PACOTE DE GOLS



No começo da temporada, depois que Corinthians e São Paulo contrataram seus camisas 9, um dirigente tricolor foi questionado sobre qual deles era melhor. Respondeu o seguinte:

“Para vender camisas, o Ronaldo. Para fazer gols, o Washington”.

Claro que a frase tem muito de provocação (e que fique mais claro ainda que não a reproduzi para estimulá-la, como se verá) e algo de futurologia furada, pois apostava que Ronaldo não teria o rendimento que teve em campo. Na metade do ano, por exemplo, a declaração era um gigantesco tiro pela culatra.

No final, ela acertou em relação à produção do centroavante são-paulino, que é o tema central deste post.

Não era difícil prever o que aconteceria com Washington no Morumbi. É só lembrar do que ele fez pelas últimas camisas (brasileiras) que vestiu:

2000/2002 – em 50 jogos pela Ponte Preta: 34 gols.

2003/2004 – em 38 jogos pelo Atlético Paranaense: 34 gols.

2008 – em 28 jogos pelo Fluminense: 21 gols.

O ano de 2009 não foi fácil para ele, porque não foi fácil para o São Paulo. Além da óbvia transição após a troca na comissão técnica, o clube teve de lidar com problemas internos.

Quem não se lembra de uma frase de Washington, após uma vitória pelo Campeonato Brasileiro: “Hoje o time ganhou porque foi mais irmão, mais companheiro”. É lógico que quem é recém-chegado sofre mais.

Alguns jogadores sabiam que não estavam nos planos do clube para o futuro, e se sabia que o clube não estava nos planos futuros de alguns jogadores.

Extra-oficialmente, Washington foi incluído no primeiro grupo. Perdeu o lugar no time em determinados períodos. Mas não agiu com se estivesse no segundo.

Os 32 gols marcados na temporada (em 57 jogos) deveriam ser a primeira e última análises sobre seu trabalho.

A diretoria acertou ao renovar o contrato de Washington, atendendo a pedidos de companheiros e ignorando as crises de parte da torcida que não tolera uma bola mal dominada.

Nenhum time pode se desfazer de 30 gols por ano. A não ser que traga alguém que faz mais.



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