COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

VENCER, VENCER, VENCER…

“Eu estava em outra realidade. Pouca gente no estádio, menos cobrança. Aqui, estou vivendo uma experiência incrível. Já passei por muita coisa, joguei em grandes clubes, disputei duas Copas. E honestamente não acreditava que pudesse sentir isso de novo, aos 33 anos.”

No papel, a declaração já transpira motivação. Por telefone, a voz do outro lado da linha não combina com um jogador experiente, vivido. Ao falar sobre seus dias como atleticano, Ricardinho soa como um garoto maravilhado pela primeira tarde num estádio de futebol. Se deixar, ele não para.

Do Qatar para Belo Horizonte, ele se transportou de uma corridinha leve na orla, para o sprint final da maratona do Campeonato Brasileiro. E está adorando cada segundo. “Eu fui tão bem recebido pelo clube, pelo grupo e pela torcida, que parece que estou aqui há muito tempo. Esse envolvimento me surpreendeu. Eu não achava que a profissão ainda me proporcionaria isso”, revela. Percebeu o padrão? São dois “isso” seguidos. Peço que ele elabore. “Cara, você sai nas ruas e encontra o torcedor. E tudo o que eles querem é agradecer pelo que a gente tem feito e dizer o quanto o título seria importante”, explica, “isso é empolgante”.

O Atlético foi um dos primeiros times a ligar para Ricardinho no Qatar. É de se supor que, no processo de sedução de alguém que não seria convencido a voltar por questões financeiras, o fator “Mineirão-lotado-pela-massa” tenha sido usado sem economia. Pergunto se a cantada foi passada muitas vezes. “Foi, eles falaram bastante sobre isso, e claro que eu tinha uma idéia, por ter jogado contra o Atlético no Mineirão”, conta Ricardinho. Mas é diferente? “Ah, cara, é. Quando é a favor, faz toda a diferença”, completa.

Ricardinho ressalta que os jogadores (além dele, Corrêa, Carini e Renteria) que chegaram ao clube no último período de transferências pegaram o galo voando. “A gente veio para ajudar no trabalho muito bom que o time já vinha fazendo”, diz, acrescentando que “todo mundo aqui trabalha para ser campeão, isso não é discurso pronto”.

Adicione a saudade de um título brasileiro, que já bate nos 38 anos, e o resultado é um ambiente contagiante, turbinado pela parte alvinegra de Belo Horizonte. “Tem sido uma experiência sensacional, estou me divertindo muito”, ele conta, pedindo para que o sentido de diversão fique claro. Para quem o ouve, não poderia ser mais evidente.

O Atlético liderou o momento inicial do Campeonato Brasileiro, mas não ficou imune à queda de rendimento que marca todas as campanhas de uma competição tão longa. Foi ridicularizado por isso, como se tivesse mudado seu domicílio para o Paraguai. Continuou olhando para a frente, e se acertou para os últimos quilômetros da corrida. “Temos condições para ganhar o campeonato”, diz Ricardinho. “Não somos os únicos, mas temos condições”.

As condições podem melhorar amanhã. Dependendo do que acontecer no gigantesco jogo contra o Flamengo, e no Maracanã entre Fluminense e Palmeiras, o Atlético pode terminar a rodada em primeiro lugar.

O rejuvenescido Ricardinho já imagina o Mineirão: “não podemos desapontar esse povo”.



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