COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

POR UM 2010 SEM DOR

À frente de uma estante envidraçada que exibe duas taças da Liga dos Campeões da Uefa, Kaká ajeita o microfone para nossa entrevista. Estamos num salão anexo à sala de imprensa, nesse lugar impressionante chamado “Ciudad Real Madrid”. É até feio chamar de centro de treinamento. A sugestão para gravarmos nossa conversa ali, diante da prataria de um gigante do futebol, foi do próprio clube. Não são muitos os que podem produzir tal fundo.

Kaká está bem humorado, apesar das dores no púbis que o incomodam desde a Copa das Confederações, no final de junho. Pergunta por onde andamos desde o domingo passado, quando estivemos “juntos” no clássico espanhol, em Barcelona. É a deixa para a satisfação de uma curiosidade que nada tem a ver com a entrevista, mas que me acompanhava há dias: como ele foi capaz de deixar de fazer um gol, no primeiro tempo, passando a oportunidade para Cristiano Ronaldo? Não teria ele percebido que estava melhor posicionado para o chute do que o português? Eu sei que o cérebro de um meia trabalha em modo de gentileza, nunca de egoísmo, mas…

A resposta de Kaká é mais uma prova de que o jogo jogado é muito diferente daquilo que (achamos que ) vemos. E que não há nada melhor do que, simplesmente, perguntar a quem estava lá dentro. Ele se lembra do lance com fortuna de detalhes: “Quando eu passei pelo Piqué e entrei na área, ele me desequilibrou e quase caí. Quando olhei para a frente, o Abidal fechou o único ângulo que eu tinha, que era o chute na diagonal, como eu gosto. O Cristiano já tinha gritado, e estava livre…”. Conecte-se e reveja o lance. É exatamente o que aconteceu. O chute no canto direito de Víctor Valdés também era impossível, pois Kaká estava de lado para o gol.

A conversa, para o programa “A Copa É Nossa”, da ESPN Brasil, era para ser sobre Seleção Brasileira e Copa de 2010. Mas não dá para ignorar as dores que prejudicam o final de ano de um dos melhores jogadores do mundo. A pubalgia é um incômodo de difícil tratamento, que vai e volta, e pode ter a cirurgia como única solução nos casos mais graves. Há quem pense que é coisa de jogador de terceiro mundo, vítima de gramados ruins. Engano. Gente como Raúl González, que só pisou em tapete desde sempre, sofre com as fisgadas que não se restringem aos treinos e jogos. “Dói para levantar da cama, até para tossir. Uma boa referência de melhora é quando a gente tosse e não sente a dor”, diz Kaká.

Na África do Sul, ela não limitou tanto seus movimentos, e Kaká pôde jogar até o fim da campanha do título. Mas o período de férias não foi um remédio tão eficaz como se imaginava. Agora, o aviso veio da segunda pior forma: pare e se trate. Kaká não estará em campo neste fim de semana pelo Campeonato Espanhol, e pode perder até o jogo da próxima terça-feira, contra o Olympique de Marselha, pela Liga dos Campeões. “Quero voltar o quanto antes, mas não sei. Vou me cuidar porque em 2010 tem muita coisa importante para acontecer, no Real Madrid e na Seleção”, ele conta.

Dois times que não são os mesmos sem ele.



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