COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

BLOG MICRO, BARULHO MACRO

Eu estava na esteira, cuidando do coração e do peso, enquanto Real Madrid e Lyon jogavam pela Liga dos Campeões. O iPod não resolve mais o problema. Programas televisivos de baixa qualidade, muito menos. E não é sempre que se tem a sorte de pegar um bom filme no começo. Mas não há companhia melhor do que um jogo de futebol, ainda mais desse nível.

Controle remoto na mão, mudando de Manchester United x Milan para o jogo de Madri, a cada vez que a bola parava. Quando Wayne Rooney encerrou a conversa na Inglaterra com o segundo gol dos Diabos, fui “em definitivo” para o Santiago Bernabéu.

Gol do Lyon, e o Real Madrid “vive um drama”. Raúl González se prepara para entrar, aos 30 minutos do segundo tempo, com os merengues precisando de dois gols. Boa ideia, pensei. O tempo de Raúl já passou, mas no desespero dos minutos finais, era mesmo hora para mais um atacante. Tirei os olhos da tela por alguns segundos, tempo suficiente para não ver, nas mãos do quarto árbitro, a placa com o número do jogador substituído. “Sai Kaká”, ouvi Paulo Soares na ESPN Brasil.

Juro, quase caí. Não deu para acreditar que o técnico chileno Manuel Pellegrini (o mesmo que teve problemas com Riquelme, no Villarreal) tinha cometido o erro colossal de tirar um jogador com as características do brasileiro, com o jogo naquelas condições. Kaká não fazia a partida dos sonhos, ao contrário. Mas com apenas um atacante do Lyon para marcar, Pellegrini poderia – deveria – ter escolhido um zagueiro, um lateral, um volante. Com a ausência de Kaká, a missão de levar a bola ao ataque caiu nos pés do espetacular Rafael Van der Vaart…

Diogo Kotscho, assessor de imprensa de Kaká, fez mais do que apenas lamentar a decisão. Foi ao teclado e disparou em seu perfil no twitter: “Técnico covarde sempre tira um jogador cobrado para tentar tirar o foco da própria incompetência”. Naquele momento, Kotscho tinha cerca de 700 seguidores em seu microblog. Quando a mensagem foi republicada pela mulher de Kaká, Caroline, kabooom! Mais de 15 mil seguidores, entre eles muitos jornalistas espanhóis, transformaram uma opinião em notícia instantânea. E das quentes. A frase de Kotscho foi interpretada como uma declaração de Kaká.

“O Kaká ainda estava sentado no banco quando postei a mensagem. Não tinha como ele ter falado comigo, e ele não precisa de mim para dizer o que pensa. Ali no twitter, sou torcedor, dou minha opinião”, diz Kotscho, incomodado com a proporção do episódio. “O legal do twitter é que as pessoas falam como se estivessem numa mesa de bar. Se cada palavra for vista como oficial, perde a graça”, argumenta.

O Real Madrid não deve ter achado muito engraçado, mas, convenhamos, tem problemas maiores para resolver. Kotscho continua empregado, o que comprova que não houve crise com o “chefe”. “Mas, infelizmente, acho que não vou fazer isso de novo”, diz ele. “É muito barulho”.

Kotscho nega que tenha sido uma estratégia para desviar a atenção. Seus seguidores no twitter já são mais de 2 mil.



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