COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

JÁ VIU ESSE FILME?

A cena aconteceu no restaurante do Hotel Bellagio, em Las Vegas. Está em “Onze Homens e Um Segredo”.

Danny Ocean (George Clooney), recém-saído da prisão, surpreende Tess (Julia Roberts, deslumbrante) à mesa. Senta-se e diz que voltou para buscá-la. Falsamente incomodada com a presença do antigo amor, Tess se esforça para afastá-lo: “Estou com Terry (Andy Garcia), agora.” Danny não se intimida: “Ele te faz rir?” A resposta revela uma mulher magoada: “Ele não me faz chorar.”

Claro que não é a mesma coisa. Trocar alegria por ausência de tristeza é descer um degrau na escada. Mas pode ser a opção pelo possível, numa época em que o melhor possível está fora do alcance. Vale para a vida e para o futebol. Quer ver?

Responda, com aquela sinceridade a toda prova que lhe é peculiar: você imaginava que o São Paulo disputaria o título do Campeonato Brasileiro? Não falo do mês passado. Falo da semana da eliminação do Campeonato Paulista, com duas derrotas para o Corinthians. Ou da Copa Libertadores, com duas derrotas para o Cruzeiro. Falo das primeiras semanas do BR-09, com apenas uma vitória em sete jogos. E da substituição de Muricy Ramalho por Ricardo Gomes.

“Houve um momento em que realmente o título parecia muito difícil”. A frase, com a qual imagino que você concorde, é de Raí. O ídolo eterno, comandante dos times que fizeram o são-paulino rir, sorrir e chorar pelo bom motivo, viu a temporada em sério risco até a sequência de sete vitórias em julho e agosto. “Naqueles jogos o time mostrou que alguma coisa diferente estava acontecendo, o Ricardo (Gomes) encontrou opções ofensivas que deram resultado, foram atuações muito boas”, completa. Dos times campeões brasileiros nos últimos três anos, o preferido de Raí é o de 2006. “Era o que jogava mais bonito”, diz ele. Compreende-se a predileção em relação ao de 2007, brilhantemente defensivo (levou 19 gols em 38 jogos), e ao de 2008, que ganhou o campeonato com 18 rodadas de invencibilidade e alguma colaboração dos adversários. “Foi uma bela arrancada, mas os outros falharam muito”, lembra o ex-capitão. Raí considera a versão 2009 equivalente à do ano passado, em matéria de futebol mostrado.

Um time que não abre um grande sorriso na arquibancada (a bem da verdade, se tem alguém fazendo isso é o Flamengo, assunto para outra coluna), mas também não a faz recorrer ao lenço. E que tem sido irritantemente insistente na recusa a abandonar a briga, a ponto de receber o apelido do vilão que não morre nos filmes de terror. Não deixa de ser uma qualidade.

O que deve assustar os outros: a quatro jogos do final, o São Paulo é o único time que depende apenas dos próprios resultados para ser campeão. Quando o BR-09 tinha um mês de vida, pouca gente apostaria nessa previsão. E se o Morumbi comemorar mais uma vitória logo mais, a janela de oportunidades dos adversários ficará menor.

De volta à cena do restaurante do Bellagio: Terry chega e não gosta do que vê. Danny se retira, mas deixa seu recado. Imediatamente, Tess sabe como a história terminará.



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