COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O ROLO DO CHOLO

Deixe-me ver se entendi bem: Guiñazu assinou uma procuração para que um agente trate de sua transferência para o São Paulo. E só para o São Paulo. Mas o São Paulo não lhe fez nenhuma proposta. A procuração vazou (via Benjamin Back, neste Lance!), o Internacional não gostou, e o capitão interrompeu suas férias para comparecer a uma reunião “secreta” no Beira-Rio.

A tal reunião é mais um capítulo (se é que esse filme não é parte de uma série como “Guerra nas Estrelas”, em que os últimos episódios tratam do que aconteceu antes) de uma saga de difícil compreensão. O encontro era para que o vice de futebol do Inter, Fernando Carvalho, conhecesse a proposta que está nas mãos dos agentes de Guiñazu. Pelo que está escrito na procuração, a oferta só pode ser do São Paulo. Mas o Tricolor insiste que não a fez. Carvalho não quis vê-la, e diz nem querer saber de quem é. Na conversa, Guiñazu disse ao dirigente que não quer mais jogar no Inter (informação do jornalista Vitor Birner, da rádio CBN, confirmada por duas pessoas ouvidas pela coluna). Carvalho respondeu que não há chance de o maior ídolo do Beira-Rio deixar o clube.

Bem… acho que é isso. Engraçado como as coisas funcionam no futebol, não? Faz lembrar o susto que um experiente economista, acostumado a lidar com as mais complexas e arriscadas transações do mercado, levou quando se envolveu brevemente com os negócios da bola. Ele já tinha testemunhado acordos “fechados” por apertos de mãos, já tarde da noite, se transformarem em nada na manhã seguinte, na hora de assinar o papel. Mas jamais tinha visto papéis assinados serem rasgados, a qualquer momento, conforme as alterações de humor de uma das partes. Vivendo e aprendendo.

É claro que os movimentos conhecidos desse caso entre Guiñazu, Internacional e São Paulo são um pequeno percentual da verdade. Há mais, muito mais, por trás da possível (provável?) transferência do volante argentino. Quase sempre, tem a ver com dinheiro. Parafraseando (e contrariando, com o devido pedido de perdão) Tolstói, em “Anna Karenina”: relações de trabalho felizes são felizes por motivos diferentes; as infelizes são todas iguais.

Independentemente da leitura que a parcela irracional da torcida colorada faz do impasse, não foi a “imprensa do eixo” que forjou um documento e está tentando sequestrar Cholo Guiñazu. Nada aconteceria sem a vontade, e a assinatura, dele. Inútil chamar o óbvio para a briga.

É a mesma assinatura que está no contrato registrado na CBF, que expira em 22/6/2010, em que o argentino aparece como jogador do Internacional. A existência de outro acordo que estende o vínculo por mais dois anos, por causa do visto de trabalho, aumenta a temperatura da conversa.

E há mais uma obviedade nessa história: Guiñazu altera a balança de forças da Libertadores 2010. Peço desculpas aos que o acham um jogador mediano, elogiado apenas por ser raçudo. É a turma do contra. Guiñazu corre o campo todo, joga o jogo inteiro, e não perde uma dividida.

Posturas à parte, parece que não perderá mais uma.



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