COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

E OS MEIAS SERÃO…

Quando a maior polêmica sobre a Seleção Brasileira, às vésperas de uma Copa do Mundo, não é uma polêmica, percebe-se como as coisas estão calmas. Bom sinal, claro. Resultado de um trabalho eficiente, também. Dunga pode se mostrar contrariado quase sempre que se vê diante de um microfone (exceção feita às entrevistas nós-fazemos-a-assistência-e-você-faz-o-gol, que conhecemos bem), mas o fato é que seu período na cadeira mais quente do futebol mundial tem sido suave. Mérito dele.

A tal “polêmica” é, apenas, uma pergunta: você levaria Ronaldinho Gaúcho para a África do Sul? É parte de qualquer conversa sobre a Seleção e, independentemente das opiniões, é perda de tempo. Não importa o que você ou eu pensamos. Não é nossa decisão. Só há um cara chamado Dunga (quer dizer, há mais um, mas ele trabalha numa mina de diamantes e não tem nada a ver com a CBF), e ele não gosta de falar no assunto.

Quando fala, não fala. Às vezes, joga frases misteriosas no ar, como quando diz que a Seleção “precisa de jogadores que atuem os 90 minutos”, o que pode ser compreendido como uma porta fechada a quem é capaz de decidir jogos em um. É isso? Se é, craques estão fora. Pois fazem, num lance, o que os comuns não fazem em carreiras inteiras.

Noutras vezes, Dunga reclama da criatividade dos interlocutores, que “fazem as mesmas perguntas e ouvem as mesmas respostas de sempre”. Uma referência ao caso Scolari/Romário/2002 (mais sobre isso em instantes), que ignora que hoje o técnico é outro, o jogador em questão é outro, e a pergunta cabe. Fora que a melhor maneira de acabar com a repetição é respondê-la.

A propósito: não compre a comparação entre os episódios. No caso de 2002, todo mundo sabia (ainda que ninguém dissesse) por que Romário não iria à Copa. Houve um problema e uma decisão coletiva. Entre Ronaldinho Gaúcho e a lista de Dunga há, só, uma opção. Que deve ser absolutamente respeitada se tiver motivos técnicos, táticos ou de formação de grupo. Critérios que são prerrogativas de qualquer treinador, que não necessitam de segredo. Mas quando alguém se recusa a falar sobre algo…

Veja, não há nenhum motivo que nos faça crer em uma bola preta a Ronaldinho. Ele não tem relacionamentos fraturados com ninguém, nem simboliza tudo aquilo que Dunga foi chamado a varrer do mapa da Seleção. A coisa com ele, como diria Jair Picerni, “é campo”. A diferença entre o jogador que foi e é. E que dá pinta de querer ser de novo. É impossível que Dunga não esteja atento.

Por isso, aqui vai o que nós achamos que acontecerá: todo mundo tem visto Ronaldinho jogar bem pelo Milan nos últimos meses. Não é nada sobrenatural, mas é bom. E já há algum tempo. Dunga sabe do que o Gaúcho é capaz, e da falta que faz alguém assim (o número de fazedores de diferença na Seleção é menor do que o de governadores do Distrito Federal) no grupo dele. Já que não há a necessidade de observá-lo, a ausência de seu nome nas listas serve ao propósito de manter Ronaldinho interessado.

Até que, na última convocação…



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