FOI DIFÍCIL VOLTAR (mas por outro motivo…)



Estávamos há uns dez minutos dentro do avião, quando um funcionário da companhia aérea foi me buscar em meu assento.

“Onde está o recibo da passagem da criança?”, ele queria saber, com tom de “onde você escondeu minha carteira?”.

O quê? Perguntei, incrédulo.

“O recibo. Ela tem de pagar 10% da tarifa.”, explicou o diligente rapaz, com tom de “minha carteira, você roubou minha carteira”.

Resposta óbvia: “Eu sei disso. Eu paguei.”

“Mas você precisa me mostrar o recibo, se não vai ter de pagar aqui”, insistiu o delegado, ou melhor, o funcionário da companhia aérea.

Resposta (ainda mais) óbvia: “Eu não sei onde está o recibo, nunca vi ninguém andar com recibo de passagem aérea, e não vou pagar um dólar, companheiro”.

“Vamos falar com o supervisor”, ele decretou.

Antes da sequência da história, ilustração: minha filha mais nova tem menos de 2 anos. Ela viaja sem assento, pagando 10% do valor da tarifa. Estávamos dentro do avião, ou seja, já tínhamos passado pelo check-in e pelo portão de embarque. Se eu consegui fazer tudo isso sem ter comprado uma passagem, não mereço uma conversa com o supervisor. E sim um prêmio das agências de segurança aérea, por expôr uma falha grave. Em todo o caso, saímos do avião, com o maluco dizendo que ou eu mostrava o recibo, ou teria de pagar.

De volta ao portão, o rapaz relata a situação ao supervisor, que comete a insanidade de me perguntar se eu tinha o recibo. Um pouco contrariado, emendei algumas questões em sequência:

“Por que você não pede para ver o recibo da minha passagem? Ou o da minha mulher? Ou o dos outros passageiros? Passa pela sua cabeça que eu cheguei até aqui com uma criança sem passagem? Eu não tenho que te mostrar recibo nenhum. Se você quiser olhar no sistema para checar, ótimo. Mas não vou pagar duas vezes”.

O primeiro funcionário, o delegado, mostra-se prestativo e checa o sistema. “Não tem a informação aqui”, ele diz, “vou ligar para o fulano…”

Ele liga, o fulano atende, e ouve o relato do problema de pode tirar a companhia do vermelho.

“Ah… hum… yes… oh… ok”, ele resmunga.

Eu daria minha vida para saber o que o fulano falou (e teria um ataque de riso de uns 15 minutos se fosse algo assim: você poderia me explicar como esse passageiro chegou ao avião sem ter comprado uma passagem?!), mas o fato é que o delegado olhou para mim e disse que eu poderia retornar ao avião.

“Gostaria de ouvir a palavra mágica”, solicitei.

E o supervisor: “Lamentamos o inconveniente, senhor”.

Ainda bem que eles não trabalham na segurança…

______

Muito bem, as férias terminaram na semana passada. Mas só mesmo o retorno ao Brasil me deu a sensação de voltar à rotina.

E para brindar a primeira noite em casa, tem Libertadores e Copa do Brasil.

Falaremos sobre elas amanhã, na primeira edição das “Notinhas Pós-Rodada” de 2010.



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