CAIXA-POSTAL



Aos assuntos da semana:

Roberto Carlos escreve: Você foi um dos entusiastas da candidatura do professor Belluzzo para a presidência do Palmeiras, da gestão que se esperava ser um exemplo a ser seguido e está sendo uma das piores em comparação aos demais rivais, você esta decepcionado?

Resposta: Eu não diria que fui um “entusiasta” da candidatura do Belluzzo, mas sim alguém que comemorou sua eleição para comandar um dos maiores clubes do Brasil, justamente por se tratar de uma pessoa diferente. E continuo achando que, apesar de tudo o que aconteceu desde então certamente ser decepcionante, o fato de a honestidade de Belluzzo não ser posta em dúvida ainda o diferencia da maioria de seus pares. Escrevi aqui que Belluzzo poderia falhar, mas que não seria por defeito de caráter. Continuo acreditando nisso. Creio, também, que a avaliação deve ser feita quando seu mandato terminar. Claro que por enquanto o saldo não é bom.

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Jorge (entre muitos) escreve: O que você achou da demissão do Muricy Ramalho e da contratação do Antônio Carlos?

Resposta: A demissão do MR foi a atitude mais fácil a ser tomada, caminho que é escolhido pelos dirigentes brasileiros quando as coisas vão mal. O que é mais fácil não é necessariamente o melhor. Eu não demitiria o Muricy, agora. Não acho ruim a contratação do AC, apesar de ser uma aposta. Ele e o ambiente interno do Palmeiras terão de aprender a conviver juntos.

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Tiago escreve: Quem seria mais útil para a seleção brasileira? Hernanes ou Diego? Teria lugar para os dois?

Resposta: Confesso que estranho o fato de Hernanes não ser convocado. Talvez o Dunga tenha desistido dele. Sobre o Diego, parece claro que é uma opção descartada, pois ele já foi observado várias vezes, até mesmo em competição. Acho que pelas possibilidades de escalação, o Hernanes teria como contribuir mais. Lugar para os dois? Não. No momento não há lugar para nenhum…

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Luciano escreve: André, sei que você não costuma falar sobre golf, mas poderia comentar tudo o que aconteceu com o Tiger Woods e as desculpas públicas de ontem?

Resposta: Cara, eu achei uma grande bobagem, um teatro desnecessário. Se o Tiger Woods, um dos principais esportistas do planeta, tivesse cometido algum crime, vá lá. Convoca uma entrevista coletiva, pede desculpas a todos, segue a vida. Mas o que o fato de ele ser um marido infiel, ou viciado em sexo, tem a ver com alguém que não seja a família dele? A “cultura das desculpas” é uma característica da sociedade americana, praticamente uma obrigação para que figuras públicas possam “superar seus problemas” e “recomeçar a vida”, mas não acho que as infidelidades de um esportista sejam o caso. Ocorre que não há mais separação entre o que é notícia e o que é, apenas, fofoca. E o “jornalismo de celebridades” está aí para revelar quem bebe, quem usa drogas, quem aposta no jogo e quem trai. Cada veículo de comunicação precisa decidir como agir diante de cada “escândalo”. O que mais me incomodou no discurso de Woods é que ficou muito claro que aquilo ali se tratava de um movimento de marketing e, consequentemente, financeiro. Um primeiro passo para recuperar a imagem, reposicionar-se aos olhos da opinião pública e voltar a ser alguém em que as empresas decidirão investir. Na mesma declaração, ele se desculpou pelos erros cometidos, mas disse que eles apenas dizem respeito à sua família. Uma contradição que não compreendo.

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Obrigado pelas mensagens. A conversa continua no sábado que vem.

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“Paranóico é o que eles dizem que você é, quando querem que você baixe sua guarda.”

Mark Whitacre, em “O Desinformante!”



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