CAIXA-POSTAL



Antes dos assuntos da semana, parabéns ao Vasco da Gama (2 x 1 no América: Lucio, Elton e Alex Teixeira – 50.237 pagantes no Maracanã), campeão brasileiro da Série B em 2009.

A jornada está completa. Que não se repita.

Aos temas:

Ramon escreve: Meus amigos de pelada de Domingo têm a seguinte dúvida: o zagueiro levanta a bola, propositalmente, e a recua para o goleiro com o joelho. Eis a questão: o lance é válido? O que o árbitro da partida deveria fazer?

Resposta: Infração. O jogador de linha não pode, deliberadamente, levantar a bola para recuá-la para o goleiro, de forma que ele possa tocá-la com as mãos. Falta em dois toques dentro da área.

ATUALIZAÇÃO, domingo 15/11/09, 13h56 – Do livro de regras:

Interpretação das Regras do Jogo e Diretrizes para Árbitros

• empregar um truque deliberado com a bola em jogo para passar a bola a seu goleiro com a cabeça, o peito, o joelho etc., a fim de burlar a Regra, independentemente de o goleiro tocar ou não a bola com suas mãos; a infração é cometida pelo jogador que tenta burlar tanto a letra quanto o espírito da Regra 12. O jogo será reiniciado com um tiro livre indireto.

Para quem faz questão do texto em inglês:

Interpretation of the laws of the game and guidelines for referees

Cautions for unsporting behaviour

• uses a deliberate trick while the ball is in play to pass the ball to his own goalkeeper with his head, chest, knee etc. in order to circumvent the Law, irrespective of whether the goalkeeper touches the ball with his hands or not. The offence is committed by the player in attempting to circumvent both the letter and the spirit of Law 12 and play is restarted with an indirect free kick.
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Roberto escreve: Se os médicos, treinadores e jogadores brasileiros reclamam tanto de jogar na altitude da Bolívia, porque ninguém fala nada sobre jogar no sol de 3 da tarde, 40 graus no Maracanã? Será medo de desagradar a dona do horário, a emissora oficial? Para quem vê o jogo é evidente que o jogador que faz uma jogada mais aguda ou dá um pique mais intenso passa alguns minutos “no migué” depois de fazê-lo. Se tivermos algum especialista no assunto lendo isso, será que podemos ter uma opinião profissional?

Resposta: Não há dúvida sobre os perigos de jogar futebol sob esse nível de calor. Mas se lembrarmos que a Copa de 94 foi realizada com jogos ao meio-dia, em nome da transmissão internacional de TV, teremos um exemplo claro da forma como se vê essa questão. Um argumento que é geralmente usado no debate calor x altitude é que “o calor é igual para os dois times”, enquanto que a altitude significa uma clara vantagem para o mandante. A reclamação não é apenas “jogar na altitude”, mas “jogar na altitude sem tempo de adaptação”. Claro que a o tempo necessário para que um time se adapte inviabilizaria competições como as Eliminatórias Sul-Americanas ou a Copa Libertadores. No caso desses dois torneios (sempre marcados pela discussão sobre a altitude), não há um exemplo de um time que sai de uma temperatura muito baixa para jogar no Maracanã sob 50 graus. Mas brasileiros, argentinos, paraguaios… precisam subir o morro para jogar na Bolívia e no Equador.
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Renato escreve: Primeiro deixa eu esclarecer que nunca fui fã do Ronaldo, pois não acompanho o futebol europeu e ele saiu do Brasil muito cedo. Fora isso, Ronaldo calou minha boca após todas as contusões graves que teve, sempre eu achava que “agora ele não será mais o mesmo”. De fato, nunca mais foi o mesmo, mas sempre superou as expectativas dos mais pessimistas em relação a ele, como eu, sempre jogando de forma diferenciada dos demais no cenário da elite do futebol mundial, a Europa. Hoje, acompanhando mais de perto, fico pensando como teria sido sua carreira caso as contusões NUNCA tivessem acontecido. Dá pra imaginar? Uma coisa é quase certa, Ronaldo NÃO estaria no Brasil. Mas até onde ele teria chegado?

Resposta: Não, não dá para imaginar. E ele provavelmente não estaria jogando aqui no Brasil, mesmo. As lesões graves que o Ronaldo sofreu não lhe custaram uma Copa do Mundo (não sabemos o que acontecerá em 2010), por exemplo, mas lhe roubaram muito tempo em sua carreira nos clubes. Onde ele teria chegado? Infelizmente nunca saberemos.
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Marcelo escreve: supondo que a arbitragem eletrônica exista nos moldes idealizados pelo blogueiro: num lance de extremo perigo, em que o atacante certamente marcaria um gol, o árbitro do campo decide parar o lance, pois segundo suas interpretações existiu uma falta do próprio atacante. Ao analisar o vídeo, o trio eletrônico interpreta que não existiu falta. Porém um lance interrompido antes da conclusão não tem volta. O que fazer? Quando a regra dá margem à interpretação o juiz do campo seria soberano?

Resposta: Na minha proposta de arbitragem eletrônica (te mando por e-mail se houver interesse), o trio que fica na cabine está lá para ajudar o árbitro. Ele pode revisar qualquer lance, se o árbitro pedir. Mas só pode interferir sem ser solicitado em três situações: jogadas de gol, faltas dentro da área e agressões que passaram despercebidas. Os técnicos podem desafiar as marcações da arbitragem duas vezes por tempo, chamando o trio eletrônico a entrar em ação. Então, usando seu exemplo, vamos supor que a jogada faltosa tenha acontecido dentro da área, ou desafiada pelo técnico do time que estava no ataque. O trio eletrônico revisa o lance e conclui que não houve falta, o árbitro errou. A única forma de “reparar o erro” é marcar falta a favor do ataque, no mesmo lugar. Sim, é uma compensação “parcial”, pois no lance original a chance de gol poderia ser muito maior. E sim, exigiria uma mudança na regra do jogo, pela inversão da marcação. Mas, mesmo assim, ainda é melhor do que a situação atual, em que o erro é cometido, o gol não sai, e ninguém faz nada.

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Uma vez mais, muito obrigado pelas mensagens. Até o próximo sábado.

(e-mails para a CP do blog: akfouri@lancenet.com.br, ou clique no link abaixo da foto)



  • Cruvinel

    Tu esqueceu de citar no final da CP as frases de filmes como de costume !

    (e nós não esquecemos de reparar rsrsrs…!)

  • Marcos Vinícius

    Gente boa,tá na ficha do jogo,fornecida pelo LANCE!:Público pagante:52.237!
    Tá lá,na ficha do jogo.É só conferir!

    AK: Se está assim, está errado. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    Amigo,sem querer dar uma de DC,mas me dei ao trabalho de conferir no jornal de sábado,e também nele tá lá:Público pagante:52.237.Eu lembro que ainda falei com meu filho sobre o número de pagantes,que parecia que tinha mais que o divulgado.O telão do maraca também mostrou que o público pagante era 52 mil e pouco.
    Não que isso seja informação relevante,mas o fato é que foi divulgado assim.
    Agora só falta vc me dizer que o telão do Maracanã também estava errado!
    Abraço,querido!

    AK: Não sei sobre o telão do Maracanã. Talvez a emoção tenha levado a alguma confusão. Abaixo, a ficha técnica do jogo:

    Ficha técnica:
    VASCO 2 x 1 AMÉRICA-RN
    VASCO: Fernando Prass, Fagner (Aloísio), Vilson (Philippe Coutinho), Titi e Ramon; Nílton, Souza, Ernani (Fumagalli) e Carlos Alberto; Alex Teixeira e Elton. Técnico: Dorival Júnior
    AMÉRICA: Rodolpho, Thoni, Leandro, Edson Rocha e Jackson; Julio Terceiro (Ramires), Ricardo Oliveira, Somália e Juninho (Wilton Goiano); Lúcio e André Luiz (Geovane).
    Técnico: Francisco Diá.
    Gols: Lúcio, aos 13 minutos do primeiro tempo; Elton, aos 15, e Alex Teixeira, aos 40 minutos do segundo tempo.
    Cartões amarelos: Alex Teixeira (Vasco); Leandro, Ricardo Oliveira, Julio Terceiro, Edson Rocha (América-RN). Cartão vermelho: Leandro (América-RN).
    Público: 50.237 pagantes (52.985 presentes). Renda: R$ 746.330,00.
    Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ). Data: 13/11/2009. Árbitro: José Henrique de Carvalho (SP). Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Nilson de Souza Monção (SP).

  • Anna

    Eu senti falta da citação de filme. É só disso que lembro por ora em pc alheio. Abraço, Anna

  • Marcos Vinícius

    FICHA TÉCNICA:
    VASCO 2 X 1 AMÉRICA-RN

    Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ}
    Data/Hora: 12/11/09 – 21h
    Árbitro: Jose Henrique de Carvalho(SP)
    Assistentes: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Nilson de Souza Monção (SP)
    Renda/Público: R$ 746.330,00/52.237 pagantes
    Cartões Amarelos: Leandro, Ricardo Oliveira, Julio Terceiro, Edson Rocha (AME); Alex Teixeira (VAS)
    Cartões Vermelhos: Leandro, 1’/2ºT (AME)

    GOLS: Lucio, 13’/2ºT (0-1); 15’/2ºT (1-1); Alex Teixeira, 39’/2ºT (2-1)

    VASCO: Fernando Prass, Fagner (Aloísio, 30’/2ºT) , Vilson (Philippe Coutinho, 9’/2ºT), Titi e Ramon; Nilton, Souza, Ernani (Fumagalli, intervalo) e Carlos Alberto; Alex Teixeira e Elton. Técnico: Dorival Júnior.

    AMÉRICA-RN : Rodolpho; Thoni, Leandro, Edson Rocha e Jackson; Julio Terceiro (Ramires, 21’/2ºT), Ricardo Oliveira, Somália e Juninho (Wilton Goiano, 34’/2ºT); Lúcio e André Luiz (Geovane, 16’/2ºT). Técnico: Francisco Diá

    E aí?Tá bom?

    AK: Bom? Pode ser… mas está errado. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    Renda/Público: R$ 746.330,00/52.237 pagantes
    Torno a dizer:não que o fato seja relevante,mas…Tá lá,ué!

    AK: Já que você não acha relevante, poderia parar de insistir no que está errado. Do site da Suderj:

    Borderô – Vasco da Gama x America RN
    Dados fornecidos pela FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro)

    PÚBLICO PAGANTE: 50.237

    PÚBLICO PAGANTE DE ANUIDADE:

    CAMAROTES – 873
    CADEIRAS PERPÉTUAS 2º ANDAR – 331
    CADEIRAS PERPÉTUAS 6º ANDAR – 682

    GRATUIDADES DEFINIDAS EM LEI:
    IDOSOS MAIORES DE 65 ANOS – 0
    PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS – 0

    DEMAIS GRATUIDADES:
    MENORES DE 12 ANOS – 0

    CORTESIAS (FERJ – SUDERJ – CLUBES):
    TRIBUNA DE HONRA – 295
    TRIBUNA DESPORTIVA – 146
    TRIBUNA DE IMPRENSA – 421

    PÚBLICO PRESENTE: 52.985
    RENDA: R$ 746.330,00

    Relaxe, companheiro, foi a emoção. Um abraço.

  • Marcos Vinícius

    Poxa,gente boa,não tô insistindo no que está errado,mas é que foram informações divergentes.Vc disse uma coisa e o LANCE! outra.Mas relaxa,companheiro,não foi nada demais.

    AK: Um abraço.

  • Flavio

    Po Andre, cade a citacao de filme da caixa postal de hoje???? Fez falta!! Esqueceu ou ja achou o “Ocean’s Eleven” o suficiente?

  • Mario Emilio

    Caro André,
    Não sei se é de Nelson Rodrigues, mas já li em algum lugar que o futebol é apaixonante porquê uma pessoa que não saiba nem para que serve a bola, pode ir a um estádio que em 10 minutos entenderá tudo. É exagerado (deve ser Nelson), mas um dos diferenciais do futebol é a manutenção de suas regras.
    Sinceramente, vc acredita que arbitragem eletrônica traga algum ganho ? Com um juiz já é difícil, imagina um monte. Seria chatíssimo esperar até que chegassem a alguma conclusão, sem contar a possibilidade de cera dos técnicos que estiverem vencendo o jogo.
    Acho que o caminho é a profissionalização do quadro de árbitros, treinamento, etc. Não mudança nas regras.
    Um abraço.

    AK: Chatíssimo esperar? Quando vemos um jogo pela TV, quanto tempo demoramos para descobrir que o árbitro errou? Um abraço.

  • Alexandre Cereja Sanchez

    Estranhei essa interpretação do recuo para o goleiro. A infração é cometida pelo jogador que usa do “truque” na tentativa de burlar a regra, independentemente do goleiro tocar a bola com a mão.
    Ora, duvido que algum juiz irá dar o tiro livre indireto no caso de um jogador levantar a bola e tocar com a cabeça, ou joelho, ou qualquer outra parte para o goleiro e este dar um bicão na bola.
    Fora que essa interpretação gera muita confusão porque se o recuo acontece, por exemplo, do meio do campo e o goleiro toca com a mão na área, a infração foi cometida não por este, mas pelo jogador que recuou a bola, ou seja, a falta é cobrada do meio do campo….
    Acho que às vezes quando se quer interpretar muito, acabam complicando as coisa!!

  • Massara

    AK, cadê a frase cinematográfica da CP?

    Pô, espero toda semana para ver qual vai ser…

    rs…

    Abs.

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