CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Alejjandro escreve: Se o Brasil for hexacampeão na África do Sul, levará definitivamente a Copa do Mundo (uma vez que a ganhou 3 vezes: 1994, 2002, 2010)?

Resposta: Não. A chamada “Taça Fifa” não ficará definitivamente com nenhum país. Nela, há espaço para a gravação dos nomes dos países campeões, que ficam com o troféu até o Mundial seguinte.
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Marcelo escreve: Na sua opinião, ser técnico da seleção sob direção de Ricardo Teixeira significa ser de certa forma cúmplice dele, ou o técnico não tem nada com isso pois tem liberdade para exercer seu trabalho sem interferência?

Resposta: “Cúmplice” é uma palavra muito forte, eu diria, em qualquer sentido. O técnico da Seleção Brasileira é subordinado ao presidente da CBF, que é quem o escolhe, o avalia, e, em última análise, pode demiti-lo. Essa questão da interferência no trabalho é difícil de avaliar, e depende muito da situação e da pessoa envolvida. Antes de 2002, consta que Scolari assumiu com a chamada “carta branca”, ou seja, livre para fazer o que quisesse ou livre para não fazer o que não quisesse. Pode ter sido uma condição imposta pelo técnico e aceita pela Confederação. Já Dunga foi chamado para fazer um trabalho mais longo, de formação de grupo e recuperação do relacionamento dos jogadores com a Seleção. O caso da convocação de Ronaldinho Gaúcho para a Olimpíada de Pequim é um exemplo de como as coisas podem acontecer. A “verdade” mais aceita é a de que Teixeira deu a ordem para levar o RG para Pequim, mas há quem garanta que foi uma decisão de comum acordo, apenas divulgada pessoalmente pelo cartola.

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Tibúrcio escreve: Pegando carona no caso Adriano e cia, pergunto se a MLS possui código de conduta como há na NBA, MLB e NFL? Não conheço este código por completo, porém sei de  algumas punições, como exemplo, o uso de drogas fora do ambiente esportivo, comportamentos ilegais como dirigir embriagado, obrigação de estar em jogos do time mesmo contundido. Você acha que este modelo rígido das ligas americanas seria aplicável no futebol europeu pelo menos? quanto ao mercado brasileiro…

Resposta: Nos Estados Unidos, de forma geral, as ligas esportivas tratam com rigor os problemas ligados a imagem, delas e dos clubes. O que um jogador pode e não pode fazer está bem explicado nos contratos de trabalho, sendo que algumas cláusulas são obrigatórias em todos os compromissos. Quando algo acontece, o clube pode punir de diferentes maneiras. Há casos (como o de Gilbert Arenas, do Washington Wizards da NBA, que guardava armas em seu armário no vestiário do ginásio) em que a punição é determinada pela própria liga, com base nas normas que ela regulamentou e nas leis americanas. As diferenças em relação ao que acontece no resto do mundo são gigantescas, principalmente por causa do modelo de gestão e da estrutura das ligas americanas. Mesmo na Europa, no futebol, o paternalismo no tratamento aos jogadores é explícito. Por aqui, então…

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José Ricardo escreve: Sem querer julgar se o comportamento do Adriano é profissional ou não, qual sua opinião sobre a forma como o Flamengo falou publicamente sobre o problema particular do seu jogador?

Resposta: Um absurdo. Pareceu uma tentativa de “livrar a cara” do clube, eximindo-se de qualquer responsabilidade. Nenhuma instituição, em qualquer segmento, tem o direito de expôr esse tipo de situação pessoal. É mais um exemplo do despreparo que caracteriza a esmagadora maioria dos dirigentes esportivos brasileiros.

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Uma vez mais, obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

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“Se você ameaçar meu filho, estará ameaçando a mim.”

Leigh Anne, em “Um Sonho Possível”.



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