TREINO É TREINO…



Chega a informação, oficial (via assessoria de imprensa da CBF), de que as emissoras de TV que transmitirão a Copa do Mundo não poderão mostrar, ao vivo, os treinos da Seleção Brasileira.

A determinação é da comissão técnica.

Minha primeira curiosidade em relação ao tema foi saciada. Os jornalistas que cobrirão a Seleção na África do Sul já sabem que encontrarão um ambiente muito mais fechado do que se viu na Suíça/Alemanha 2006.

Afinal, essa era uma das missões de Dunga.

O veto aos treinos ao vivo é a primeira indicação de que a coisa pode ser ainda mais restrita do que se imaginava.

Os treinamentos poderão ser gravados normalmente pelas equipes de televisão, o que leva a uma pergunta: do ponto de vista dos jogadores e da comissão técnica, que diferença faz se as TVs estão ao vivo ou não?

A resposta passa por dois aspectos. Em 2006, durante o período de “preparação” em Weggis, o direito de transmitir os treinos do Brasil foi negociado com uma emissora suíça. A transformação das atividades do time num evento internacional ajudou a criar o clima circense que tomou conta do pré-Copa brasileiro.

Negando essa possibilidade a todos, na África, Dunga corta o mal pela raíz.

E se não há transmissão ao vivo, não há unidades móveis de TV por perto, cabos para todos os lados, plataformas de câmeras em volta do campo, ou seja, cria-se um ambiente mais controlado.

A medida também pode ajudar o técnico a manter sua política de “privilégio zero”, lema desde que assumiu o time.

Mas o que me deixa mais curioso não são os treinos (não poder mostrá-los ao vivo afeta apenas a grade de programação das TVs a cabo), e sim como será o atendimento à imprensa.

Na Copa da Alemanha, o acesso a tantos jogadores consagrados internacionalmente era tamanho que surpreendeu os colegas de outros países.

A Seleção Brasileira falou todos os dias, antes de todos os treinos.

Um corredor no caminho entre o ônibus e o vestiário era dividido por seções: TVs brasileiras, TVs estrangeiras, rádios brasileiras, rádios estrangeiras, jornais e revistas brasileiros, jornais e revistas estrangeiros.

Invasões eram tratadas com indiferença no começo, irritação no meio, truculência no final. Lembro de um treino em Konigstein em que havia quase 900 jornalistas. Imagine o clima.

Os jogadores eram obrigados a passar, mas obviamente não tinham nenhuma obrigação de parar e falar.

Ronaldo, Ronaldinho e Kaká falavam dia sim, dia não.

Adriano falou pouquíssimo.

Os demais falavam sempre.

Não sei quais serão as regras na África, mas sei que não será como há quatro anos.

Acho que haverá algum tipo de atendimento diário, mas com jogadores previamente escolhidos, num revezamento.

Mas é só palpite.



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