O VASCAÍNO VOLTOU



O Vasco (1 x 0 no Campinense: Elton – público ND no Amigão) ainda não é campeão brasileiro da Série B.

O jogo do título pode ser o da próxima sexta-feira, contra o América-RN, em São Januário. Melhor, não?

Bem, eu já estava ficando preocupado com o “Vascaíno”, que prometeu mandar um relato sobre a festa do último sábado. Será que, em plena “tarde da volta”, alguma coisa aconteceu com ele?

Aconteceu. Mas só coisa boa.

O e-mail chegou hoje de manhã. O blog, uma vez mais, agradece.

______

Caro André,

Quem promete tem que pagar, né?

Viajei para o Rio no sábado de manhã. Chegando em Congonhas, vi algumas camisas do Vasco aqui e ali… logo pensei que o dia ia ser bom.

Na realidade, o dia TINHA que ser bom. Até que comentei com alguns amigos que faltava combinar com o Juventude, mas a confiança na volta era grande – era uma certeza. Mas tem algumas coisas na vida que só são certas MESMO quando não tem mais volta. Então, preferi aguardar o desfecho matemático da brincadeira para me manifestar.

E acabou sendo realmente um dia muito bom.

Maracanã cheio – batemos o recorde de público – estádio bonito, dia bonito e dia de sol. Tudo pronto para uma belíssima festa.

Eu tive a imensa alegria de ver, participar e ser ator em uma festa belíssima, de ver famílias (inclusive a minha) inteiras no estádio, de cantar, gritar, vibrar e me emocionar. Vi a torcida do Vasco ser, mais uma vez, a grande estrela da celebração realizada no Maracanã.

Uma celebração linda, embalada pela torcida que nunca deixou o time só.

Estive em São Januário no dia da queda, para “dar a mão e ajudar a
levantar”. Estive no Maracanã para ver a volta – e o Vasco nem precisou de um último empurrão para cima.

E acho que as suas palavras, André, traduzem bem o sentimento – me permito citar alguns trechos:

“… as feridas começam a cicatrizar e certos valores são recuperados.”

“Quem ama, fica, pois o coração não tem divisões.”

“Na verdade, tardes como a de sábado são saborosoas, inesquecíveis,
históricas.”

“O Vasco voltou mais Vasco.”

E a imensa torcida bem feliz está bem feliz e orgulhosa. Orgulhosa de seu time, orgulhosa de seu clube e orgulhosa de si mesma. Provou (relembrou) um fato há muito esquecido: a Torcida do Vasco é capaz de encher qualquer estádio. E provou isso enchendo o Maracanã em várias ocasiões durante este ano. Provou isso enchendo vários estádios acanhados espalhados pelo Brasil. Levou, sozinha, mais público ao Maracanã do que Flamengo e Fluminense juntos. E fez lindas festas durante este ano. Enquanto o time provava a sua força em campo, a Torcida provou sua força nas arquibancadas.

Agora, essa torcida tem o dever de tomar posse de seu clube. A campanha de captação de sócios tem um slogan muito feliz: “O Vasco é Meu”. Sim, é meu, é de cada vascaíno que lê este texto, é de todos os vascaínos. Se tomarmos posse de nosso clube, poderemos conduzir nossa caravela rumo a novas conquistas. Se não o fizermos, corremos o risco de precisar empurrá-lo de volta à série A de novo.

Por isso, é importante não nos contentarmos com pouco.

Não me arrisco a dizer que o Vasco está de volta “ao seu lugar”. Me perdoem os extremamente felizes, me perdoem os ufanistas de plantão. O lugar do Vasco não é simplesmente na primeira divisão. O lugar do Vasco é disputando títulos na primeira divisão. Já tem algum tempo em que ficamos sistematicamente ali na “zona da marola”, sem perspectivas maiores:

2003 – 17°
2004 – 16°
2005 – 12°
2006 – 6°
2007 – 10°
2008 – 18°

Agora temos que reforçar este time para que possamos sim, voltar ao nosso lugar, que é junto das grandes conquistas. Mesmo que elas não venham, temos que ser fortes para poder desejá-las.

Guardo na minha carteira o ingresso de 7/12/2008 – do jogo contra o Vitória. Poucos pedaços de plástico carregam um paradoxo tão grande: de um lado, uma foto do Expresso da Vitória e do outro, as informações “legais” do jogo trágico. Durante muito tempo, eu olhava só para o lado ruim.

Agora, posso olhar para o lado bom e sorrir.

Bem-vindo, Vasco. Obrigado. O sentimento nunca vai parar.

***

PS1: Aos talebãs de plantão: não quero dizer que a torcida do Vasco seja MELHOR ou MAIOR do que qualquer outra. Quero dizer só que ela fez uma campanha sensacional, empurrando o seu time rumo ao acesso.

PS2: Me parece fazer pouco sentido que a diretoria do Vasco fale em prêmios respeitáveis para os jogadores pelo acesso/título enquanto funcionários do Clube estão sem receber há tampo tempo.

PS3: Aos “outros” talebãs de plantão: não ouso dizer que a gestão Roberto Dinamite seja perfeita. Há erros e problemas, como fiz questão de indicar no PS2. Mas negar que existe uma comunhão entre time e torcida que não era vista há muito tempo é negar o óbvio. E não pensar nos motivos que afastavam esta torcida de sua paixão é burrice.

ATUALIZAÇÃO 15h05 – Apenas para evitar má compreensão: os PS’s são do autor do texto, não meus.



  • Bruno Pereira

    André,
    Tenho 26 anos e sou o mais velho de três irmãos. O do meio (25) é corintiano. O caçula (20) é vascaíno. Foi de partir o coração ver o choro de um de outro em 2007 e 2008, nas quedas de Corinthians e Vasco. Entretanto, não há palavras que descrevam como a emoção de ambos, nos jogos de volta de cada time, mexeu comigo. Chorei também. As duas vezes. Confesso. Sou um amante do esporte, antes de tudo. Amante de todos os esportes. Quem não se emociona com a festa que a torcida cruz-maltina fez no Maracanã neste sábado – assim como aquela que os alvi-negros fizeram no Pacaembu no ano passado – ou é ruim da cabeça ou é doente do pé. Seja muito bem-vindo de volta, Clube de Regatas Vasco da Gama.

  • Anna

    Adorei o relato do Vascaíno. Perfeito! E também gostei dos “ps”s seus. Eu estou feliz até hoje e sei que na sexta-feira poderá vir a cereja do bolo com o título. Espero que não tenha outro “apagão” como o de ontem e que eu possa ver tudo a que tenho direito. Grande abraço, Anna

    AK: Os PS’s são dele. Um abraço.

  • eduardo pieroni

    Pô cara emocionante!!!eu sou corinthiano,como se sabe conheço a dor desta ferida.Parabens pelas palavras!VIVA O VASCO.O FUTEBOL.

  • Pô, também jurava que os PS´s eram seus! Forma de escrever muito parecida com a sua!

    (Talvez seja um dos motivos da admiração geral pelo “O Vascaíno”).

  • Anna

    Tá bom, André. Obrigada pelo esclarecimento! Vendo a reprise do SC. As escaladas foram ótimas! 😉

  • Felipe Luis Matos

    Sou de Brasília e fui ver esse jogo no Maracanã, aproveitar pra ver a namorada no RJ tambem, a festa foi linda de emocionar, chegaram a cair lágrimas de tão bonito que foi. O jogo em si nao foi dos melhores, mas a volta do sentimento de respeito entre o Vasco e a torcida foi fanstástico. Não concordo que o rebaixamento seja bom para o time, preferia nao ter essa mancha na história, mas se tem uma coisa que valeu esse ano horrível foi pra mostra que “o sentimento não pode parar” e além de não parar ele voltou depois de estar por tanto tempo escondido. O Bacalhau voltou, agora forte, com a torcida do lado e tomara que de onde nunca deveria ter saído da luta pelo título e nao como um coadjuvante como fomos nos últimos anos..

  • Sérgio Rodrigues

    Fala André. Sou um admirador do seu trabalho na ESPN BRASIL. E não sabia que tinha espaços para Vascaínos no seu blog. Isso me deixa muito feliz. Não só pelo espaço, mas pelo brilhantismo que o amigo torcedor do mesmo clube que eu, teve, ao descrever a viagem vascaína pela nunca bem quista segunda divisão. Acompanhei vários jogos também. E posso dizer, como um vascaíno de 28 anos, que acompanhou grandes momentos do clube, e péssimos momentos também, que este, depois daquela virada sensacional contra o palmeiras, foi o jogo que mais me emocionou. Eu estava lá, eu vi, uma torcida apaixonada, ficar meia hora gritando e incentivando os jogadores, meia hora, depois do TÉRMINO DO JOGO! Vi famílias inteiras. Filmei algumas. Vi o espírito do Vascaíno renascer em muitos corações. Vi o que uma torcida apaixonada pode fazer. Respeito todas. Corinthians, Atlético-Mg, Flamengo…todas…mas é muito bonito, ver as famílias de volta ao estádio. No momento da apoteose vascaína, nesses 30 minutos, posso lhe dizer André, que vi muita, mas muita gente chorando. Inclusive eu, e o meu velho pai, que me acompanha no Maracanã sempre (ir sem ele, definitivamente, não tem a mesma graça). Vi crianças se emocionando, adultos, idosos…o slogan “O VASCO É MEU”, é a mais pura verdade, pois por algum tempo, era como se o VASCO, não pertencesse mais aos vascaínos, mas parecia só isso. O que se viu, é que o VASCO TEM DONO SIM! A torcida. Agradeço a Deus, por poder dizer que o VASCO É MEU! (Sim, eu sou sócio!) Agradeço a Deus, por ter podido estar lá, para celebrar a volta do novo vasco. O novo vasco, que na verdade, é o velho vasco. O torcedor voltou a ir ver o seu vasco, e não o vasco de A, B , ou C, que se apoderavam do clube. Era esse sentimento, que fez tantos chorarem naquela tarde do maracanã. Era esse sentimento, que enquanto eu, abraçado ao meu velho pai gritávamos “o meu vascão voltou”, que faziam as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, e para minha surpresa, pelo rosto dele também. É esse sentimento, Maravilhoso, que todas as torcidas devem sentir pelos seus clubes. Que como a torcida do vasco canta, com muita felicidade “E NA ALEGRIA OU NA TRISTEZA, EU NUNCA VOU TE ABANDONAR…” afinal…ser torcedor, é ou não é, fazer parte de um casamento? Que tem seus altos e baixos, mas nunca perde o que o uniu: O AMOR!

    “Quem não me conhece me perguntam pq te segui (Vasco)…PQ EU TE AMO! Eu levo a cruz de malta no meu peito desde que nasci…”

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