele (o daqueles dois meses do ano passado), ele tem condições de fazer diferença justamente por causa do talento. Em linhas gerais, os melhores jogadores do mundo não estão aqui. Os que estão, ou não têm como sonhar com isso ou ainda não chegaram a esse nível. A questão é técnica, não física.

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Marcelo escreve: O que você acharia de um sistema de tranferencias parecido com os das ligas norte-americanas, incluindo trades e free angents?Será que poderia funcionar?

Resposta: Em tese, não há motivo para não funcionar. Mas muita coisa precisaria mudar por aqui. Legislação específica, estrutura das competições e, principalmente, a relação entre clubes e jogadores. Nos Estados Unidos, existe um contrato coletivo de trabalho, documento que rege os compromissos entre as partes, que é um acordo entre os donos das franquias e o sindicato dos jogadores. Nós ainda estamos muito longe desse nível no Brasil, se é que um dia veremos algo assim.

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Gustavo escreve: Você falou que o Dunga segue a política de “privilégio zero” no tratamento com a imprensa. O PVC, a quem considero outro exemplo de lucidez, afirmou que o técnico privilegia um canal fechado de tv. Como você se sente ao cobrir a seleção?

Resposta: Escrevi que o Dunga assumiu a Seleção com um discurso de “privilégio zero” no trato com a imprensa. Ele declarou isso várias vezes, até para explicar que, em sua visão, recebia mais críticas do que merecia da TV Globo justamente porque tinha cortado algumas “regalias” que a emissora sempre teve. Posso te afirmar que, em comparação com “outras administrações”, realmente a cobertura da Seleção hoje é muito mais, digamos, equilibrada. Mas isso não significa que não exista diferença de acesso a determinado veículo. É ruim, mas é um direito do treinador. O Dunga não vai aos programas da ESPN, por causa das críticas. Mas vai aos do SporTV. Não há muito o que fazer em relação a isso. Como me sinto cobrindo a Seleção? Muito bem. Não há restrição alguma ao nosso trabalho de reportagem.

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Vinicius escreve: Sou advogado e sei que a legislação de trabalho do jogador não tem algo especifico. Então, para estrangeiros no Brasil se usa a regulamentação normal da CLT, onde 30% é o limite para uma empresa ter de funcionários estrangeiros. Trazendo para o futebol, isso significa 3 jogadores titulares. Sempre ouvi essa determinação. Nos dois jogos fora do Brasil do Inter pela Libertadores, vi que jogaram o Pato, Sorondo, Guinazu e D’Alessandro. Acho que no primeiro jogo em casa, não jogou o D’Alessandro, por causa de lesão. Mas, há alguma liberação desse caso por ser fora do país? Há na CBF algo sobre essa limitação? E se for, não seria o caso do Inter perder os pontos?

Resposta: Boa observação. O limite para times brasileiros é mesmo de 3 estrangeiros em partidas oficiais. O Sorondo tem dupla-nacionalidade, naturalizou-se brasileiro em setembro de 2009.

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Como sempre, muito obrigado pelas mensagens. Até o sábado que vem.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)

“- Qual é o melhor jeito de… desarmar uma coisa dessas?

 – Do jeito que a gente não morre, senhor.”

Diálogo entre o Coronel Reed e o Sargento James, em “Guerra ao Terror”.



  • Edouard Dardenne

    Sobre as considerações do Vinicius e a sua resposta, quero apenas observar que o limite de 30% para empregados estrangeiros é calculado sobre todos os funcionários da empresa. Assim, nao deveríamos levar em conta apenas os 11 jogadores, mas todos os funcionários do clube. Nada impede que uma determinada área da empresa conte com mais de 30% de estrangeiros. Um abraço.

  • Anna

    Concordo com o fato de que Dunga pode falar com quem quiser, mas o critério que ele adota, eu não concordo. Não falar porque é criticado. Acredito que as informações tenham que ser divididas de forma igualitária, assim como as transmissões deveriam ser feitas por todas as emissoras, com todo o respeito pela equipe e aparato técnico da TV Globo. A questão é saber se essa lei do silêncio servirá mesmo para todos.

  • David

    Sobre a questao do Ronaldo, faltou especificar algo: espaço na Europa em GRANDES times… pq obviamente que mesmo baleiudo ele teria espaço pra jogar num timinho qualquer mesmo da Espanha ou Italia, sem problemas.

  • Francisco Luz

    André, uma observação: o Inter tem também o Bruno Silva, lateral-direito uruguaio. Mas, na Libertadores, não há limite para um time atuar com jogadores estrangeiros. Por isso, o Inter pode colocar todos em campo.

    AK: É isso mesmo, obrigado. O limite só vale em competições organizadas pela CBF. Um abraço.

  • Leonardo Lopes

    Assistiu ao filme? Ou pegou a frase do trailler?
    Gostou? Achei muito merecido o Oscar… Mas Bastardos também é um baita filme… O duelo de Snipers é marcante…

    Abraço.

    AK: Ainda não vi nenhum. Minha carreira como frequentador de cinemas vive um drama. Um abraço.

  • Marcelo Bonatto

    Valeu A.K. pela resposta sobre o sistema de tranferências
    Abraço.

  • ricardo medeiros

    Hoje o Senna faria 50 anos. Daí olhando uns vídeos dele no you tube, achei esse vídeo ai… que nunca tinha visto…
    Olha aê… e diz o que vc acha…

    http://www.youtube.com/watch?v=EOQjYCwgLdE&feature=PlayList&p=83968CFE80EBA310&playnext=1&playnext_from=PL&index=3

    Abraço

  • Paulo Roberto Sanchotene

    Em resposta ao Chico Luz, na verdade, a Conmebol limita a quantidade estrangeiros às regras de cada país. Para os times brasileiros, vale 3.

    Em resposta ao Edouard, eu advoguei para uma empresa que teve problemas com interpretação sobre cotas, se era para basear-se no número total de empregados de empresa, ou apenas àqueles não considerados dentro das atividades especiais.

    Em resposta ao Vinícius (da caixa-postal), se fosse considerar o número de atletas em determinado jogo, os reservas são contados também. Como seriam 18, 30% são 5; não 3.

    Abraço.

  • Teobaldo

    Putz, o Direito é tão subjetivo que chega a ser obtuso (bem, esse é o palpite deste leigo que escreve aos participantes deste blog). Numa questão aparentemente simples, vemos aqui várias colocações. E, ao que parece, todas corretas, pois a lei “permite” várias interpretações. Neste caso, não seria mais simples a criação de uma legislação específica para o futebol estabelecendo a contratação de, no máximo, XXXX jogadores estrangeiros? Saudações.

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