COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

O MUNDO NÃO ACABA EM 2010

O Corinthians renovou o contrato do técnico Mano Menezes por um ano. Foi um erro.

Deixe-me explicar: MM está sozinho numa categoria de treinadores brasileiros. Ele é o único profissional que já demonstrou sua capacidade com títulos, mas cujos melhores trabalhos estão no futuro. Em termos curriculares, há alguns técnicos promissores que estão atrás dele, e poucos à frente. Mas neste estágio em que a aposta significa baixo risco e é praticamente uma garantia de alto retorno, não há mais ninguém.

O Corinthians, que o conhece bem melhor do que nós, também pensa assim: “O Mano é um profissional preparadíssimo, que dificilmente deixará de trabalhar no exterior e até na Seleção Brasileira. Nós estamos totalmente satisfeitos com ele aqui”, diz Mário Gobbi, vice-presidente de futebol do clube. Essa é a primeira razão pela qual a renovação deveria ter sido feita por um período mais longo. Mas não a mais importante.

Antes de tocar nela, é preciso falar com o outro lado da mesa. Afinal, de que adianta um clube morrer de amores por um técnico, mostrar-lhe uma proposta de contrato mais longo, se ele não estiver de acordo? Ligamos para Mano, com a hipótese. A resposta: “As coisas não funcionam assim no futebol. Você sabe, o que está no papel vale pouco quando não há resultados. E se há, o relacionamento continua naturalmente. Eu me acostumei a fazer contratos anuais”, diz ele. Antes do Corinthians, Mano trabalhou três anos no Grêmio, com duas renovações. Para quem confia no próprio taco, acordos mais longos podem ser “travas” desnecessárias. Mas tudo pode ser previsto em cláusulas especiais, como, por exemplo, o sumiço da multa rescisória em caso de convite europeu. O Corinthians não propôs mais tempo a seu técnico.

Mas deveria, por uma questão estratégica. Uma mensagem. Um dos grandes adversários que o time terá em 2010 é a psicose da Libertadores. A obsessão de quem não consegue perceber que o plano não pode estar restrito ao ano do centenário. A ideia tem de ser jogar a Libertadores sempre, aumentando a chance de ganhá-la. Ter Mano Menezes sob contrato por dois anos, ou três, seria um aliado desse discurso. Um forte argumento para mostrar ao torcedor que, dentro do clube, o calendário não termina em 2010. “Essa é uma ótima ideia, que infelizmente não nos passou pela cabeça durante as conversas com o Mano”, diz Gobbi.

Não há problema em montar um time com uma competição em mente. Mas o comandante desse time é outra conversa. Não é interessante que sua permanência pareça relacionada a um determinado objetivo, ainda mais com o nível de tensão produzido pelo encontro das palavras “Corinthians” e “Libertadores”.

O Corinthians está tranquilo, e garante que não é a calma antes da tempestade. “Nós queremos ganhar a Libertadores em 2010, sim, mas o contrato do Mano não tem nada a ver com isso”, diz Gobbi. “Ele vai continuar aqui. Para falar de uma forma definitiva: não imaginamos o futebol do Corinthians sem ele”, completa.

Mais um motivo para um contrato maior.



MaisRecentes

Filme



Continue Lendo

Perversidades



Continue Lendo

Arturito



Continue Lendo