COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

SUPER DOMINGO

Do hotel em frente ao lendário Camp Nou até a Ciudad Deportiva Joan Gamper, centro de treinamento do FC Barcelona, não levamos mais do que 20 minutos. O local fica em outra cidade, San Joan Despí, mas na Europa as coisas são assim.

De fora, as instalações mais parecem uma gigantesca concessionária de carros luxuosos. É tudo cinza, com vidros escuros, discretamente moderno. Credenciados, somos dirigidos a um pequeno estádio. Alguns jogadores já estão no gramado, aquecendo-se para um treino que será aberto aos jornalistas só nos primeiros 15 minutos.

Estão todos com uma camisa “amarelo marca-texto”, menos um: Leo Messi veste uma jaqueta azul. Como se sabe, ele é diferente. Mas jogadores de futebol, independentemente de nome e tamanho, são iguais. Todos os treinos, em todos os clubes, se iniciam com rodas de bobinho. Talvez seja uma lei que não conhecemos.

Messi e Ibrahimovic logo se separam do grupo, vão para o outro lado do campo com preparadores físicos, no misterioso processo de recuperação que os mantém como prováveis presenças (consequentemente, prováveis ausências) no superclássico de amanhã. Mais uns 5 minutos e Pep Guardiola chama seus jogadores para rápidas palavras. Eles passam a outro campo, mais longe de onde estamos, quase não é possível ver quem é quem. E no momento em que acreditamos que aqueles quinze minutos terão um chorinho, a segurança anucia o toque de recolher.

A sala de imprensa fica em frente ao estacionamento dos jogadores. De calça jeans, tênis e malha preta, Daniel Alves abre a porta do vestiário. O ala brasileiro é o escolhido pelo clube para falar em entrevista coletiva, dois dias antes de um dos “jogos do ano”. Clara prova do que ele representa.

Má notícia para nós, que viemos do Brasil com uma entrevista agendada para depois do treino de sexta-feira. O encontro de Daniel com a imprensa espanhola significa que nossa conversa vai atrasar.

Daniel está há 1 ano e meio no Barcelona, mas há 7 na Espanha. Domina o idioma a ponto de brincar com perguntas malandras, como quando lhe pediram para explicar a uma pessoa que nada sabe de futebol, o que signica um Barcelona x Real Madrid: “Se eu conseguisse explicar, ela não entenderia”, disse ele, sorrindo.

A entrevista coletiva dura quase meia hora. Você poderia definir o Real Madrid em uma palavra? “Não, eu só defino o Barcelona”. Casillas (goleiro do Real Madrid, atual líder da Liga Espanhola) disse que só vê o Barcelona no retrovisor… “levarei essa declaração com humor, mas ele já sentiu na carne o que é nos enfrentar”. Referência óbvia aos 6 x 2 de maio passado, para o desgosto supremo do Santiago Bernabéu.

No caminho para um dos campos anexos, onde falamos sobre a vida em – e no – Barcelona (“cidade maravilhosa, clube perfeito”) e sobre Seleção Brasileira (“meu objetivo é ser útil”), Daniel fez o comentário definitivo a respeito de seu time, com ou sem estrelas, e do jogaço de amanhã: “Quando os baixinhos estão naqueles dias, fica difícil…” Ele está falando de Xavi e Iniesta, os dois meio-campistas que são a alma deste Barça.

Mas há um baixinho na direita que também dá trabalho.



MaisRecentes

Perversidades



Continue Lendo

Arturito



Continue Lendo

Terceirão



Continue Lendo