SANTOS PROIBIDOS NO SANTOS?



Num contato esporádico com o “mundo real”, durante as férias (que, felizmente, ainda estão no começo), leio que a nova diretoria do Santos prepara um manual de conduta para seus jogadores.

Uma das normas tem a ver com religião.

Terreno perigoso, foi a primeira impressão.

Certeza de polêmica e incompreensão, foi a segunda.

Mas que ninguém acuse a iniciativa de autoritarismo ou perseguição, porque será uma injustiça.

O Santos pretende padronizar o comportamento de seus atletas (se você torce o nariz para “comportamentos padronizados”, somos dois. Mas infelizmente esse é um caminho sem volta), quando eles estiverem em público representando o clube.

Isso significa que não será mais permitido fazer “pregações durante entrevistas coletivas”, por mais estranho que algo assim possa parecer.

Um clube está mais do que certo ao se preocupar com o uso de sua marca em situações que não sejam, necessariamente, do seu interesse. Um jogador com o uniforme do Santos, na sala de imprensa do Santos, à frente de um painel com as marcas dos patrocinadores do Santos, é o Santos.

Ele pode falar o que pensa a respeito de determinados assuntos, desde que o clube não julgue que a sinceridade dele atrapalha. Essa é a noção que está por trás de todas as entrevistas em que um jogador/técnico/dirigente avisa que “vim aqui para falar só sobre futebol”. Antes de chegar, ele foi devidamente “brifado”.

No que diz respeito a manifestações religiosas, o manual do Santos serve para que os jogadores se considerem “brifados”.

Mas na prática, não será fácil. Excluindo-se a hipótese um tanto quanto excêntrica das “pregações durante entrevistas coletivas” (imagine um jogador, voltando de lesão, respondendo assim uma pergunta sobre os dias em que ficou parado: eu gostaria de pedir a todos que se ajoelhassem e se unissem a mim num agradecimento coletivo, pela graça da minha cura, em nome de…), como proibir alguém de fazer uma citação qualquer, seja qual for o assunto da conversa?

Times de futebol, e de outros esportes também, congregam os mais variados tipos de personalidades, histórias de vida, visões de mundo. A religião é dos poucos aspectos que unem pessoas tão diferentes. E os clubes brasileiros sempre incentivaram o lado espiritual dessa convivência.

Você conhece algum em que não se reza o Pai Nosso, a plenos pulmões e com “entonação militar”, antes de um jogo? Já entrou em algum vestiário em que não havia imagens de santos protetores?

Eu não.

A questão está longe de ser simples. Expandindo (bem) o quadro, ela está na raiz de problemas muito mais graves do que o comportamento de jogadores de futebol.

Não que o Santos esteja errado, entretanto.

Em nome da melhor compreensão possível: não sou religioso, mas tenho minhas crenças e não me meto nos princípios de ninguém. Essa é uma parte da vida em que não há certo e errado.

Mas é evidente, em alguns casos, que não basta ter fé. É preciso falar dela.

E aí começamos a nos desentender.



  • Edouard Dardenne

    Tema delicado esse. Acho que houve bom senso. Não passa pela minha cabeça qualificar a conduta do Santos como de perseguição religiosa, etc, embora eu saiba que seguramente haverá quem pense assim, e haverá também aqueles ‘jornalistas’ que, embora não pensem absolutamente, usarão o tema para fazer barulho.
    O Santos está no direito dele ao fazer estas limitações. Religião não é diferente de outras inclinações políticas. Trata-se de uma convicção que revela uma filosofia de vida, e que, por isso mesmo, pode gerar polêmicas indesejáveis.
    Eu sou ateu, mas defendo o absoluto respeito às crenças religiosas, sejam elas quais forem. Mas, repito, não me ocorre que a opção do Santos represente qualquer tipo de ofensaà liberdade de crença de seus empregados.
    Um abraço.

  • Paulo

    Os Santos fazem parte da história do futebol latino e principalmente, brasileiro. Devem ser respeitados por aqueles que insistem em assegurar que apenas fatores racionalmente explicáveis determinam o sucesso e o fracasso no esporte das multidões. Em todo torneio existe mandinga, macumba e pedidos de devoção. A paixão se entrega ao querer a todo custo e os ideais do esporte acabam ficando muitas vezes em segundo plano. 2010 será o ano do guerreiro e herói São Jorge (por quem tenho todo o respeito), totalmente identificado com o Todo Poderoso Timão do Bando de Loucos, do Presidente Lula e do petista Andres Sanches. Até que ponto, todo este poder, somado aos poderosos “investimentos” realizados pelo Corinthians, serão suficientes para a conquista da tão sonhada e até obrigatória primeira taça Libertadores de América? Não sabemos, mas também não duvidamos. Kia Joorabchian e Boris Berezovski parece que ainda mandam por lá, apesar do afastamento do “laranja” Alberto Dualibi. De outro lado, Boca, Ríver e Palmeiras não estarão participando de uma eventual palhaçada, repleta de “jogos de cena”… Afinal de contas, no futebol, na vida e em ano político, toda vez que se faz um grande investimento, não se pode enfrentar riscos e nem lidar com fracassos. São muitas as variáveis escolhidas. É esperar e conferir! Afinal de contas, talvez os grandes sejam realmente grandes quando tem de lidar com seus insucessos…

  • Marcello Queiroz

    Caro André,

    Sou corinthiano, mas como TORCEDOR DE FUTEBOL vejo a implantação desta cartilha como algo positivo dentro do dia-a-dia de um clube. Vale lembrar que a cartilha desenvolvida pelo SFC não se restringe apenas à aspectos religiosos mas também a outras normas e condutas que devem ser respeitadas por seus atletas.
    A complexidade em tratar do tema religião no âmbito esportivo se deve principalmente também a dificuldade de se trabalhar este tema em nosso cotidiano, uma vez que muitos tem ainda dificuldade em aceitar pessoas de religiões e crenças diferentes da sua. Por isso a busca por parte do Santos de uma padronização do comportamento de seus atletas em relação ao tema
    Abraços

  • Anna

    Não concordo, mas respeito. Tenho minha fé e ia ficar chateada se não pudesse proferi-la. Porque não há como medir o que vamos falar, quando se trata de Deus. Falamos dele porque cremos nele… Não achava Roberto Brum exagerado e ele foi afastado por professar sua fé. Achei injusto com ele. Sei que o Estado é laico, mas não acho certo tirar crucifixos de fóruns. É uma ótima discussão essa.

  • Hey André!

    Não vi a notícia, mas imagino que algo como “restrições” não deveriam se restringir somente à opinião religiosa de cada um. Exemplifico: toda empresa que se preze tem que ter duas coisas básicas: regra para quem fala em nome da empresa, e, caso autorizado, o que fala em nome da empresa. Aqui onde trabalho, por exemplo, somente os executivos e o depto de MKT têm a liberação para falar em nome da empresa. E, internamente, entre os “colaboradores”, certos tipos de e-mails/manifestações podem ser passíveis de punição, como propagandas políticas, piadas ofensivas/preconceituosas, expressão religiosa etc. Creio que isso deveria se estender a toda instituição séria, seja ela pública, privada, ONG, times de futebol, associações etc. etc. etc.

    Inclusive, os clubes poderiam criar regras na hora da comemoração dos jogadores, ao invés da FIFA.

    Bem, é minha opinião.

    Grande abraço!

  • Carlos Bueno

    Parece que o Santos está entrando numa era ditatorial. Infelizmente, um presidente eleito em uma eleição democrática, está tentando impor uma ditadura. É inconcebível o cerceamento de pensamento e ideologias, seja ela política, religiosa ou qualquer outro pensamento ou opinião. Alias, como toda boa democracia, no Santos não foi diferente. Passado as eleições começaram a aparecer as mentiras. Em entrevista a Rádio Globo Luiz Álvaro afirmou que o Santos não deve fazer nenhuma contratação bombástica para o primeiro semestre do ano. Segundo ele, a situação financeira do Peixe causa preocupação.
    – Nesse primeiro momento não há condição financeira de passar o limite do orçamento. Sempre disse contrataremos quando o fundo de investimento estiver certo, e ele estará no meio do ano. O discurso de campanha era de que o Santos já tinha um grupo de investidores e uma quantia razoável para contratações.
    A montagem do elenco começou mal. Já estão querendo pisar no calo do Fabio Costa, um dos poucos atletas em condições de ser titular da equipe. Wesley e Roberto Brum serão reintegrados, dois jogadorezinhos medíocres que não estão à altura do Santos. Contrataram um técnico barato, isso poderá custar caro. Renovaram o contrato do perna de pau Germano e parece que não estão preocupados em mandar logo o Pará embora. Trouxeram de volta o Geovane, mas até agora não contrataram um geriatra. Cadê um centro avante a altura das tradições santistas? É melhor parar por aqui para não me aborrecer ainda mais.

  • Leonardo Lopes

    Fora do Tópico…

    Boston x Miami !!!

    Ponte Aérea… 6 DÉCIMOS…

    Acho que acordei todo mundo…

    Que Coisa…

  • Shao

    Eu concordo com o que o Santos está fazendo. Principalmente quando o assunto é religião. Algo delicado, que para evitar confusão a maior recomendação é simplesmente não falar sobre isso. Eu sei que pode soar como “ditadura” o que digo mas vivemos num mundo onde á uma intolerância religiosa muito forte. E outra coisa mais importante: Quando falamos de religião, estamos falando de algo muito intimo de cada um, é praticamente como falar de família ou de opção sexual.
    Por exemplo: Kaká nas suas vitórias importantes (principalmente títulos, momento mais importante para o CLUBE que ele representa) tira a camiseta e mostrar por baixo a famosa frase “I belong to Jesus”. Agora vamos imaginar que o Zezinho da Silva, jogador também famoso que também joga num time muito importante ao comemorar seu título, ou seu gol aos 47 do segundo tempo, tira a camisa e por baixo está escrito “Deus não existe”. Como as pessoas irão reagir?
    Nem Kaka, nem Zezinho da Silva estão certos, pois não é certo que alguém nos faça engolir goela abaixo sua opção religiosa, sendo isso como disse algo tão intimo.

    Bem isso sem falar no coitado do clube que á o mais lesado nesta história toda. O que o Santos está fazendo (Como disse nosso amigo Alejjandro) é simplesmente o que todas empresas já fazem.

    Abraços

  • Carlos Futino

    Acho interessante. Fica um pouco engraçado pelo contraste com o nome do time (eu sei que o nome do time é em homenagem à cidade, mas não deixa de ser engraçado), mas é importante que organizações se preocupem com o que seus funcionários expressam quando as representam. Torcedores que não partilhem da fé de um jogador podem se sentir mal ao ver seu time (na coletiva o jogador fala pelo time) falando em Deus de uma forma diferente da sua.
    Pelo mesmo motivo, sou favorável à retirada de símbolos religiosos dos órgãos públicos. quando está trabalhando, o servidor (e seu ambiente de trabalho) fala pelo Estado, não por sí mesmo.

  • Raphael Silva

    É preciso ter fé e é necessário falar dela.
    Mas, também é necessário ser razoável quanto a quando, onde e como expor a sua fé…

  • Olha, ao ler a manchete, eu também torci o nariz, mas depois de entender o que é o tal ‘comportamento padronizado’, não pude deixar de concordar. Já passou da hora dos clubes se preocuparem com a imagem de seus jogadores, que, por associação, é a imagem do próprio clube. Também achei ótima a idéia de multar o direito de imagem do jogador que tirar a camisa para comemorar gols – é capaz do Santos conseguir um bônus do patrocinador por ‘garantir’ a exposição da marca na hora dos gols.

    Se não me engano, proselitismo é crime se acontecer em qualquer instituição profissional não-religiosa. Assino embaixo o que disse Shao:
    “não é certo que alguém nos faça engolir goela abaixo sua opção religiosa”. Quer venerar Deus, Buda, Alá, Shiva, Zeus, Thor, etc, fique à vontade, mas deixe-nos fora disso.

  • Eduardo Pieroni

    Boa André,este assunto ai é cada um com seu cada um,e não se fala mais nisso.

  • Mauro Domingos

    Em todas as religiões existem bons pastores, padres, lideres… Como existem pastores charlatões, padres pedófilos, líderes cascatas… O problema do evangélico é o exagero. Vou a igreja, rezo, canto, volto pra casa e fico na minha. Não paro ngm na rua pra dizer a ele tem q vir pra minha religião/igreja pq é boa nisso ou naquilo. Presto contas a Deus e fico na minha. Esse item da cartilha parece ser algo de bom senso. Mas como os evangelicos são exagerados…

    Interessante a opinião da Ana q comenta ‘q ficaria chateada se não pudesse proferi-la’. Na minha opinião, é válido proferir, desde q quem vai escutar aprove.

    Acho q o bom senso, respeito, tolerância e educação tem q prevalecer sempre…

  • Vagner Luis

    Há que se ter bom senso… Apesar de evangélico, acho que Roberto Brum exagerava, sim. Mas não há mal algum em, por exemplo, agradecer a Deus, simplesmente, pela cura de alguma lesão, ou se referenciar a ELE em algum outro assunto. Tomara que tenham bom senso em discernir “falar de Deus” com “pregação religiosa”, o que são coisas que, apesar de parecerem iguais, são bem diferentes.

  • Klaus

    Pôxa, tirar o “Graças a Deus” e “se Deus quiser” dos discursos dos atletas reduz em 50% o que eles vão falar antes, durante e depois do jogo. Sabe que não é má idéia. Para “padronizar” mais ainda, umas aulas de concordância verbal e nominal faria bem… Cada uma que inventam. Um abraço.

  • alessandro

    Acho que fé e futebol não se misturam, mas dessa forma as entrevistas serão apenas de “o grupo tá unido…estamos “se” preparando bem, seguindo as orientações do professor..eeeee respeitando sempre o adversário, esperamos ter um bom jogo e obter a classificação que é nosso objetivo”.
    abraço,

  • Ricardo Pires

    Excelente tópico André. Acho sim que os clubes de futebol devem tomar determinados cuidados, principalmente porque muitos atletas agem como se tivessem sofrido uma lavagem cerebral. Tudo é Deus. Nada é mérito deles próprios ou de seus companheiros de time. Um exagero.

    Um bom exemplo de como as coisas podem funcionar sem maiores turbulências é o Kaká. Todos sabem de sua fé e como ele de fato considera Jesus o maior responsável por seu sucesso. Mas ele já diminuiu e muito sua euforia e se contém muito mais. Nunca o vi glorificando forças divinas em demasia. Já fez, mas alguém no Milan ou mesmo de sua acessoria particular deve ter lhe aconselhado a tomar mais cuidado.

    Tendo em vista que a religião como instituição de fé já serviu e serve de motivos para guerras, sangue e eterna discórdia, cabe ao futebol talvez abster-se e manter o foco no que realmente interessa: a arte de jogar bola e a alegria que ela proporciona.

  • SILAS SANTOS

    Sou cristão e palmeirense e, muito embora não entenda como alguém possa viver sem uma crença que transcenda às coisas deste mundo, é inegável que o ser humano tem que ter e observar regras de conduta para que possa conviver em paz – consigo e com os demais. A liberdade de expressão também deve ser delimitada ao direito de outros quererem ouvir o que se propõe e acima de tudo há o senso comum que todos deveriam ter e exercitar. As regras de conduta de uma empresa são válidas e devem ser acatadas, observadas as situações no âmbito profissional. Ninguém pode ser proibido de ter, exercitar e propagar suas crenças religiosas fora de seu ambiente de trabalho e quando não esteja falando em nome da empresa ou de assuntos que a ela estejam direta ou indiretamente ligados. Embora não conheça do inteiro teor da “cartilha”, ao que me parece, a “padronização de comportamentos” estabelecida pelo Santos não vai além do campo estritamente profissional e, portanto, absolutamente pertinente.

  • Andre,

    Não vejo ditadura,vejo apenas um recado indireto ao Brum. Para não fazer o que fez o Luxerley, inclui-se o item na cartilha.

  • ANDERSON

    OLA
    Concordo com a decisao da diretoria do Santos , em relaçao ao tema religioso e principalmente em proibir os jogadores em tirar a camisa do clube em comomoraçoes , gostaria de saber sua opniao sobre a grande quantidade de jogadores com mais de 30 anos , fato q a pouco tempo nao ocorria com esse numero elevado , ao q se deve isso , ao baixo nivel tecnicos dos clubes no Brasil , ou a evoluçao da preparaçao fisica e da medicina esportiva , ou ao fato de os jovens jogadores q surgem e vao rapidamente para o exterior mts pra paises de um terceiro escalao futebolisticamente falando como Ucrania , Russia , Turquia , Grecia , Coreia e outros paises e logo estao q uerendo voltar por nao estarem jogando ou outros fatores como adaptaçao .
    Dodo , Roberto Carlos , Viola , Giovani , Loco Abreu e outros sao contratados como grandes atraçoes gerando mta espctativa nas torcidas dos seus referidos clubes , ao q se deve este fato q nao ocorria a pouco tempo atraz ,
    Abraços .

  • Alexandre Jorge

    Acho que a cartilha tem a tendencia de se expandir para outros clubes.
    Os que tem pretensão internacional por exemplo, é só lembrar que a CBF foi advertida quando houve manifestações religiosas na conquista da Copa das Confederações!
    Muita gente achou que não tinha nada demais, porem gostaria de saber se no final alguns jogadores agradecessem a santos de religiões Afro ou reverenciassem AlÁ em direção a Meca, qual seria a reação… Provavelmente grande parte diria que não era o local adequado, etc…
    Em nome da coexistencia, a cartilha tem muita Lógica!
    Obs> EM MINHA OPINIÃO !

  • Gustavo

    Andre,

    Sendo o futebol um esporte coletivo, acho que as conquistas do campo (gols, vitórias, títulos) pertencem ao clube (jogadores, diretoria, torcida). Assim, não simpatizo com a individualização das celebrações, como os recados para esposa, mensagens para o bairro de origem, ou demonstrações de fé nessas horas de catarse.

    Penso, todavia, que o patrulhamento ideológico é mal maior, já que a livre manifestação do pensamento é direito intocável. Não acho, também, que o jogador fale em nome do clube, nem que o clube tenha uma filosofia extra-profissional a ser seguida pelos empregados. Um clube de futebol é muito mais do que uma empresa, uma vez que tem dimensão ilimitada, com torcedores de todo tipo de conduta e pensamento, não cabendo a uma diretoria passageira estabelecer dogmas de comunicação tão em moda no universo corporativo.

    Daqui a pouco vão querer padronizar cortes de cabelo, estado civil dos atletas, convicção política, gosto musical e outras individualidades, e aí toda a espontaneidade que ainda resta no futebol estará perdida.

    Acho que seria mais inteligente uma conscientização dos atletas, que adeririam livremente aos padrões desejados pelo clube. A propósito, todos os jogadores do Barcelona subiram ao pódio no Campeonato Mundial vestidos com o uniforme principal do time, sem virar a camisa pra mostrar o nome nem escrever recados para a turma da comunidade.

    Para concluir, não acredito em proibição que não esteja vinculada a uma consequência punitiva. Ou alguém acha que se um atacante santista fizer um golaço na final do campeonato e ajoelhar para orar será castigado pela diretoria????

    Um abraço,

    Gustavo

  • André

    A Ana disse que o Estado é laico mas diz ser contra a proibicão de crucifixos nos fóruns…

    Minha cara, o Estado está mais do que certo. Se for permitido crucufixo terá que ser permitido imagens de Ogun,Buda,estrela de Davi e milhares de outros simbolismos religiosos para agradar à todos.

    Religião é pessoal. Portanto todas as instituições devem se manter neutras, sejam elas públicas ou privadas.

    Uma coisa é andar com uma imagem de santo dentro da carteira ou um terço no bolso, e outra é colocar imagens religiosas em espaços públicos.

    Cada um que mantenha sua religião para si, qualquer coisa fora disso é exibicionismo e em última análise, é uma hipocrisia por parte do crente pois sua religião seria contra isso.

  • Anna

    André, eu entendo o que diz, mas me incomoda não ver os crucifixos. respeito todas as religiões. Minha irmã de 31 é budista, uma de minhas melhroes amigas é judia, já namorei evangélico( e ele quis que eu mudasse de religião, não o inverso, no way, então… sabe que fim levou,né?). É uma opinião! Obrigada por me citar! Abraço, Anna

  • marina santos

    Penso que teria que acontecer mesmo isso.O futebol está se tornando sim um forte apelo religioso,e daí para se formar grupos dentro dos clubes e seleções passa a ser perigoso.Imagina se cada jogador começar a comemorar de acordo com sua religião,católicos,evangélicos,batistas,muçulmanos,umbandistas etc,passaria a ser mais um motivo de intolerâncias também no esporte podendo gerar problemas dentro e fora de campo.Entendo que religião não deva se misturar ao futebol.Cada pessoa deve ter sua fé,mas apologia a essa ou aquela religião não acho bacana.Ouvi dizer que no Santos tem um grupo que estava se fechando em detrimento dos que não eram da mesma religião,até na seleção brasileira se vê uma predominância religiosa.O mundo já está um caos,e misturar religião com futebol fica complicado.

  • Anna

    André Kfouri, você vai comentar alguma coisa sobre o que aconteceu com a seleção de Togo? Foi horrível o atentado. Abraço, Anna

  • Sou santista, tenho minha fé, e concordo 100% com a diretoria.
    Ditadura seria proibir as pessoas de professarem uma fé, qualquer uma. Só que tudo tem sua hora e local.

    Pelo assunto: tempos atrás, por motivos profissionais, assisti a uma sessão em uma Câmara de Vereadores do interior. Para minha surpresa, além de um enorme crucifixo na sala, e da invocação da divindade pela presidência da mesa na abertura dos trabalhos, tivemos que ouvir a leitura de uma passagem bíblica feita da tribuna por um dos vereadores, o que soube depois ser norma da casa.
    Repito, tenho minha fé, e ela não se choca com a leitura ali feita, mas o meu respeito absoluto pelo caráter laico do Estado Brasileiro me deixou completamente indignado.

  • Alessandro-Palmeirense

    Shao, em linhas gerais eu corcondo com você, mas acho que temos que parar de falar que todo mundo que expressa opinião está querendo nos convencer daquela “verdade” pessoal. Sempre quando alguém fala alguma coisa, geralmente a que não concordamos, temos a tendência de achar que aquilo não é a posição dela, e sim, a posição que ela gostaria que assumissemos. Mesmo que ela só queira se expressar, e não tenha a mínima intenção de nos convencer de nada.
    Afinal, a primeira palavra na camisa do Kaká não é justamente “I”? Porque acha que ele está tentando te convencer?

  • Anna

    Concordo com o Alexandre Palmeirense em gênero, número e grau. Boa! A impressão que dá é que ninguém pode expressar o que acredita. Esse tópico deu panos pra manga!

  • Anna

    Errata: Alessandro Palmeirense. 😉

  • Marquinhos

    André parabens pelo post. Sempre fui fã de Juca Kfuri mas demorei para começar acompanhar seu trabalho. São raros os casos de pai e filho talentosos na mesma profissão, por isso a desconfiança. Descobri que você não é uma sombra de seu pai e já passa de um ano que acompanho seu blog diariamente. Seu blog comprova que é possivel emitir a sua opinião pessoal sobre futebol, cinema, religião sem ser agressivo. Como disse sou fã de seu pai, mas quando o assunto é religião ele é tão fundamentalista quanto o Roberto Brum, os dois defendem pontos de vista contrarios com mesma enfase, tornando os dois iguais. Não sei se os dois estão certos ou errados, mas adoro ver, ler e ouvir entrevistas tanto de um quanto do outro. Todos devem ter o direito de expressar sua fé ou a falta dela.
    Abraços

  • Milton

    Parabéns pelo post. Excelente, conseguiu falar de um assunto bastante polêmico com extremo respeito de parte a parte. Era algo necessário a se falar no futebol aliás.
    Particularmente sou contra esses comportamentos “padronizados” também, mas essa questão da religião me parece que passou um pouco do limite no que diz respeito a muitos jogadores. Talvez seja só isso que precise mesmo, um pouquinho de limite, nada mais.
    A propósito, também não sou religioso mas respeito aqueles que pensam diferente, assim como quero que me respeitem.

  • Gisely

    Sou evangélica e também sou santista e mais que ninguém posso falar disso.

    Quando ouvi e li a respeito fiquei chocada com a decisão da diretoria, mas depois friamente analizei. Será uma ditadura, uma perseguição religiosa ?
    Depois de refletir concluí que se é para todos então não é perseguição.
    Uma vez que todos podem ter suas convicções religiosas, ir nos seus templos, ter seu livro sagrado, só que tem que respeitar as dos outros.
    “E os clubes brasileiros sempre incentivaram o lado espiritual dessa convivência.”

    Nenhum clube é contra tal manisfestação desde que dentro dos limites.

    Parece que o SPFC já tem algo parecido, mas internamente , ao menos na época do Telê eram proibidos manifestações de cunho evangélico, mas os jogadores sempre podiam confessar sua fé.

    A maioria dos atletas são praticantes de sua religião e orar o Pai Nosso é geralmente aceito mesmo pelas outras.

    Não acho que o recado é só para o Brum, para todos, mas também para ele. Não para recriminá-lo, mas até para evitar transtornos e injustiças como a do ano passado.

    Na verdade na maior parte dos clubes brasileiros fazer mandinga e se prostar diante das imagens dos heróis da fé sempre foi permitido, mas hoje em dia não existem só católicos e membros do camdoblé, existem evangélicos, espíritas, muçulmanos,judeus e etc. que nunca tiveram o mesmo direito de manifestar sua fé .Será justo isso ?
    Já pensou se na preleção ou entrevista coletiva o cara resolver ao invés de falar do time ou só agradecer a DEUS simplesmente, o cara resolve dizer que tem certeza que já jogou naquele time quando era outra pessoa e o outro diz que não acredita nestas coisas, só em Jesus e o outro que Jesus é apenas um profeta e que só Alá é Deus e outro que é ateu.

    Já pensou isto acontecendo em uma Empresa ? Ou num time da Europa ? Já pensou ? Você quer saber do prefeito a respeito das obras contra enchentes e ele começa a dizer uma coisa e o assessor outra ?

    Pois isto estava acontecendo no Santos, conflito religioso, entre outros.

    Já o caso da FIFA é diferente, eles implicam a nossa seleção, mas liberam para as manifestações religiosas da África, se a Lei é para todos é para todos.

    O Kaká demonstra sua fé, mas também joga muito e dá bom exemplo, acaba pregando por sua conduta de vida. E contra isto ninguém consegue ir.
    Evitei falar das contratações, pois o assunto é em relação à religião, deixarei para outra oportunidade.

  • Marquinhos

    Quantas vezes já foi pai-de-santo já foi noticia no Santos levados pela antiga diretoria? Diretor pode?

  • andre

    André,
    Confesso que a “entonação militar” do Pai-Nosso sempre me deixou incomodado…
    Retira toda a beleza da oração, passa realmente uma sensação de que haverá uma guerra, e contribui para a incitação da violência que começa em campo e se espraia nas arquibancadas e arredores de estádios.
    Vc foi muito feliz na expressão, já era hora de alguém observar a deturpação dos “boleiros”, quando o assunto é a fé (ou a demonstração de).
    Abraço,
    Ps. Seu novo blog é ruim (de acessar antes do almoço ou quando se está com fome)…

  • Jefferson Fernando

    Alguns jornalistas são do contra mesmo. Os times de futebol recebem, faturam e fazem girar em torno deles alguns milhões de reais por ano, bem mais do que o orçamento de milhares de prefeituras no país; alguém a propósito deveria fazer um levantamento de quanto cada time de futebol fatura ao longo de um ano e posicioná-lo dentro do cenário economico como uma empresa de médio ou grande porte. Acho que seria uma boa matéria. Voltemos ao assunto em questão. Quando um clube pretende adotar normas para padronizar e valorizar a sua marca, no que o Santos está certo e deveria ser adotados por todos os clubes, voces jornalistas vem com a conversa mole de que não vai dar certo, que esse não é o caminho, e blá….blá……blá……….blá………

    AK: Pena que você não leu o post. Um abraço.

  • Fabiano Paschoalini

    O Brasil é um estado laico? É. Pelo menos parece ser. A direção do Santos está corretíssima. Estavam acontecendo exageros sim. E não é só no Santos, é em todo lado. Se é permitido para um, tem de ser permitido para o outro. Se o católico reza o Pai Nosso, o judeu, budista, hinduísta, muçulmano também tem o direito de fazerem suas preces. Ou não??? Parabéns diretoria do Santos, uma atitude corajosa e correta, porque ninguem aguentava mais jogador tentando enfiar suas crenças por nossas gargantas abaixo cada vez que fazia um gol ou quando o time vencia. Quer pregar e rezar? Vai pra igreja ou pra onde bem entender, mas respeite o direito dos outros.

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