COLUNA DOMINICAL



(publicada ontem, no Lance!)

“EL LOCO” BATISTA

No dicionário do futebol, há um verbete que dá nome a uma jogada proibida. É aquele carrinho com uma das pernas um pouco mais alta (geralmente mirando o joelho do adversário), em que a bola é só um pretexto para tentar abreviar a carreira de alguém. Com um pouco de imaginação, percebe-se porque o movimento é chamado de “jacaré”.

Adilson Batista, técnico do Cruzeiro, levou a relação entre os répteis e o futebol a outra esfera. Ele criou um novo verbete, o “crocodilo”. Mas não é qualquer crocodilo. Pense num monstro, daqueles que você vê no Discovery Channel mas não tem idéia do tamanho. Seis metros, boca e barriga gigantescas, capazes de traçar um búfalo. Foi o que ele fez na noite de quarta-feira.

O Cruzeiro empatava com o Santo André, no Mineirão, em 2 x 2. Resultado que aumentava a invencibilidade do time no Campeonato Brasileiro, mas estava longe do ideal. Já nos acréscimos, Thiago Ribeiro completou um cruzamento de Jonathan. E Adilson se transformou no incrível Hulk. Passou, literalmente, por cima de quem tentou abraçá-lo, e disparou na direção de uma placa publicitária que estava perto da bandeira de escanteio. Lançou-se no ar, de cima para baixo, e afundou a pobre coitada com os pés. A placa ficou feia, mas Adilson poderia ter levado a pior. “Não aconteceu nada, mas poderia ter me machucado”, ele contou à coluna, por telefone. “Tinha uma mureta de concreto atrás da placa, que eu não vi e não acertei por pouco”. Dói só de pensar.

A história por trás da comemoração do gol que valeu a quinta vitória seguida do time mais quente do BR-09 é inocente. Adilson tem um relacionamento “fraturado” com uma parte da torcida do Cruzeiro, que discorda de tudo o que ele faz. Também não vive em harmonia com setores da imprensa de Belo Horizonte. “Eu gostaria que a torcida ajudasse mais nos momentos ruins. Mas isso é reflexo de um pessoal que entende mais de futebol do que eu, e acha que quem usa a camisa 7 só pode jogar na ponta direita”, diz. Mas a violência contra a publicidade estática não tinha endereço. “Foi uma coisa da emoção do momento, nada premeditado”, explica.

O Cruzeiro tem a melhor campanha do segundo turno do campeonato, com 29 pontos (7 à frente dos “vice-líderes” Flamengo e São Paulo). Está em processo de salvar a temporada com uma vaga na Libertadores de 2010. O feito já não é simples para qualquer participante. Menos ainda para quem teve de se levantar, com o campeonato em andamento, depois de perder a final da taça continental neste ano. A tabela das últimas rodadas é estimulante, apesar da longa viagem pelo calabouço, com jogos contra candidatos à Série B. Sem escalas. O Santo André já passou. Faltam Fluminense (C) e Sport (F). Encontros que podem produzir um lugar definitivo no G-4, e até, com sorte, deixar o Cruzeiro em distância de ataque ao título. Mas Adilson prefere olhar apenas para o que está perto. “Não dá para pensar em nada além do próximo jogo”, alerta.

Mas dá para pensar em novas comemorações. Ele avisa que o crocodilo está aposentado.



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